carregando...

Livre-se dos mosquitos

Arquivo 23/01/2013

Saiba como proteger a criança das picadas, como tratá-las e conheça os tipos de mosquitos que podem transmitir doenças

Cida Oliveira Atualizado em 14.01.2013

Think Stock

Segundo especialistas, seja qual for o mosquito, e independente de estarem contaminados por vírus, protozoários e outros parasitas, em geral as picadas têm efeitos nocivos na pele das crianças, em especial as menores, que ainda não têm o sistema imunológico desenvolvido. A pediatra Kerstin Taniguchi Abagge, presidente do Departamento Científico de Dermatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), explica que uma picada pode desencadear reações agudas que vão desde um inchaço local, avermelhado, até fileiras de bolhas, seguida de inflamação, claro que sempre conforme o tipo do inseto e da sensibilidade da criança.

Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, a pediatra Adriana Tonelli, de São Paulo, lembra que, em geral, fazer compressas e lavar o local com água e sabão trazem alívio para a maioria das lesões. “Alguns casos, porém, requerem algum tipo de pomada ou antialérgicos orais que só o médico pode prescrever”, diz.

No entanto, é preciso estar sempre atento. Flavia Amendola Anisio de Carvalho, alergista e imunologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), do Rio de Janeiro, destaca que uma picada torna-se motivo de preocupação quando a criança coçar o local e ali surgirem microbolhas que evoluem posteriormente para crostas, pus, vermelhidão, inchaço, calor local e muita dor. “Em casos assim o médico deve ser logo procurado para um tratamento adequado, geralmente à base de antibiótico local ou sistêmico”, explica. Em alguns casos mais graves, segundo ela, pode haver uma reação sistêmica à picada – a chamada reação anafilática. “É quando a reação deixa de ser localizada na região da picada e se espalha por outras áreas do corpo, causando inchaço nos pés, nas mãos, na face e nos lábios, causando falta de ar, queda de pressão e dor abdominal. Se não for tratada imediatamente, pode levar à morte”, ressalta a alergista. Se isso acontecer, é o momento de procurar uma emergência imediatamente.

reação alérgica, em geral, ocorre assim que os mosquitos entram em contato com a pele. Antes de sugar, injetam a própria saliva na região. “É a essa saliva que o organismo reage”, explica Flavia. “Como as crianças menores não têm resistência à picada, são as mais suscetíveis a reações. Ao longo do tempo, a resistência aumenta e as reações tornam-se menos frequentes”. De todo modo, segundo ela, essas crianças devem ser acompanhadas por especialistas e sempre estarem protegidas da exposição aos mosquitos.

Como proteger as crianças dos mosquitos

– Os especialistas ouvidos pela reportagem são unânimes ao ressaltar que para prevenir todo esse incômodo – e muitas doenças – o mais importante é evitar a proliferação dos mosquitos.

– A principal medida é impedir o acúmulo de água parada – que constituiu grandes reservatórios de mosquitos.

– Barreiras à entrada dos mosquitos também ajudam, como telas nas janelas. Aliás, as janelas nunca devem estar abertas no início da manhã e no começo da tarde. Mosquiteiros também podem ser usados.

– Repelentes servem para diminuir a atração do mosquito pela pele. Podem ser aplicados na pele e roupas. A maioria desses produtos possuem na sua formulação DEET (designação genérica dada ao composto orgânico N,N-dietil-meta-toluamida e N,N-dietil-3-metilbenzamida). Concentrações superiores a 30% têm ação mais prolongada, porém, crianças menores de 2 anos devem utilizar repelentes com a concentração 10%, que conferem proteção por duas horas. Deve ser evitado o uso ao dormir. E, neste caso, o melhor é hidratar a pele com loção hidratante. Os repelentes devem ser aplicados pelo adulto, apenas nas áreas expostas, preferencialmente os liberados para uso em crianças e de apresentação em loção cremosa. Podem ser reaplicados a cada 4 a 6 horas, dependendo da necessidade e há a descrição de intoxicação pelo uso inapropriado ou ingestão acidental. Não é recomendado aplicar sobre ferimentos e se a criança tiver algum antecedente de reação alérgica ao próprio produto. Converse com seu pediatra para saber qual medicação ter à mão.

