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Museus para todos os gostos

Arquivo 22/11/2012

Conheça alguns dos acervos mais curiosos do Rio de Janeiro. Entre eles, o equipamento usado até os anos 50 para a extração das amígdalas das crianças, exposto no Museu da Pediatria

por Daniela Pessoa | 20 de Novembro de 2012


Museu das Telecomunicações: telefones antigos e outras curiosidades

Já pensou em passear pelo Museu da Justiça e conhecer o famoso tribunal do júri, onde foram julgados casos como o do assassinato da atriz Daniela Perez e do jornalista Tim Lopes? Ou que tal conhecer, no Museu da Pediatria, a cadeirinha que os médicos usavam até os anos 50 para sentar as crianças e retirar suas amígdalas? No Museu Naval, por sua vez, é possível conhecer canhões resgatados de navios naufragados, minas e torpedos submarinos. Listamos a seguir os acervos mais curiosos da cidade e seus arredores, para quem estiver a fim de fugir da mesmice e se surpreender.

Museu da Polícia Militar. A antiga residência dos comandantes do Batalhão de Choque tem mais de 5 000 objetos e documentos que traçam a evolução da corporação desde sua criação, em 1809. No primeiro andar, confira a coleção rara de cinco armaduras trazidas de Portugal por D. João VI. Na sala das comunicações, veja uma réplica de 1907 do protótipo do serviço 190, uma caixa de socorro. Há ainda minifardas e miniaturas de viaturas. É preciso marcar a visita com antecedência. Rua Marquês do Pombal, 128, Cidade Nova, tel. 2332-6668. Grátis.

Museu das Telecomunicações. Atrações interativas e recursos tecnológicos de última geração fazem parte deste acervo curioso que reúne mais de cem anos de história da comunicação, do pombo correio ao celular, integrando história, ciência e entretenimento. Uma das salas apresenta uma galeria com telefones e orelhões públicos antigos, desde os aparelhos usados no século XX até os atuais smartphones. Há ainda com um exemplar do primeiro modelo de computador vendido no mundo, além de material que torna possível ouvir arquivos sonoros com a voz de personalidades como a escritora Clarice Lispector (1920-1977). Aberta mediante marcação prévia para pesquisa e consulta, a Reserva Técnica abriga mais de 3 000 documentos sobre a telefonia no Rio de Janeiro, 1007 contas telefônicas da Companhia Telefônica Brasileira – CTB, 7978 fotografias, 2899 negativos, 24 negativos em vidro, 789 folhas de contatos, 925 listas telefônicas, 318 revistas Sino Azul, considerada uma das primeiras revistas corporativas no país, e mais. Rua Dois de Dezembro, 63, Flamengo, tel. 3235-5830. Grátis.

Museu Histórico e Diplomático. Sede do Ministério das Relações Exteriores de 1889 a 1970, o Palácio do Itamaraty abriga o museu que expõe mais de mil itens como pinturas, pratarias, móveis e tapeçarias. Além disso, o imóvel construído entre 1851 e 1854 pelo Visconde de Itamaraty exibe salões magníficos, alguns utilizados para ambientar a mansão dos Matarazzo na minissérie Maysa. A Sala dos Índios, decorada com papéis de parede que reproduzem pinturas de Johann-Moritz Rugendas (1802-1858), tem uma mesa de trinta lugares onde o presidente Lula já ofereceu um jantar ao chefe de estado russo, Dmitry Medvedev. Também não pode deixar de ser visitada a Sala Visconde do Rio Branco, que foi ocupada por seu filho, o Barão do Rio Branco, rimeiro ministro das Relações Exteriores do país e patrono da diplomacia brasileira. Lá ficam o imenso painel de Pedro Américo (1843-1905), Alegoria à Abolição e à Proclamação, e um retrato do homenageado feito pelo espanhol Julio Vila y Prades (1873-1930). As visitas são guiadas e duram 45 minutos. Avenida Marechal Floriano, 196, Centro, tel. 2253-7691. Grátis.

