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Mais apoio para a amamentação, mais saúde para as crianças

Arquivo 30/07/2008

Dira Paes é a madrinha da campanha que a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o Ministério da Saúde (MS) lançam durante a 17 ª Semana Mundial da Amamentação, de 1 a 7 de agosto. A atriz posou com o filho Inácio, aos dois meses, e a mãe, dona Flor, para o cartaz que será distribuído a postos de saúde, hospitais, escolas e instituições em geral e chama a atenção para o tema desse ano, com a frase: “Nada mais natural que amamentar. Nada mais importante que apoiar”. A SBP também produziu um filme e um spot para a divulgação na televisão e no rádio. O ato inaugural será realizado no dia 01 de agosto, às 15h30m, na Fiocruz (Manguinhos), no Rio de Janeiro, com a presença do Presidente Lula.

Segundo a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS) divulgada em julho de 2008 pelo Ministério, a duração média da alimentação exclusiva com leite materno subiu, em dez anos, de um mês (PNDS/1996), para 2,2 meses (PNDS/2006). Ainda está longe dos seis meses recomendados, mas “é um avanço importante, uma vez que para a mudança de hábitos culturais são necessários longos períodos de tempo”, comenta a dra. Graciete Vieira, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP. De acordo com a pediatra, “é importante desencorajar, principalmente nessa fase, o uso de chás na alimentação das crianças amamentadas, uma vez que reflete negativamente na saúde da criança, pela substituição de um alimento com fórmula equilibrada (o leite materno) por outro, menos nutritivo, e também pelo aumento das chances de diarréias (pelo risco de contaminação). A água também não é necessária até os seis meses do bebê”.

A recomendação da SBP, do MS e da OMS é que as crianças sejam amamentadas até os dois anos ou mais, sendo nos primeiros seis meses alimentadas somente com o leite materno (e a partir daí recebam também outros alimentos saudáveis). O objetivo da Semana, esse ano, é lembrar a necessidade do apoio de todos – sobretudo da família, mas também de amigos, profissionais da saúde, educadores, meios de comunicação, empresas e governos –, para que a mulher tenha tranqüilidade, segurança e informação, e possa alimentar o filho com seu leite e seu afeto.

A SBP assinala também a importância do apoio dos empregadores e do Estado: “acreditamos que a ampliação da licença-maternidade para seis meses é fundamental para combater o desmame precoce”, salienta o dr. Dioclécio Campos Jr., presidente da Sociedade e autor da proposta, endossada pela OAB Nacional e que ganhou autoria parlamentar da senadora Patrícia Saboya. Já aprovado por unanimidade pelo Senado em outubro no ano passado, o projeto de lei propõe mais dois meses de licença-maternidade nas empresas privadas, em caráter facultativo e em troca de ressarcimento integral (dos dois meses a mais, além dos quatro já estabelecidos pela Constituição) em impostos federais. Também autoriza a administração pública federal a conceder a licença de seis meses para suas servidoras.

O PL 2513/2007 tramita agora em regime de prioridade na Câmara Federal, onde deverá ser apreciado em setembro pela Comissão de Finanças e Tributação, seguindo para a Comissão de Justiça e Cidadania, antes de ser submetido à sanção presidencial. Inspirados na proposta, 10 estados e quase cem municípios já se anteciparam e concedem a licença ampliada para suas servidoras. Muitos também ampliaram a licença-paternidade de 5 para 15 dias. Várias empresas também aderiram e aumentaram a licença de suas funcionárias para seis meses, mesmo antes dos benefícios da nova lei.

Dira Paes e o apoio da família

2008 marca a 10ª campanha da madrinha da SMAM

Dira Paes tem tido apoio do marido, Pablo Baião, do sogro, Paulo – que é especialista em ultra-sonografia e acompanhou toda a gravidez – da sogra, Eunice, de toda a família. “Os pais do Pablo têm colaborado também com as compras da casa, providenciando o que preciso para estar tranqüila com Inácio. Acho que apoio é você precisar e ter alguém por perto. E nada melhor do que também quem te criou”, diz, assinalando que sua mãe, dona Flor, veio de Belém, do Pará, para ajudá-la no Rio de Janeiro, onde mora e ainda aceitou participar da campanha. “Amamentei meus sete filhos. Dira mamou mais de um ano e Inácio é meu 11º neto”, comenta dona Flor. Dira também faz questão de destacar o carinho do pediatra e das enfermeiras da casa de saúde: “A gente sempre é marinheiro de primeira viagem”, frisa. De licença-maternidade, a atriz está dedicada ao filho e só deve voltar à televisão em setembro ou outubro.

