Meus filhos adolescentes - Parte I

Departamento Científico de Adolescência

  • "Ser adolescente não é fácil e meus pais não percebem isso"! 

    É preciso entender que deixar de ser criança significa, primeiramente, perder muita coisa. Construir sua identidade própria, mas através do conhecimento “de quem sou eu”, saber quem são seus pais e para onde quer ir.

  • Adolescer é um processo que envolve crescimento, desenvolvimento e amadurecimento. É um período natural e psicobiológico entre a  infância e  a vida adulta com grandes transformações físicas, sexuais, psíquicas, sociais e espirituais. 

  • Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) compreende a faixa etária dos 10 aos 20 anos incompletos.  

  • Para que o adolescente se sinta à vontade para conversar sobre qualquer assunto, é necessário criar um ambiente no qual ele se sinta confortável para expressar o que sente. Importante saber ouvir, não criticar nem ser juiz, para isto é necessário saber a hora de falar e ouvir. Mesmo não concordando é preciso que o adolescente sinta que a sua fala tem valor. O adolescente ouve melhor quando se sente amado, aceito e valorizado. Portanto, sempre diga ao seu filho o quanto você o ama e demonstre a importância que ele tem na sua vida!

  • Para tornar-se adulto, o adolescente precisa passar por sua crise dentro da família e então, conseguir se organizar fora do ambiente familiar e, principalmente, dentro de si. Essa crise de identidade é uma das passagens inevitáveis desse período.  É trabalhoso porque significa que o adolescente deve construir e procurar sua própria identidade. Isso supõe testar capacidades, aprender a reconhecer limites e riscos, organizar sua relação com o grupo e reconhecer o que quer e o que pensa. É o momento vivenciado pelos jovens    que   buscam encontrar- se tentando se adaptar ao fato de não serem mais crianças - nem adultos. Necessitam vivenciar nova identidade e afirmar seu lugar no mundo. É quando ele começa perceber as alternativas e explorar o seu mundo, os seus gostos, os seus relacionamentos íntimos, o seu gênero, as suas amizades, enfim buscando ser ele mesmo, mas muitas vezes  sentem-se  confusos neste   turbilhão de  situações novas,  sem saber, em várias ocasiões e circunstâncias, como lidar com elas.

  • O papel dos pais é não deixar seus filhos sem a referência parental e, neste sentido, procurar entender a adolescência e a fase que o adolescente está passando. Os pais precisam reelaborar suas próprias dificuldades: a questão do luto psicológico pela perda do corpo do filho infantil, confrontado com a dificuldade em aceitar a crescente sexualidade e energia do adolescente, podem levá-los a incompreensão ante os fenômenos próprios de tal fase do crescimento. 

  • Os pais enfrentam a aceitação do envelhecimento ou morte, abandonam sua imagem idealizada criada pelo filho deixando de serem ídolos e precisam enfrentar uma relação crítica e ambivalente, avaliando suas conquistas e fracassos em função do crescimento dos filhos. Podendo enfim, compreender seus filhos ao recuperar sua própria adolescência quando se identificam com a energia e força criativa deles.

  • Além do amadurecimento psicológico, as exigências requeridas pelo mundo adulto são: maturidade biológica, afetiva, intelectual e de valores, uma posição política e social, uma definição quanto à sua ocupação profissional, além de uma convivência pacífica. Entretanto, todas essas exigências causam extrema conturbação entre aqueles que as estão vivenciando, até que o amadurecimento seja alcançado, podendo ser esse tempo longo ou rápido, dependendo de cada um deles.

  • O adulto já esqueceu que ele também foi adolescente, questionador, às vezes até rebelde, e dono da verdade. É uma fase em busca da independência e da identidade, a busca de ser ele mesmo. Muitas vezes, sente-se incompreendido e busca a solidão do seu quarto, para dormir sonhar, fantasiar ou refletir. Em outras ocasiões, mostra-se agitado e coloca-se em situação de vulnerabilidade, se arriscando com a velocidade, com drogas licitas e ilícitas, etc..

    O adulto precisa compreender que esta fase vai passar, evitar criar atritos, não discutir com o adolescente no momento do conflito, deixar a poeira abaixar e depois conversar, mostrando a ele  que você o compreende, que o ama, o respeita, mas cada coisa tem o seu lugar e o modo de ser. Portanto, limite e respeito são importantes na formação do adolescente. Caso considere que a situação ultrapassa os limites, ou mesmo quando não, sugere-se buscar auxílio com seu Médico de Adolescentes ou profissionais habilitados para acompanhar esse ser em mutação.

  • Escutando-os, apoiando-os e observando-lhes o comportamento e os desejos, sabendo que está lidando não raras vezes com o inesperado, com uma rebeldia ou com uma dependência razoavelmente inusitada, dentro do quadro de crescimento do filho. No entanto, deverá agir com limites, de modo a que o adolescente saiba que não está sozinho, que não está abandonado, mas que seus pais continuam sendo (apesar de tudo) firmes referenciais para seus crescimentos.

  • A remodelação de algumas áreas cerebrais não permite ao adolescente entender o tempo como o cérebro adulto, por isso é importante ajudá-lo a definir prioridades. Mostrar que existe o momento do lazer, do prazer, mas também o momento das obrigações e dos compromissos. Para o adolescente o prazer é sempre o mais importante, mostrar a ele que existe hora para tudo, isto é, ter disciplina. Procurar ser firme nas orientações e nestes momentos negociar com os adolescentes sempre dá bons resultados. 

  • A liberdade é uma busca de todo ser humano. Para o adolescente a entrada no mundo adulto, a construção de uma nova identidade, um novo corpo que necessita de novas respostas e uma nova significância a si próprio, além de uma pressão social para que tanto ocorra, em determinados níveis de expectativa. Nada mais normal que o adolescente queira ser livre, porém dentro da sua interpretação de liberdade.

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