Por que falar de Gravidez na Adolescência - parte 1

Departamento Científico de Adolescência

  • A educação geral e em saúde é um dos mais importantes fatores de prevenção da gravidez numa idade precoce Na escola e na família é necessário abordar a sexualidade, a reprodução, o uso dos contraceptivos, e o perigo das infecções sexualmente transmissíveis quando não usar a camisinha. Além disso, deve-se conscientizar sobre afetividade, respeito e responsabilidade de ambos os sexos.   A educação sobre sexualidade, de forma integrada e compreensiva, faz parte da promoção do bem-estar dos adolescentes e jovens. Há que se abordar as relações afetuosas e o carinho entre os pares, responsabilidade com a autoestima do(a) adolescente e parceiro(a) assim como a proteção  na prevenção de doenças e da gravidez inesperada

  • Em nosso país, a taxa de gestação nessa fase, é alta quando comparada à da América Latina, sendo de 400 mil casos/ ano e muitos ocorrem em mães com idade entre 10 a 14 anos.

    Em 2015, dezoito por cento  do total dos brasileiros que nasceram  eram filhos de mães adolescentes, a maioria residia  na região Nordeste, seguindo-se do Sudeste,  Norte, região Sul e  Centro Oeste.

  • Falta de diálogo, franco, claro e sincero, falta de informação  e conscientização  sobre sexualidade, sobre direitos sexuais e reprodutivos; falta de uma rede de apoio social  e de acesso  fácil ao sistema de saúde, educação. Além de falta de projeto de vida para que estes adolescentes sigam seu desenvolvimento de forma saudável.

  • Sim. Falta de um projeto de vida e expectativas de futuro, educação, pobreza, famílias disfuncionais, abuso de álcool e outras drogas, além de situações de violência e a ausência de proteção efetiva às crianças e aos adolescentes, uso inadequado de métodos contraceptivos. Importante considerar as questões emocionais, psicológicas e sociais.     

    Entretanto, em muitas situações a gravidez é desejada, como uma resposta ao meio que a circunda, como forma de exercer a sexualidade, de ser respeitada e aceita socialmente, sendo a maternidade seu projeto de vida.

  • Sim, pois as complicações da gestação estão muito relacionadas ao desenvolvimento corporal e principalmente às condições socioeconômicas, que influem no início e tipo de cuidados, destacando-se:

    · A idade. Sendo os maiores riscos para as garotas com menos de 16 anos, especialmente as menores de 14 anos

    · Inicio tardio do pré-natal.

    · Ganho de peso inadequado, alimentação que prejudica a nutrição;

    · Falta de apoio familiar e abandono do companheiro;

    · Adolescente usuária de álcool ou outras drogas, lícitas ou ilícitas, como    álcool, cocaína, crack; uso de medicamentos sem prescrição médica;

    ·  Gestação decorrente de estupro;

    · Tentativa de interromper a gestação por quaisquer meios ou medicamentos;

    ·O risco será maior se houver doenças crônicas: diabetes, doenças cardíacas como hipertensão arterial, ou renais; ou doença sexualmente transmissíveis: Sífilis, HIV, hepatite B ou hepatite C;

    · Existência de doenças agudas emergentes: dengue, zika, toxoplasmose, rubéola outras doenças infecciosas;

    · Ocorrência de pré-eclâmpsia, gravidez gemelar, complicações obstétricas durante o parto, inclusive cirurgia cesariana de urgência.

  • Sim. Maior propensão a:

    · Prematuridade, bebês pequenos para idade gestacional ou com baixo peso   principalmente quando as mães têm menos de 15 anos;

     - Não respirar de imediato ao nascer

    · Doenças congênitas;

    · Dificuldades na amamentação, levando à interrupção e a erros alimentares;

    · Cuidados inadequados no domicílio ou contexto familiar, como negligência ou abandono, além da presença de animais muito próximos ao bebê , higiene precária, falta de saneamento básico (água tratada e esgoto);

    · Falta de acompanhamento com médico da família ou pediatra, agendamento de consultas para avaliação do bebê de forma irregular , e falhas no esquema de vacinação.

  • Sim, desde que devidamente habilitado. A contracepção constitui parte dos direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e jovens, estando respaldados pelos princípios de proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, art. 98) e sua prescrição está embasada em normas técnicas do Ministério da Saúde. Além disso, o código de Ética Médica, artigo 74, garante o sigilo a paciente menor de idade, inclusive nas questões sexuais, vedando ao médico a revelação, desde que isso não apresente risco de vida grave para esse/essa adolescente.

  • O melhor anticonceptivo é aquele de mais fácil acesso, menor custo, baixa dosagem, eficácia, maior tempo de atuação e possibilidade de reversão. Adolescente não deve usar contraceptivo por conta própria ou porque a amiga usa, mas sempre receitado por médico. Este tem obrigação de informar todos os métodos disponíveis. A camisinha deve ser usada associada a qualquer outro método contraceptivo. Na escolha do método deve haver conivência com o parceiro.  Observação: Nenhum método protege 100%   

  • Os estudos científicos demonstram que existem falhas. A questão é polêmica e precisa de maiores esclarecimentos. Adicionalmente, compreende-se que postergar  as relações sexuais pode ser uma escolha saudável para os adolescentes desde que seja uma decisão deles e não uma imposição, respeitando-se seu direito à autonomia, projeto de vida. Embora teoricamente protetoras, as intenções de abstinência geralmente falham. O adolescente vive uma ebulição hormonal, intensa curiosidade e estimulo sexual muito grande e estimulado pela sociedade e pela mídia. Recomenda-se portanto, oferecer um amplo leque de informações sobre diferentes métodos contraceptivos, como já mencionado e deixar a escolha uma decisão individual e compartilhada pelo casal .

  • A utilização dos benefícios da tecnologia também se torna importante, pois os jovens são naturais da era digital, facilmente aceitando inovações. Atualmente, existem lembretes digitais que minimizam o esquecimento dos anticoncepcionais  orais e pode-se sugerir o uso de aplicativos, como os que auxiliam no controle do ciclo menstrual e do período fértil

  • - Todos os adolescentes têm direito de obter informações adequadas sobre o uso de contraceptivos e de escolher o método que lhes é mais adequado; A dupla proteção (contraceptivo e camisinha devem estar sempre associados).

    - A anticoncepção de emergência deve ser usada somente após relação sexual desprotegida (violência sexual e falha no uso de camisinha) e não deve  ser usada com frequência.

    - Quando houver ruptura da camisinha ou erro ao usar o contraceptivo procurar o mais urgente possível o médico.     

    -  As adolescentes devem ser acompanhadas pelo Médico de Adolescentes, Pediatras, Médico da Família, e/ou Ginecologista de modo periódico.   

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