– Repelentes eletrônicos têm baixa eficácia e são contraindicados para crianças alérgicas a algum componente da fórmula. A permetrina é um inseticida que pode ser aplicado em telas, mosquiteiros, conferindo proteção maior que 90%, mas não pode ser aplicado diretamente na pele. É contraindicado para pacientes com alergia respiratória devido ao odor forte. E não deve ser colocado no quarto do bebê pelo risco de intoxicação.

– Roupas de manga comprida diminuem a área de exposição aos mosquitos, que são atraídos por odores, perfumes, suor, etc. Roupas de tecido mais grosso protegem mais. Existem em outros países, como nos Estados Unidos, roupas e mosquiteiros que já vêm tratados com substâncias repelentes.

– Também é importante o tratamento dos animais de estimação com produtos apropriados para que não transmitam pulgas ou carrapatos para os seres humanos.

– Os médicos recomendam o uso de roupas claras, já que cores vivas e brilhantes também atraem os insetos. Medidas simples como essas são importantes para que a estação mais alegre do ano sinônimo de aborrecimentos e complicações.

Leia mais dicas para manter os mosquitos longe do seu filho.

Os tipos de mosquitos

O tão esperado verão chega trazendo muito sol e calor. E como nem tudo é perfeito, há muita chuva e os indesejáveis mosquitos, que aproveitam as altas temperaturas e a água abundante para se proliferar. “O ciclo larval desses insetos ocorre em meio aquático, seja nos rios, no meio da vegetação ou em ambientes artificiais, como na água limpa parada em pratinhos de vasos ou acumuladas em pneus velhos”, explica o biólogo Ademir Martins, pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), vinculado à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro.

Aedes aegypti, o transmissor da dengue

É atualmente a maior preocupação das autoridades sanitárias em todo o país, em especial nas capitais e em toda a região sudeste. O mosquito transmite o vírus causador da dengue, doença infecciosa que tem como sintomas iniciais a febre, o mal estar, dores de cabeça e muscular, cansaço, calafrios, muita dor no corpo e vômitos e, em alguns casos, pode diminuir acentuadamente a pressão sanguínea. É a chamada dengue hemorrágica, que de hemorrágica pouco tem. Essa denominação, aliás, dificulta a sua identificação até mesmo pela pessoa doente, que fica esperando por hemorragias para procurar ajuda médica. O problema deve ser tratado rapidamente porque pode matar.

Outro vírus transmitido pelo Aedes é o da chamada febre amarela urbana, para a qual felizmente existe vacina. Do mesmo modo que o tipo silvestre, a doença tem como sintomas a febre, que pode ser baixa ou moderada, dores de cabeça e muscular que, na maioria dos casos, desaparecem em poucos dias. Em outros casos, porém, a melhora é seguida por uma fase de intoxicação, com febre alta, náuseas, vômitos, prostração, desidratação, dor abdominal, sangramentos e icterícia – que deixa a pessoa amarela devido à insuficiência hepática –, complicações essas que podem levar à falência renal e circulatória, colocando em risco a vida do doente.

Escuro e com marcações brancas nas pernas e no corpo, o Aedes prefere se reproduzir em água limpa e parada. Ataca em plena luz do dia, em especial no início da manhã e no fim da tarde, alimentando-se de sangue, geralmente das partes mais baixas do corpo, como pés e canelas. Mas isso não significa que ele deixe de picar à noite. Pelo contrário. Se uma pessoa estiver ao seu alcance, o oportunista pica mesmo se estiver escuro. Discreto, raramente é notado quando suga o sangue e, muito arisco, foge a qualquer movimento mais brusco da sua vítima.

