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Meu filho tem sempre Amigdalite. Ele vai ter Febre Reumática?

Arquivo 14/11/2014

O fato da criança ter amigdalites freqüentes não significa que terá Febre Reumática. A FR é uma complicação da amigdalite causada pelo estreptococo beta-hemolítico do grupo A, uma bactéria responsável apenas por 20% das amigdalites em crianças. Além disso, nem todas a pessoas com amigdalite por estreptococo beta-hemolítico do grupo A estão em risco de evoluírem com Febre Reumática. O problema é que antes de ter o primeiro episódio de FR, ninguém sabe quem está em risco e portanto faz-se necessário o tratamento de toda criança com amigdalite.

Estreptococo beta-hemolítico do grupo A
Criança predisposta

FEBRE REUMÁTICA

 

Portanto, para que ocorra a Febre Reumática, é necessário a associação de três fatores:

* uma infecção de garganta causada pelo estreptococo

* o não tratamento da infecção com o antibiótico adequado e o tempo correto de uso

* uma predisposição genética individual

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A amigdalite estreptocócica pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum entre as crianças escolares (a partir dos cinco anos) e adolescentes. É contagiosa entre as crianças porque elas permanecem em contato muito próximo umas com as outras nas escolas.

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Os sinais e sintomas da amigdalite estreptocócica são além da dor de garganta, febre entre 38 a 40 C, dificuldade para engolir, gânglios do pescoço inchados e doloridos, dor de cabeça, mal-estar, com amígdalas bastante vermelhas e inchadas, com ou sem pontos de pus. Pode ocorrer também náuseas e vômitos.

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Apenas o médico poderá realizar a diferenciação de uma amigdalite estreptocócica e das causadas por vírus ou alergias, através de uma avaliação adequada. Não é recomendada a tentativa de se fazer o diagnóstico em casa ou na farmácia, sem o auxílio do pediatra.

É importante que o médico determine a verdadeira causa da amigdalite. Se a amigdalite estreptocócica não for tratada adequadamente, ela pode em alguns pacientes com predisposição genética ocasionar a FEBRE REUMÁTICA.

A Febre Reumática é uma doença que pode afetar várias partes do corpo como pele, articulações, coração e sistema nervoso. Os danos causados ao coração podem ser graves e permanentes.

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Uma vez instalada a doença, os médicos podem amenizar certos sintomas da Febre Reumática, mas algumas vezes não é possível evitar as cirurgias para correção das lesões nas válvulas do coração produzidas pela doença.

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Apesar dos avanços da medicina, ainda ocorrem milhares de casos novos todos os anos no mundo. Muitos destes casos poderiam ser evitados por meio do diagnóstico e tratamento adequados da amigdalite estreptocócica.

Felizmente,a amigdalite estreptocócica não é difícil de ser diagnosticada e o tratamento não é tão caro. São necessários dez dias de tratamento com antibióticos por via oral para a eliminação da bactéria, mesmo que os sintomas desapareçam após alguns dias e a criança pareça melhor. A dificuldade com a medicação oral é que muitas vezes os pais acham que a criança por estar melhor não precisam mais tomar a medicação até completar os dez dias. O esquecimento de uma das doses também é prejudicial.

Tanto o esquecimento como o tratamento incompleto contribuem para o reaparecimento dos sintomas da infecção ou o que é mais grave, pode levar ao surgimento da Febre Reumática.

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Por esta razão, muitas vezes é recomendado o uso de uma injeção à base de penicilina de ação prolongada e em dose única, assegurando que a infecção será realmente tratada e a bactéria debelada.

Como não podemos saber quem tem predisposição para desenvolver a Febre Reumática, a recomendação é que em qualquer infecção de garganta em crianças e adolescentes, o médico seja consultado para avaliar a necessidade ou não de tratamento com antibióticos.

Erica Naomi Naka

Mestre em Ciências da Saúde pelo convênio Centro-Oeste com a Universidade de Brasília (Unb) e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Responsável pela Unidade de Reumatologia Pediátrica do Departamento de Pediatria e do Serviço de Reumatologia do Hospital Universitário da Faculdade de Medicina da UFMS.
Membro do Departamento Científico de Reumatologia Pediátrica da SBP?2004-6