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Mais proteção e sem demora

Arquivo 01/03/2007

A amamentação na primeira hora de vida é o tema da SMAM de 2007, conforme definido pela WABA, a Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno. De 1 a 7 de agosto – data fixada no Brasil desde o ano passado – a Semana chamará a atenção para as vantagens de se iniciar a prática o mais precocemente possível. Dra. Graciete Vieira, que assumiu a presidência do Departamento Científico da SBP, explica: “é importante que o bebê seja colocado no peito ainda na sala de parto, ajudando a descida do leite, a transição da vida intra-uterina para o mundo, o estabelecimento do vínculo afetivo entre a mãe e o bebê. A criança quando nasce é muito vulnerável, depende da mãe para continuar as funções que o ventre desempenhava – proteção, nutrição, calor. Os primeiros minutos, as primeiras horas, são fundamentais para o início de um desenvolvimento saudável. Com a primeira mamada são liberados os hormônios prolactina e occitocina, facilitando a descida do leite”.

Empolgada com o desafio de dar seqüência ao trabalho, dra. Graciete reforça a estratégia de atuação conjunta com os estados, lembrando que a próxima reunião itinerante do Departamento ocorrerá em local a ser definido segundo as propostas das filiadas. “Nossos objetivos são também fazer um vídeo sobre manejo da amamentação dirigido às mães, que poderá ser veiculado nos consultórios; incrementar o espaço do DC no portal da Sociedade, disponibilizando fotos que possam ser usadas pelos pediatras em aulas sobre o tema, e continuar todo o belo trabalho coletivo, que vinha sendo dirigido pela dra. Elsa Giugliani”, assinala.

Maria Clara (foto na capa de Rovena Rosa/Imagens do Povo) nasceu em maio na Pro Matre, no Rio de Janeiro e foi amamentada ainda na sala de parto. Eis o depoimento da sua mãe, a esteticista Francisca Silva da Trindade: “Aprendi Silva da Trindade: “Aprendi sobre a amamentação exclusiva durante o pré-natal que fiz no posto de saúde perto da minha casa, e foi muito bom. Tudo começa com a mãe. O resto vem depois. O primeiro contato é muito importante, para a mãe e para o bebê. Engraçado que a criança já vem mamar, direto, não precisa forçar. Amamentei meu primeiro filho, Alison, hoje com oito anos, até os oito meses. O  bebê que é amamentado recebe carinho, e isso é o mais importante. Mas é também muito prático, não tem que acordar de madrugada para esquentar a comida…já está tudo ali, muito perfeito! Meu atual marido, Plínio, é um paizão e me apóia muito”.

Para a pediatra Vera Lúcia Monteiro, coordenadora do ensino neonatal da Pro Matre – Hospital Escola com Residência em Ginecologia e Obstetrícia e internato –, a amamentação na primeira hora de vida ajuda, por exemplo, quando ocorre o diabetes gestacional. A neonatologista explica que “se a criança recebeu muita glicose dentro do útero, o pâncreas fabrica também muita insulina e ocolostro é bem rico em glicose, favorecendo o equilíbrio”.

Além disso,o leite de peito tem “imunoglobulinas que protegem a mucosa intestinal contra a aderência de bactérias”.

E quando se estabelece a amamentação, “as dejeções se fazem mais rapidamente, diminuindo o risco de icterícia. Por outro lado, a maior digestibilidade do leite materno protege a criança contra o tão famoso Refluxo Gastroesofágico”, diz. Para a mulher, a amamentação em sala de parto “ajuda o útero a voltar ao tamanho normal mais rapidamente, favorecendo a contração e a liberação da placenta. São muitas as vantagens, afirma a dra. Vera, fazendocoro com o dr. José Luis Holanda , chefe de equipe de obstetrícia: “hoje temos a noção exata de que uma criança que é amamentada no seio materno desde que nasce e por um período prolongado tem um desenvolvimento muito melhor, tanto fisicamente como psicologicamente”, conclui.