Dúvidas sobre suicídio na infância e adolescência - parte 2

Departamento Científico de Adolescência

  • O ideal é chamar o adolescente para uma conversa privada e colocar-se a disposição para escutar. Oferecer a oportunidade dele se manifestar e perguntar o que está acontecendo. Procure ouvir com atenção e jamais trate as aflições dele como “frescura”. Depois de ouvir, procure conduzir o diálogo mostrando alternativas claras de saída. Evite frases vagas que não ajudam, como “vai ficar tudo bem” e prefira dizer frases que ajudam, como eu já passei por situação parecida e posso te entender”.

    O fundamental é não ignorar os sinais e se mostrar disponível. Indique e vá com ele aos órgãos e profissionais capacitados a ajudar pessoas com intenções suicidas (veja no final do texto).

  • Se um filho está, pelo menos, há duas semanas com conduta ou manifestações verbais referentes à suicídio, fique de olho! Essas manifestações não devem ser interpretadas como ameaças nem como chantagens emocionais, mas sim como avisos de alerta para um risco real. Além disso, é comum vê-los remoendo pensamentos de forma obsessiva, sem conseguirem parar de fazê-lo. Entre as pessoas que se matam, há uma forte presença de um sofrimento profundo. E, tente ouvi-lo, conversar em um tom acolhedor e suave e procure uma ajuda profissional. O acompanhe e mostre o quanto você está ao lado dele. 

  • Mudanças de humor ocorrem com todos durante o dia e isso é natural. Em alguns momentos, pode se sentir ótimo e vem uma notícia ruim ou um feedback negativo e a partir daí há mudança de humor, se fica triste ou, ainda, se acha que foi injusto, ou fica com raiva.

    Porém algumas pessoas sofrem alterações de humor extremas. Pessoas que têm transtorno bipolar ou transtorno borderline apresentam sentimentos extremos e podem agir de forma impulsiva. Elas podem se sentir com um enorme vazio e tristeza, pode ocorrer um forte sentimento de raiva ou vingança, irritabilidade exagerada, intenso sentimento de culpa ou vergonha, como também, sentem-se sozinhas, mesmo estando ao lado de outras pessoas. Fique atento a essas mudanças repentinas e exageradas, desproporcionais a realidade vivida pelo jovem. Se acredita que seu filho corre risco imediato não deixe de procurar ajuda.

  • As pessoas sob risco de suicídio costumam falar sobre morte e suicídio mais do que o comum, confessam se sentir sem esperanças, culpadas, com falta de autoestima e têm visão negativa de sua vida e futuro. Essas ideias podem estar expressas de forma escrita, verbal ou por meio de desenhos. Não há uma “receita” para detectar seguramente uma crise suicida em uma pessoa próxima, mas a ajuda é fundamental!

  • A dor é tão profunda e o sofrimento tão sufocador que parece que não há outra saída. Em um ato de desespero e pedido de ajuda, a pessoa que está pensando em tirar a sua própria vida grita por socorro de formas diversas. Preste atenção quando ouvir alguém falar assim: “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu queria poder dormir e nunca mais acordar”, “é inútil tentar fazer algo para mudar, “eu só quero me matar, não aguento mais”, quero sumir, “quero morrer”, “minha vida não vale a pena, não aguento essa dor”, você vai sentir a minha falta quando eu for”, vocês vão ficar melhores sem mim”, “era melhor não ter nascido”, ela pode estar querendo te dizer algo e estar se sentindo limitada.

    Fique atento para comentários do tipo descrito, esse tipo de fala passa desapercebido por membros da família e amigos.

  • Os pais: ao identificar um filho ou aluno com sinais de comportamento suicida, encontre um momento apropriado e um lugar calmo para falar sobre suicídio. Faça perceber que está ali para ouvir e ofereça seu apoio. Se está em perigo imediato, não deixe sozinho. Assegure-se de que não tenha acesso a meios para provocar a própria morte (por exemplo, pesticidas, armas de fogo ou medicamentos) em casa. Se não sabe o que fazer, é preciso acolher e dizer que vai procurar o que fazer, mas nunca deixar sem amparo. Procure ajuda de profissionais de serviços de saúde e de emergência.

