COVID-19 e Adolescência: como apoiar seres em formação no enfrentamento de uma nova realidade PARTE I

Departamento Científico de Adolescência

  • Sim. Apesar de se reconhecer o isolamento como estratégia fundamental para que se possa controlar o surto do coronavírus, é evidente que este distanciamento exige uma maior atenção nas questões relacionadas à saúde mental dos adolescentes. Com o fechamento das escolas e eventos cancelados, adolescentes perdem a oportunidade de participar de encontros presenciais, conversar e interagir com amigos, praticar esportes coletivos, assistir às aulas, entre outras atividades fundamentais para o seu desenvolvimento e bem-estar. 

  • Caso o adolescente  apresente mudanças comportamentais como  apatia, agitação, dificuldade para dormir, tensão muscular, alteração do hábito alimentar (comendo muito, beliscando alimentos pouco nutritivos durante o dia e a noite) ou se está se isolando em seu quarto por horas a fio, entediado e decepcionado por causa das mudanças trazidas pela pandemia do coronavírus, é preciso ficar atento.

    A disponibilidade de ouvir com atenção suas angústias e necessidades são de extrema importância. Lembrar que fica muito difícil para um adolescente “ficar em casa”, pois adora se reunir em grupos de amigos e se sentir livre.   Para ele, o futuro é distante demais; então, essa incerteza do fim da pandemia, da volta à vida cotidiana, se transforma em sofrimento. A família precisa oferecer-lhe atenção especial, para que seu sofrimento seja abrandado e transformado em bons momentos. O lar deve se transformar em local de aconchego e leveza, onde não se sinta isolado e sem liberdade.

  • Sim, a ansiedade é esperada. Um pouco de preocupação e nervosismo são completamente esperados, assim como sentir falta dos amigos, da turma, do(a) namorado(a), da rotina e até da escola.

    Entretanto, caso esteja ocasionando preocupação exagerada, impedindo o adolescente de fazer atividades  rotineiras ou de dormir, vale pensar o que está contribuindo para tudo isso. A exposição a informações e notícias o tempo inteiro,  o excesso no uso da tecnologia ou o sentimento de incapacidade perante a pandemia, podem ser os desencadeantes desses sintomas de ansiedade.

    Vale lembrar que as vezes, a ansiedade pode se manifestar de  formas diferentes, como frustração, cansaço, raiva, excessos na alimentação ou falta de vontade de se cuidar.

  • Se a preocupação é com os sintomas, é importante falar com a família sobre isso. Contar os sintomas a alguém da família ou a pessoas responsáveis de confiança, se não estiver se sentindo bem ou se estiver preocupado em demasiado com o vírus, para conseguir auxílio.É importante ressaltar que que muitos dos sintomas da Covid-19, são leves e podem ser tratados.

    Embora, a ansiedade em torno da Covid-19, seja totalmente compreensível, é fundamental. considerar fontes confiáveis (como os sites do UNICEF, da Sociedade Brasileira de Pediatria) para obter dicas e verificar qualquer informação que possa estar recebendo por canais com menos credibilidade.

    Para escapar desse clima que vai tomando conta do indivíduo, pensar em formas  criativas que cada um tem e reforçar a ideia de que todos vão conseguir passar por isso.   É a capacidade de ficar em casa que vai ser a proteção individual e das pessoas com quem se  convive e até vai contribuir para toda a sociedade controlar a pandemia do coronavírus.

    E lembrar-se sempre: de lavar as mãos com frequência, não tocar o rosto, utilizar máscaras faciais quando extremamente necessário se ausentar de casa, mesmo que por alguns minutos, higienizar as mãos com álcool em gel e nos distanciar socialmente".

  • Em tempos de isolamento social, uma boa dica é aprender o que fazer com o tempo e o humor, tentando organizar uma rotina. Em alguns dias estará mais tranquilo e com vontade de fazer coisas, e em outros dias, não. Respeite isso, mas não paralise. Fazer planejamentos diários ou semanais, e manter o estudo em dia, e fazer as tarefas que precisa, são formas saudáveis de criar distrações. Sempre ter foco, imaginando que em algum momento essa situação se abrandará e que voltará às atividades que desenvolvia anteriormente.