A campanha da madrinha da Semana Mundial da Amamentação no Brasil esse ano comemora 10 anos. É uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Pediatria, realizada hoje em parceria com o Ministério da Saúde. Já foram madrinhas: Luiza Brunet (1999), Glória Pires (2000), Isabel Fillardis (2001), Claudia Rodrigues (2002), Luiza Thomé (2003), Maria Paula (2004), Maria Paula e Vera Viel (2005), Cássia Kiss (2006). Em 2007, a campanha inovou ao contar com Thiago Lacerda como padrinho, ao lado de Vanessa Lóes. Em 2008, pela primeira vez, o apoio da família é simbolizado com a presença de uma avó, dona Flor. A Semana Mundial da Amamentação ocorre em mais de 120 países. A seguir, a entrevista com Dira Paes.

Dira, como foi o começo da amamentação do Inácio?
Meu filho nasceu com dois quilos e mamou, como os médicos falam, com a “pega” perfeita. Sugou o peito maravilhosamente bem.

Você sabia que ia amamentar?
Quando tive o Inácio, fui para o quarto, dormi e pela manhã, quando recebi a visita da minha médica, perguntei: “Será que vou amamentar? Ela respondeu: claro! Apertou meu peito e o colostro espirrou forte. Esse foi um momento muito emocionante. Pensei: tenho leite suficiente…senti uma autonomia… a sensação é que tudo vai dar certo a partir deste momento.

Parece que todo mundo tem esse medo, de não conseguir amamentar…
A gente tem ansiedade, uma expectativa muito grande de que tudo saia do jeito que se planejou. Ter o alimento do seu filho em você dá um grande alívio, tive o sentimento de que ele estaria bem em qualquer lugar que eu estivesse.

Você já tinha experiência com criança?
Acompanhei o nascimento das minhas sobrinhas, filhas das minhas irmãs. Uma delas, a Tainá, nasceu prematura também, como o Inácio. Eu tinha 15 anos e a mãe dela, minha irmã, é médica pneumologista e precisou voltar a trabalhar. Fiquei muito com essa  sobrinha. Eu e uma irmã de 21 anos. Mas eu tinha até mais coragem, dava banho, cuidei muito dela. Foi incrível, aprendi muito. Minha irmã, mesmo trabalhando, retirava o seu leite e nós dávamos para minha sobrinha. E também, como ela trabalhava perto, conseguia ir em casa e amamentar. Depois voltava para seus pacientes.

Tive o instinto maternal aflorado desde o nascimento das minhas sobrinhas. A amamentação é natural do ser humano, instintiva. Além disso, ao longo do tempo, a gente percebe que passou a existir uma consciência sobre a importância da amamentação, dos benefícios, faz bem para o bebê e para a mulher.

Que tipo de apoio você tem tido?
Meu filho nasceu de sete meses e meio, um pouco antes do que a gente tinha previsto, e por isso nos pegou de surpresa. Nenhuma mãe se prepara para ter um filho prematuro. Então pensei, vou reverter esse momento em um aprendizado. Quando o bebê nasce, todos se preocupam com o bebê, mas percebi que é necessário também o cuidado com a mãe. Então, na minha concepção, o apoio é um suporte. Você está conhecendo o bebê. Quando você necessita de ajuda, tem que ter alguém perto. E nada melhor do que ter alguém que te criou. A minha mãe tem essa disposição de ajudar a mim e ao bebê. Tem carinhos que vão ficar e ajudar também quando ela voltar para Belém. Por exemplo, hoje só ela toca na roupa do Inácio.

Na década de 70, os índices de amamentação eram muito baixos. Mas dona Flor amamentou bastante! E é de uma família onde se amamenta muito, tem uma irmã que amamentou 14 filhos!!!Creio que isso confirma o que penso, de que nós, no Pará, temos uma herança mais próxima da cultura indígena. O povo amazônico mantém essa ligação com seus ancestrais. A gente se toca muito, e tem essa relação prazeirosa com o amamentar. Acho que isso confirma a influência indígena da Amazônia.

E o seu marido?
O Pablo teve uma consciência muito boa. Não quis fazer nenhum curso preparatório e, de certa forma, me surpreendeu. Ele é cinegrafista, e me falou que se nunca deixou uma câmera cair, isso não ia acontecer com nosso filho… Tem sido muito bom ver o instinto paterno aflorado. Ele começou meio sem jeito, mas foi pegando…. Acho, sinceramente, que um bebê foi criado para ser cuidado por pelo menos duas pessoas. Meu sogro também teve um papel muito importante.