Museu da Pediatria. Organizado e mantido pela Sociedade Brasileira de Pediatria, reúne equipamentos, móveis, documentos, fotos e livros que ajudam a contar a história da especialidade no Brasil. Destaque para as campanhas antigas de vacinação, aleitamento, combate à violência contra a criança e o adolesceste e saúde da criança indígena, para a indumentária, os diplomas e as canetas que fizeram parte da história dos médicos pediatras do Brasil e para o painel referente às mulheres pioneiras na profissão. Há ainda uma sala que retrata um consultório médico, com aparelhos utilizados pelo pediatra no dia a dia. Entre eles, uma cadeirinha utilizada até os anos 50 para a retirada das amígdalas. As crianças sentavam nelas, eram sedadas com uma máquina de inalação de éter e posteriormente amarradas para o procedimento. Rua Cosme Velho, 381, Cosme Velho, tel. 2245-3110.

Museu da Cerveja. O Centro de Experiência Cervejeira Bohemia, misto de museu, mini cervejaria e centro de pesquisa em Petrópolis, acaba de conquistar o título de “novidade do ano” no Prêmio O Melhor do Guia Brasil 2013, do Guia Quatro Rodas. A primeira cervejaria do país foi fundada em 1853 em um belo prédio de tijolinhos na cidade imperial e funcionou até 1998, quando foi comprada pela Ambev. Doze anos mais tarde, com um investimento de 65 milhões de reais, parte do espaço foi transformada em museu para contar a história do líquido de ouro. Nos mais de 7 000 metros quadrados das instalações, divididos em mais de 20 salas, os visitantes podem conhecer a história, os rituais e as curiosidades do universo cervejeiro de forma interativa. Rua Alfredo Pachá, 166, Centro Histórico, Petrópolis. Preço: R$ 19,50 (inteira) e R$ 9,50 (meia entrada, válida para estudantes, maiores de 60 anos e moradores de Petrópolis). Grátis para menores de 18 anos. cervejaria@bohemia.com.br


Sala de Alquimia do Museu da Cerveja: umas das mais de 20 salas que apresentam a história do líquido de ouro

Museu Judaico. Escondido em uma sobreloja atrás da Biblioteca Nacional, o espaço está em funcionamento há mais de 30 anos, mantido por associados e por meio da captação de recursos. O destaque é a Coleção Feldman, com 69 peças religiosas, a exemplo do Chanuquiá de Augsburg, candelabro em estilo barroco feito no século XIX na Alemanha, e do Menorá, peça semelhante fabricada na Itália no século XVIII. Merece atenção especial a vitrine com relíquias arqueológicas que pertenceram ao general e político israelense Moshe Dayan (1915-1981). Estão ali pontas de lança de bronze de 1800 a.C., um candelabro de vidro verde do ano 200 e uma lâmpada de terracota do início da Era Cristã. Rua México, 90, 1º andar, Centro, tel. 2524-6451.

Museu de Ciências da Terra. Instalado na Urca em um imponente imóvel de estilo neoclássico, que abrigou o Palácio dos Estados na Exposição Nacional de 1908, este museu é a Disneylândia para quem curte geologia. Antes de chegar ao acervo, não deixe de observar a beleza da construção, com três painéis monumentais de Antônio Parreiras (1860-1937) – Indústria, Agricultura e Comércio -, um par de estátuas francesas e uma escadaria circular inglesa. No Salão dos Minerais, uma mostra permanente exibe cerca de 5 000 rochas, meteoritos e cristais, como o aglomerado de quartzo recolhido em Minas Gerais. Avenida Pasteur, 404, Urca, tel. 2295-0032. Visitas guiadas devem ser agendadas por telefone. Grátis.

Museu Villa-Lobos. Considerado, ainda em vida, o maior compositor das Américas, Heitor Villa-Lobos compôs cerca de mil obras, reformulado o conceito de nacionalismo musical. Foi através dele que a música brasileira chegou a outros países, tornando-se universal. O museu dedicado ao artista funciona no bairro de Botafogo, em um casarão do século XIX tombado pelo IPHAN. São três salas que abrigam a exposição permanente e as temporárias, além de exibições de vídeos, concertos didáticos e pequenos recitais, além da biblioteca aberta ao público. No acervo, mais de 40 000 títulos pertencentes ao arquivo pessoal de Villa-Lobos, bem como aquisições através de compra e doação e ainda recortes de jornais e revistas referentes à vida e obra do compositor, fotos, correspondências, anotações, partituras originais, cartazes de concertos, CDs, LPs e filmes contendo apresentações do grande mestre. Rua Sorocaba, 200, Botafogo, tel. 2226-9818 / 9282 / 6497/ 9020 / 9822. Grátis.