Culex quinquefaciatus, o pernilongo

Aquele chato pernilongo doméstico, marrom, que incomoda o sono de todos com o seu zunido. E tal como o Aedes, se alimenta de sangue, passando a noite picando quem estiver com as partes do corpo expostas. Esse problema é mais comum em áreas urbanas, onde o saneamento básico tem sérias deficiências. É em águas sujas, preferencialmente ricas em material orgânico, que suas fêmeas depositam seus ovos. A atividade desse mosquito começa no entardecer e avança pela noite e madrugada, com seu pico por volta da meia-noite. Quando muito expostos às picadas, crianças e idosos são mais suscetíveis a processos alérgicos que provocam feridas na pele ou dermatites. Além desses incômodos, em algumas regiões do país o Culex ainda transmite vermes que se alojam nos vasos linfáticos, causando a filariose, mais conhecida como elefantíase. Na fase crônica da doença há inchaço e aumento excessivo dos membros inferiores. O mosquito pode transmitir ainda arboviroses, doenças que circulam entre roedores e macacos e que podem contaminar os humanos. Essa transmissão está se tornando cada vez mais comum com o crescimento do turismo ecológico, em regiões de matas, e as pessoas contaminadas carregam a doença para os centros urbanos. O Culexe o Aedes convivem em perfeita harmonia dentro das casas e costumam compartilhar os mesmos abrigos, como debaixo das mesas, detrás de móveis, entre cortinas e em nichos de estantes, por exemplo.

Borrachudo

Segundo Ademir, outro mosquito que não pode ser esquecido é o borrachudo (Similium sp.). O inseto, que lembra uma mosca, mas em tamanho bem reduzido, vive nas regiões de mata, onde há córregos e rios de água limpa e transparente nos quais preferem se reproduzir. Como se alimentam de sangue, não perdem a chance de picar os humanos. Uma picada muito doída, por sinal.

Anopheles, o mosquito que transmite a malária

Por incrível que pareça, ainda é grande a incidência da malária em regiões de floresta. A doença geralmente febril, com evolução aguda, é causada por um protozoário do gêneroPlasmodium, transmitido pela picada da fêmea do mosquito Anopheles, que foi infectada ao picar uma pessoa contaminada. Mas como há circulação dos mosquitos transmissores nas regiões sul e sudeste, foram registrados casos em Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Os sintomas, que surgem geralmente entre 9 e 40 dias depois da picada, são febre, mal estar, dores de cabeça e muscular, cansaço e calafrios. Segundo o Centro de Informações em Saúde para Viajantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a infecção pelo Plasmodium pode prejudicar os rins, pulmões e o cérebro, podendo levar ao coma e morte. Grávidas e crianças têm maior risco de desenvolver formas graves da doença.

Barbeiro

Outro problema que parecia resolvido é a doença de Chagas, ainda comum em localidades do interior do país. É causada por um protozoário chamado Trypanosoma cruzi, transmitido pelas fezes de um percevejo conhecido como barbeiro. A transmissão ocorre quando, ao ser picada, a pessoa coça o local, abrindo caminho para a passagem das fezes contaminadas pelo protozoário para a corrente sanguínea. Mas pode também ocorrer por transfusão de sangue contaminado e durante a gravidez, da mãe para filho pela placenta. Quando cai na circulação sanguínea, o Trypanosoma cruzi afeta os gânglios, o fígado e o baço. Depois se aloja no coração, intestino e esôfago. Nas fases crônicas pode destruir a musculatura desses três órgãos, causando o aumento irreversível do seu tamanho e complicações permanentes.

Conforme lembra o biólogo Ademir Martins, do IOC/Fiocruz, recentemente foram registrados casos da infecção por Chagas em grandes cidades das regiões sul e sudeste, em pessoas que tomaram caldo-de-cana ou comeram açaí contaminados. “Muitos barbeiros vivem na palmeira do Açaí”, diz. Febre, mal-estar, inflamação e dor nos gânglios, vermelhidão e inchaço nos olhos são os principais sintomas. Em geral, a febre desaparece em alguns dias e a pessoa nem desconfia que o parasita possa estar alojado. Ao contrário do que se pensa, o inseto não vive apenas nas frestas das casas de pau-a-pique, mas também em ninhos de pássaros, tocas de animais, casca de troncos de árvores e embaixo de pedras.