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Não existe bronzeamento seguro

Arquivo 01/02/2008

“Calcula-se que aqueles que têm queimaduras solares com bolhas na infância, quando adultos, terão três vezes mais chances de desenvolver um câncer de pele. É muito importante educar a criança para os riscos que o sol pode causar, explicando sobre a necessidade de utilização de protetores solares. Não existe bronzeamento totalmente seguro. Os adultos costumam ter o conceito errado de que o bronzeamento é sinal de saúde”. As afirmativas são do dr. Rubens Marcelo Souza Leite, presidente do Departamento de Dermatologia da SBP, que alerta também para o aumento da freqüência das alergias. “Isto se deve provavelmente às mudanças culturais, ao fato de crianças terem menos contato com a natureza. É preciso incentivar hábitos importantes como o aleitamento materno até os seis meses, a escolha de alimentos mais naturais e a vida ao ar livre”, diz.

A partir de que idade os bebês podem tomar sol?

Dos seis meses de idade.

Quando podem começar a usar protetor solar e qual o ideal?

Também a partir dos seis meses podem usar o protetor. Os produtos ideais devem ter filtro com fator de proteção acima de 15, para qualquer idade. Contudo, aconselho que o produto esteja obrigatoriamente registrado para uso infantil e, nesse caso, terá filtro maior que 30. Somente filtros solares infantis são adequados à pele da criança. A ANVISA é bastante criteriosa em relação a esses produtos, que são de boa qualidade no Brasil.

Qual horário ideal para a criança brincar na praia, piscina ou parque?

Além de usar proteção solar, devemos evitar os horários de pico de sol que vão de 11 às 16 horas. É muito importante que a criança beba muito líquido.

Quais os riscos da exposição solar incorreta em crianças menores de um ano?

Os riscos são de queimaduras, desidratação. Há também maior chance do desenvolvimento de câncer de pele na idade adulta. Calcula-se que aqueles que têm queimaduras solares com bolhas na infância, quando adultos, terão três vezes mais chances de desenvolver um câncer de pele. É muito importante educar a criança para os riscos que o sol pode causar, explicando sobre a necessidade de utilização de protetores solares. Não existe bronzeamento totalmente seguro. Os adultos costumam ter o conceito errado de que o bronzeamento é sinal de saúde. Existem filtros solares em estudo que mudam de cor indicando o momento de reaplicar o produto.

Mas tomar sol é importante para a saúde. Quando passa a fazer mal?

Sem dúvida, o sol é importante para a saúde. Sabemos também que o sol começa a danificar a pele sem proteção a partir de 15 a 20 minutos de exposiçãoUma exposição solar, com bom senso, de até 15 minutos por dia, em média, seria o tempo máximo aconselhável sem proteção.

E precisamos de mais tempo para a produção de vitamina D?

Com 15 minutos de exposição semanal já recebemos a ultravioleta suficiente para a produção de vitamina D. Portanto, não há necessidade de períodos maiores que este para que seja produzido cálcio no organismo. Contudo, isto não implica em proibição da exposição solar diária. O papel do sol na vida da criança vai além da produção de vitamina D para os ossos. Assim, 15 minutos diários sem proteção ou mais de 15 minutos com proteção adequada podem ser admitidos.

E com relação ao bronzeamento?

O bronzeamento é desaconselhável, pois somente ocorre após o estímulo das células que produzem pigmento na pele, os melanócitos. Diversos estudos demonstram que quando existe este mecanismo de defesa, a pele já sofreu dano causado pela radiação ultravioleta. Ou seja, da mesma forma que não existe cigarro seguro para os pulmões, não existe bronzeamento totalmente seguro.

Como deve ser feita a higiene / banho após uma ida à praia ou ao parquinho de areia?

O banho deve ser com água corrente, sabonete e xampu infantis e aplicação de hidratante (também infantil) logo após a criança estar enxuta.

Irritações da pele no Verão

Quais as principais irritações de pele que podem ocorrer com bebês de até um ano de idade durante o verão?

São as brotoejas por causa do suor excessivo, queimaduras solares, dermatites ou assaduras, reações a picadas de inseto, infecções por fungos ou bactérias. Também ocorrem infestações cutâneas geradas por bichos geográficos, larva e bicho do pé. Além disso, aumentam as alterações nas peles secas, devido à ação do sol e da água de piscinas. São as manchas brancas e secas chamadas de “pitiríase alba”. Alergias de pele podem ainda ser exacerbadas.

Como prevenir essas manifestações?

Usando roupas leves, protegendo-se do sol com bonés, chapéus e protetores solares adequados para crianças, evitando excesso de roupas que possam aumentar o suor, protegendo os pés com calçados; usando cortinados, telas e roupas mais compridas no final do dia, repelentes de uso infantil somente nas áreas descobertas, seguindo as especificações do fabricante e as orientações do pediatra e hidratando a pele sempre após o banho.

Quais são as maiores reclamações de mães nos consultórios pediátricos?

A dermatite atópica, que é um processo caracterizado por  “carocinhos” ou manchas avermelhadas e com coceira, e ocorre principalmente em região de dobra, associada a uma tendência alérgica;  as assaduras; as viroses cutâneas comuns da infância, que são as verrugas e os moluscos e também as assaduras de fralda.

Quais os estudos ou pesquisas científicas recentes a respeito desse assunto?

O fato mais importante é aquele vinculado às doenças cutâneas na infância que têm mudado o seu perfil. Estudos epidemiológicos têm mostrado que as alergias  têm aumentado sua freqüência. Isto se deve provavelmente a fatores culturais, como a mudança de hábitos de saúde, o fato de crianças terem menos contato com a natureza e com  o ar livre. Por outro lado, exceto em regiões mais pobres, as doenças infecciosas têm diminuído a sua prevalência. Além disto, hábitos culturais em voga, como o uso de produtos cosméticos por crianças, têm feito aumentar o número de pacientes com alergias. Desta forma, pesquisas recentes demonstram que as alergias têm crescido e que é importante incentivar alguns hábitos antigos, lembrando da necessidade do aleitamento materno somente ao peito até os seis meses, da escolha de alimentos mais naturais, da vida ao ar livre, e de possibilitar que se viva mais a infância “como criança”.