Museu da Polícia Civil. Criado em 1912 junto com a Escola de Polícia, o museu coletou vasto material relacionado à atuação da corporação em diversas áreas como Polícia Técnica, Medicina Legal, Polícia Política e polícia ostensiva uniformizada. No acervo destacam-se objetos apreendidos entre 1939 e 1945, no Estado Novo, como calçados infantis com desenho da cruz suástica, bandeira e flâmulas nazistas, material de propaganda do Partido Comunista e do Movimento Integralista e o mobiliário original do gabinete do Chefe de Polícia, datado de 1910. Há também uma coleção de armas de diversas épocas e objetos relativos a falsificações, jogos proibidos como o do bicho, toxicologia e peças que contam a História da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Rua da Relação, 40, 2º andar, Centro, tel. 2232-0497 e 2252-4726. Grátis.


Museu da Polícia Civil: antiga roleta de Jogo do Bicho apreendida

Museu da Justiça. O prédio de estilo neoclássico construído em 1926 foi a sede do Poder Judiciário do Estado. Esculturas, vitrais e pinturas, como as duas que representam A Justiça Civil e A Justiça Criminal, pintadas por Carlos Oswald, podem ser vistos pelos corredores do antigo Palácio da Justiça. Entre as salas abertas ao público, destaque para o Tribunal do Júri, usada até 2009. Ali foram julgados casos icônicos como os assassinatos da atriz Daniela Perez e do jornalista Tim Lopes. O salão nobre traz uma réplica da sala do presidente do Tribunal de Justiça do RJ na época em que o palácio era sede do poder judiciário. Já na sala do Tribunal Pleno podem ser vistas as cadeiras em que se sentavam os 28 desembargadores do estado. É possível conhecer ainda diferentes modelos de togas usadas pelos magistrados ao longo dos anos, além de documentos, inclusive fotos e manuscritos, que fazem parte da história do poder judiciário no Brasil. É preciso agendar a visita. Rua Dom Manuel, 28, Centro, tel. 3133-3532. Grátis.

Museu do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Fundado em 1848, o espaço abriga coleções de objetos (destaque para o conjunto de broches de campanhas políticas desde 1890), documentos e obras de arte. No salão nobre estão o painel Coroação de Pedro II (1842), obra inacabada de Manuel de Araújo Porto Alegre, e a cadeira de jacarandá com palhinha do século XIX, usada pelo Imperador no instituto. Pinturas do século XVII, bem como mobiliário e louça que pertenceram à família imperial, também podem ser vistos na casa, que expõe ainda um carrinho de mão que o Barão de Mauá mandou fazer para D. Pedro inaugurar as obras da Estrada de Ferro de Petrópolis. É preciso agendar a visita. Avenida Augusto Severo, 8, Glória, tel. 2252-4430. Grátis.

Museu da Maré. É o primeiro museu do país localizado dentro de uma favela, e foi criado pela própria comunidade com o apoio do Ministério da Cultura. Inaugurado no dia 8 de maio de 2006, seu acervo em construção permanente é formado por fotografias, documentos, objetos do cotidiano dos moradores da região e mais. A exposição permanente é dividida em doze “tempos” não-cronológicos que contam a história dos moradores (imigrantes do Nordeste em sua maioria) e episódios da resistência social das comunidades. Avenida Guilherme Maxwel, 26, Bonsucesso (em frente ao SESI), tel. 3868-6748. Grátis.