    A escola: fechados em círculos sociais cada vez menores, a escola é o pouco que sobra. Com famílias cada vez menores e falta de outros círculos sociais com vínculo   fortes, a solidão dos adolescentes só se rompe na escola. O peso da instituição escolar ficou muito maior na vida dos adolescentes, uma vez que a convivência de pais, irmãos e primos, o brincar nas ruas e os vizinhos estão se deteriorando. A atenção do professor e a identificação de sinais de alerta, são de grande importância neste ambiente, desafiando um papel central na vida dos estudantes. A formação de uma comissão de saúde mental na escola, composta de pais, professores, gestores e estudantes, capaz de debater procedimentos e buscar informações mais adequadas também é necessário. A escola passa a ser o elo de uma extensa rede de proteção aos jovens, que deve envolver famílias, sistema público de saúde e muita informação.

     Se for você que precisa:

    É muito importante conversar com alguém que você confie. Não hesite em pedir ajuda! Você pode precisar de alguém que te acompanhe e te auxilie a entrar em contato com os serviços de suporte. Lembre-se que quando pede ajuda, você tem o direito de ser respeitado e levado a sério, ter o seu sofrimento levado em consideração, falar em privacidade com as pessoas sobre você mesmo e sua situação, ser escutado e ser encorajado a se recuperar.

  • A posvenção é o conjunto de medidas que se deve tomar após a ocorrência de um suicídio na escola, como a assistência à família e aos professores do aluno e à atenção aos colegas mais próximos, especialmente aos que apresentam algum sintoma depressivo.

    A posvenção deve ser pensada caso a caso. Mas há estratégias de acolhimento que podem nortear as ações. É fundamental deixar claro que não existem culpados e abrir espaços de conversa, em pequenos grupos, nos quais os jovens possam expressar seus sentimentos e discutir o processo de luto. É válido escolher uma pessoa para atender individualmente os alunos, no momento que precisarem. É importante buscar, na medida do possível, a ajuda de especialistas capacitados.

  • Possibilidades de auxílio:

    •       CAPS

    Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) nas suas diferentes modalidades com serviços de saúde de caráter aberto e comunitário constituído por equipe multiprofissional e que atua sobre a ótica interdisciplinar e realiza prioritariamente atendimento às pessoas com sofrimento ou transtorno mental, incluindo aquelas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas, em sua área territorial, seja em situações de crise ou nos processos de reabilitação psicossocial e são substitutivos ao modelo de internação.

    •       Unidades Básicas de Saúde

    A Unidade Básica de Saúde (UBS) é o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e centro de comunicação com toda a Rede de Atenção à Saúde. É instalada perto de onde as pessoas moram, trabalham, estudam e vivem e, com isso, desempenha um papel central na garantia de acesso à população a uma atenção à saúde de qualidade.

    •       UPA 24H

    A Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) faz parte da Rede de Atenção às Urgências. O objetivo é concentrar os atendimentos de saúde de complexidade intermediária, compondo uma rede organizada em conjunto com a atenção básica, atenção hospitalar, atenção domiciliar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência– SAMU 192.

    •       Centro de Valorização da Vida

    O CVV –Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo, por telefone, email, chat, Skipe e voip 24 horas todos os dias.por meio do número 188, a partir de qualquer linha telefônica fixa ou celular e mais informações: cvv.org.br

    •       Vita Alere: Oferece manuais, estudos e sugestões de livros e filmes sobre o assunto.
    Acesse: vitaalere.com.br

    •       Projeto Cuca Legal: Programa de saúde mental da Unifesp
    Acesse: cucalegal.org.br

    •       Associação Americana de Suicidologia: Oferece material de formação (em inglês)
    Acesse: suicidology.org

    •       Setembro Amarelo: Campanha de conscientização e prevenção do suicídio, promove ações no mês de setembro.
    Acesse: setembroamarelo.org.br

    •       Ajuda psicológica gratuita

    Universidades públicas e particulares no Brasil que possuem em sua grade o curso de Psicologia normalmente possuem atendimento psicológico gratuito para a comunidade.

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