    Preencher de forma saudável o tempo, é incluir na rotina algum tipo de exercício físico, que além de ajudar o seu corpo, vai gerar bem-estar para sua mente. Sugestão, ao acordar, organize o tempo, tire o pijama, coloque uma roupa confortável, se arrume, tome banho, coma, abra as janelas e se prepare para mais um dia. Colabore com a arrumação do local de estudo, com as tarefas domésticas e não esqueça do autocuidado. Lembre que também é necessário ter uma rotina de sono, tente se programar para dormir as horas necessárias à sua fase de vida.

  • Fazer trabalho da escola, assistir a um filme ou ler um livro que seja de seu interesse como formas de buscar alívio e encontrar equilíbrio no dia a dia, auxiliar nas tarefas domésticas, inventar ou reinventar brincadeiras com os irmãos e família, desenvolver o potencial criativo como desenhos, pinturas, recortes, danças, poesias, música instrumental, cantar (soltar a voz).

  • Se deseja passar um tempo com amigas e amigos, enquanto pratica o distanciamento social, a mídia social é uma ótima maneira de se conectar. Seja criativo(a): participe de um desafio do Tik-Tok como o #safehands. Com certeza encontrará maneiras de se conectar uns com os outros online de diferentes formas.

    Não é uma boa ideia ter acesso irrestrito a tevês, jogos eletrônicos e mídias sociais. Isso não é saudável, não é inteligente, pode aumentar sua ansiedade, portanto recomenda-se que você estabeleça um horário para isso, negociando com as pessoas em casa.

    Manter a interação e a sociabilidade de forma remota, ajuda na conexão com as pessoas e a manter os laços de antes, mas de um jeito diferente. Veja com os amigos quais são as melhores formas de se falarem e estarem juntos e criem jeitos novos e diferentes de conversar.

    Se alguém do grupo estiver mais quieto, aproveite e ofereça apoio e um bom ouvido se a pessoa precisar desabafar. Checar a saúde mental de tempos em tempos pode ajudar a dar o apoio para o amigo que mais precisa naquele momento.

  • Passar o dia todo na internet, na televisão, ou nos dispositivos pessoais de forma despropositada, não é bom. Não seja simplesmente um receptor de informação. Dê sentido ao uso da tecnologia, explore mídias que não costumava usar, como gravar uma mensagem em vídeo para amigos e familiares que também estão em isolamento. Quem sabe aprender a editar! Existem muitos recursos na própria internet que auxiliam a usar a tecnologia a seu favor.

    Tudo isso sem esquecer da segurança na internet. Importante manter cuidado com os conteúdos trocados, com as informações pessoais que compartilha, com os conteúdos acessados, lembre-se de proteger sua privacidade.

  • Perder eventos, encontros e jogos presenciais é difícil, decepcionante e nunca imaginado anteriormente. A melhor maneira de lidar com essa decepção é permitir-se, senti-la e vivenciá-la. Se dê o direito de ficar triste!

    Nesses momentos surgem novas formas de se conhecer e vivenciar as situações limite. Tudo é novo e é necessário se adaptar a isso. Conhecer e deixar fluir os sentimentos é a melhor forma de lidar. O desenvolvimento da resiliência é algo que pode ser muito novo para os adolescentes, portanto paciência consigo mesmo e com os outros. 

  • Alguns adolescentes estão enfrentando bullying e provocações na escola devido ao coronavírus. Não se deve esperar que crianças e adolescentes atingidos enfrentem os agressores, pelo contrário, deve-se incentivá-los a procurar ajuda ou apoio de amigos ou adulto cuidador. "A ativação de uma rede de proteção é a melhor maneira de lidar com qualquer tipo de bullying".

    Caso testemunhe um amigo sofrendo bullying, entre em contato com ele e tente oferecer apoio. Não fazer nada pode deixar a pessoa sentindo que todos estão contra ela ou que ninguém se importa. Lembre-se: agora, mais do que nunca, é necessário refletir sobre o que se compartilha, ou se diz, e o que pode prejudicar os outros. As palavras podem fazer a diferença!

  • Poderá escolher o que compartilhar com os amigos, como pode ajudar os que estão próximos, de forma online (conectando com pessoas, fazendo campanhas, e o que mais sua imaginação permitir) ou, presencialmente (fazendo compras para pessoas do grupo de risco, contando histórias, cantando canções, e pensando no que pode contribuir para que a convivência familiar seja mais fácil.

    Hoje, o contexto é desafiador e muito diferente para todos, em especial para os adolescentes e jovens. Pensar e refletir, sobre o que pode, e como pode passar por tudo isso, da melhor forma possível, pois essa experiência, vivência, e atitudes, ficará marcada em todos, então faça a sua parte!