Museu da Maré: a história da favela através de objetos e arte dos moradores da região

Museu de Limpeza Urbana. Também conhecido como Casa de Banho de D. João VI, o espaço localizado no bairro do Caju ocupa um casarão do início do século XIX de nove cômodos e alpendre, de propriedade do negociante de café Antonio Tavares Guerra. A construção adquiriu certa fama por D. João VI tê-la usado para tomar banhos de mar na região, um balneário limpo naquela época. O museu conta parte da história do Rio – como a cidade se desenvolveu e resolveu seus problemas, dando condições de vida aos habitantes -, promove atividades com visitas guiadas, recreação, seminários, exposições temporárias, apresentações culturais e oficinas de reciclagem. Fazem parte do acervo charretes que serviram para limpeza pública no século passado, bem como um dos primeiros veículos de coleta de lixo da cidade, cartazes antigos sobre educação sanitária para conscientizar a população, vassouras e outros materiais antigos de limpeza pública, os primeiros uniformes dos garis e mais. Praia do Caju, 385, Caju, tel. 3890-6027 / 6021. Grátis.

Museu do Bonde. Oferece aos visitantes mais de 300 peças que mostram a passagem dos bondes pela cidade, onde o veículo já foi o principal meio de transporte. Campainhas e relógios originais, balaústres, réplicas dos bondes em miniatura, trilhos, maquetes e uniformes dos motorneiros e condutores são alguns dos itens expostos. Há também um grande acervo iconográfico mostrando a história da viação férrea, desde quando os carros eram puxados pelos burros, e ainda fotos do Rio antigo. Rua Carlos Brant, 14, Santa Teresa, tel. 2222-1003, 2242-2354 e 2232-6616.

Museu da Cadeira. O Espaço Cultural Maurice Valansi ocupa um charmoso casarão tombado de dois andares em Botafogo. O imóvel foi inteiramente reformado e recuperado pelo filho do empresário francês Maurice Valansi, que chegou ao Brasil nos anos 50 e construiu inúmeras salas de cinema, como os cines Paissandu, Coral e Scala. O arquiteto e colecionador Richard Valansi instalou no local uma de suas paixões, o Museu da Cadeira. São cerca de 200 peças de diferentes modelos (algumas extravagantes) assinadas por importantes designers brasileiros e estrangeiros como Sérgio Rodrigues, Ricardo Fasanello, José Zanine Caldas e Le Corbusier. O acervo foi adquirido pelo próprio Richard em suas andanças por feiras, leilões e brechós no país e no exterior. Rua Martins Ferreira, 48, Botafogo, tel. 2527-4044 / 4211. Grátis. Fechado momentaneamente para reformas.

Museu Naval. Montado em um casarão centenário perto da Praça XV, o térreo é reservado à mostra fixa O Poder Naval na Formação do Brasil, que exibe em sete salas maquetes de caravelas, naus e galeões do século XVI, além de reproduções cenográficas do porão das embarcações. Fazem parte do acervo, ainda, canhões resgatados de navios naufragados, figuras de proa, medalhas, entre outros objetos. No Pátio d’Armas, destacam-se o móbile Aves dos Mares do Brasil, com 52 pássaros de 12 espécies que sobrevoam as águas do país, a mina utilizada na II Guerra Mundial e o torpedo B-57, de 1894. Rua Dom Manuel, 15, Centro, tel. 2233-9165 e 2104-6851. Grátis.

Museu da Favela. O objetivo é contar a história e a saga das três favelas que compõem o território, Pavão, Pavãozinho e Cantagalo, desde os escravos que se refugiavam no Maciço do Cantagalo e as primeiras construções de barracos nos idos de 1907 até os dias de hoje, após a instalação da unidade pacificadora na região. A principal atração, fora a belíssima vista, é a galeria de arte a céu aberto, formada pelo circuito de casas-telas. Trata-se de um interessante conjunto de obras que retratam as memórias e a cultura local, executadas por uma equipe de vários artistas da região. São dois totens (portais), 20 grafites pintados nas paredes das casas e diversas placas-esculturas. As visitas são acompanhadas por mediadores locais treinados pela ONG Museu da Favela e duram em média três horas. Incluem passeio pelas obras de arte, visita à Base Operacional 1 do museu, onde o visitante assiste a uma apresentação dos modos de trabalho, das estratégias e desafios deste museu territorial, à lojinha da REDEMUF e acesso à vista panorâmica da laje cultural do museu. Elevador Cantagalo, estação de metrô General Osório (ponto de encontro), tel. 2267-6374. Preço: R$ 60,00 (brasileiros e visitantes do Mercosul) e R$ 100,00.