Por que?
Ele é especialista em ultra-sonografia, muito respeitado. Chama-se Paulo Paião. Várias amigas fizeram os exames com ele. Minha placenta era muito pequena, e ele foi administrando, sem dizer e alarmar todo mundo, de maneira que o Inácio ficasse o maior tempo na minha barriga. Então, devo muito a ele.

Então apoio não está faltando…
Não, de jeito nenhum. Eu preferi não optar por uma babá para poder aproveitar bem esse momento em que não estou trabalhando, para ter um encontro integral com meu filho. Isso é um desafio. Mas fico imaginando a quantidade de mães que não têm a oportunidade de ter uma babá e conseguem criar crianças saudáveis, com amor e carinho. Então pensei – por que eu também não posso? Para mim, até o fato de não estar dormindo direito não está sendo sacrifício, é um aprendizado.

E como está a amamentação agora?
O Inácio tem uma dieta em “livre demanda”, como os médicos falam. Mama na hora que quer, faz o horário dele. Toda vez que ele solicita eu dou o peito. Isso tem acontecido com intervalos de duas ou três horas. Depois do banho ele dorme mais tempo.

Você pretende amamentar até quando?
O máximo de tempo possível. Minha irmã amamentou meu sobrinho até os quatro anos, mas aí era aquela “mamadinha” que ele pedia de vez em quando. Eu não estou me impondo datas.

Você já tinha visto alguma das campanhas de promoção da amamentação?
Tinha. Lembro muito da que foi feita pela Cássia (Kiss), e também da do ano passado, com o Thiago (Lacerda) e a Vanessa (Lóes).

O melhor alimento para o bebê
Dra. Graciete Vieira lembra que o leite materno é “a melhor fonte de nutrientes para a criança, por conter quantidades adequadas de açúcar, gordura e proteínas para o seu crescimento e desenvolvimento. Além disso, apresenta também benefícios imunológicos – as crianças amamentadas adoecem menos e apresentam menor incidência de diarréia, infecção respiratória, infecção urinária, alergias, doenças intestinais inflamatórias – e exerce influências positivas inclusive no desenvolvimento intelectual e emocional, na prevenção da obesidade, hipertensão, diabetes”, assinala.

“A interação plena, proporcionada pelo contato físico e emocional presente na amamentação, e também pelos cuidados dispensados com a criança, promove o vínculo afetivo forte e estável entre a criança, a mãe, o pai e a família como primeiro grupo social. Sedimenta-se, no equilíbrio dessa interação, a base de comportamento humano não agressivo, resistente ao estresse. Estudos demonstram que boa parte da violência social e da criminalidade decorre da privação afetiva nos primeiros tempos da existência”, comenta o dr. Dioclécio.

Segundo ainda a PNDS, 96,4% das mães afirmaram ter amamentado os filhos ao menos uma vez. “Isso já é motivo de comemoração”, ressalta a dra. Rachel Niskier, coordenadora de campanhas da SBP. “Vamos continuar trabalhando para que todas continuem depois amamentando no período recomendado, mas é um bom começo. A amamentação é um direito das crianças, que devem ter garantidas as condições para seu melhor crescimento e desenvolvimento. Significa mais saúde e qualidade de vida para as novas gerações, conforme estabelecido pelas normas internacionais e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

A pediatra Elsa Giugliani, coordenadora da Área Técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do MS, informa que uma fotografia da situação atual do aleitamento materno deverá ficar pronta até o final deste ano. No dia 09 de agosto, quando ocorre a segunda etapa da vacinação contra a paralisia infantil, haverá uma nova consulta às mães, especificamente sobre o tema (a última foi feita em 1999 e apontava que as mães ofereciam o leite materno aos filhos, em média, por dez meses). A nova pesquisa incluirá não apenas as capitais, mas também diversos municípios dos estados. Dra. Elsa anuncia também que, por meio do projeto “Rede Amamenta Brasil”, voltado para a promoção, proteção e apoio ao aleitamento materno nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), ocorrerá, no dia 11 de agosto, em Brasília, o último curso para capacitar profissionais de saúde dos estados e municípios, incumbidos de passar adiante os conhecimentos. Já foram realizados quatro cursos regionais.

Veja o cartaz e o folheto da campanha
Saiu em O Globo