Fotoproteção na criança

Departamento Científico de Dermatologia

  • Sim. Com a chegada do verão a exposição ao sol aumenta consideravelmente, porém deve-se lembrar que ela é frequente durante o ano inteiro, sendo, desta forma, essencial a proteção adequada à luz solar. As crianças estão naturalmente mais expostas, pois preferem realizar as suas atividades ao ar livre. Assim, cabe aos pais ou responsáveis tomar as medidas para evitar a exposição excessiva ao sol e mesmo as queimaduras solares, destacando-se que cerca de 75% da exposição solar acumulada durante a vida ocorre até os 20 anos de idade.

  • A exposição ao sol ajuda na síntese de vitamina D, que é necessária para que os ossos sejam saudáveis. No entanto, para isso é necessária a radiação ultravioleta B, que está presente nos horários de pico de radiação solar (entre 10h e 16h). Dessa forma, o Consenso Brasileiro de Fotoproteção NÃO INDICA a exposição solar sem proteção para esse fim. Caso haja a indicação de reposição da vitamina D, essa deve ser feita pela dieta ou suplementação vitamínica.

  • Sim. O efeito da radiação é acumulativo. Isso quer dizer que a luz solar recebida desde a infância até a idade adulta só mostrará seus efeitos a longo prazo, com o envelhecimento precoce e o potencial surgimento do câncer. O principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de pele é a radiação ultravioleta (UV), sob exposição precoce e intensa durante a infância. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, a cada ano a incidência de câncer de pele vem aumentando. Nos Estados Unidos, já são um milhão de novos casos anualmente. Na Austrália, a incidência passou de 555 casos por 100 mil habitantes, em 1985, para 2.448 casos por 100 mil, em 2011. Hoje é reconhecido que 90% dos carcinomas da pele tem como causa a exposição solar ao longo da vida.

  • Sim, existem. De início, é importante reiterar que, para evitar problemas desse tipo, a proteção solar é obrigatória, inclusive nas faixas etárias da população pediátrica, sendo que a responsabilidade dessa ação é principalmente dos pais e cuidadores. No entanto, além da exposição excessiva ao sol, há outros fatores de risco relacionados ao câncer de pele. Entre eles, estão: viver em regiões ensolaradas, onde há maior incidência deste tipo de doença; possuir pele clara; ter cabelos loiros, ruivos ou castanhos claros, bem como olhos claros; apresentar história familiar de câncer de pele; passar por períodos longos de exposição ao sol diariamente ou curtos períodos de exposição solar intensa; possuir grande quantidade de sardas.

  • Existem duas maneiras de exposição solar que são mais perigosas. A primeira é ficar muito tempo sob a luz solar, em um período curto de tempo. É que ocorre com os “torrões” ou “vermelhões” após um dia no parque, na piscina ou na praia. A segunda atinge as crianças que passam os dias ao ar livre, sempre expostas a muita luz solar. São as crianças que durante todo o ano estão bronzeadas.

  • Não, de forma alguma. Não se recomenda o uso de câmaras de bronzeamento. Esses aparelhos são a causa de as adolescentes terem se tornado um grupo de alto risco. Por causa dos padrões de beleza, elas se expõem demais à luz do sol ou utilizam práticas perigosas, como o bronzeamento artificial. Lembre-se: as luzes usadas nas câmeras de bronzeamento artificial podem causar queimaduras de pele e problemas nos olhos, fazendo com que as rugas apareçam mais cedo e aumente o risco de câncer de pele. É melhor uma pele saudável e com sua cor natural do que correr os riscos das queimaduras solares e do câncer de pele.  Não existem câmaras com “raios bons”. Por isso, as câmaras de bronzeamento artificial são PROIBIDAS no Brasil.

  • As recomendações mudam de acordo com a faixa de idade. Nesse sentido, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio do seu Departamento Científico de Dermatologia Pediátrica, faz os seguintes alertas quanto à correta proteção solar, os quais devem ser observados especialmente por pais e responsáveis:

    1) Durante os seis primeiros meses de vida, os bebês não devem ser expostos diretamente ao sol;

    2) A partir dos seis meses e até o primeiro ano de vida, as exposições solares devem ser curtas e em horários apropriados (até às 10h e após as 16h), sempre com a utilização de protetor solar. Fuja da exposição das horas próximas ao meio dia;

    3) Durante exposições solares prolongadas (praias, clubes, piscinas), é preciso usar chapéus e roupas adequadas e procurar deixar a criança na sombra ou sob o guarda-sol pelo maior tempo possível;

    4) Para as crianças maiores e adolescentes, é recomendado também o uso de óculos de sol, os quais devem ser testados para avaliar a sua eficiência contra os raios ultravioletas;

    5) Use sempre guarda-sol, bonés, óculos, viseiras ou chapéus. Cerca de 70% dos cânceres de pele ocorrem na face, proteja-a sempre. Não se esqueça de proteger os lábios e as orelhas;

    6) Aplique generosamente o filtro solar 20 a 30 minutos antes de se expor ao sol. Este é o tempo necessário para a estabilização do protetor solar na pele, de modo que sua ação seja mais eficaz;

    7) Evite exposições prolongadas e repetidas ao sol. Queimaduras solares acumuladas durante a vida predispõem o surgimento do câncer da pele;

    8) Incentive seu filho a usar o protetor solar diariamente, dê o exemplo e use em você também.

  • Sugere-se ficar atento às seguintes orientações gerais da SBP, feita pelo seu Departamento Científico de Dermatologia Pediátrica:

    1)  Os protetores solares contêm substâncias que absorvem e bloqueiam as radiações UV. A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que abaixo dos 6 meses sejam utilizados bonés, roupas, guarda-sol ou sombrinha;

    2)  Dos seis meses aos cinco anos de idade, recomenda-se o uso dos filtros infantis, que geralmente contêm menos substâncias químicas prejudiciais à pele da criança. Costumam ser mais espessos e possuir coloração esbranquiçada ou rosada;

    3) O filtro solar ideal deve ter amplo espectro (bloquear tanto radiação ultravioleta A quanto ultravioleta B), custo acessível, ser fácil de espalhar e ser resistente à água. Não existem filtros totalmente à prova d´água. Eles devem ser reaplicados depois de entrar na água ou quando a criança suar muito, sempre secando bem a pele antes de reaplicar o protetor;

    4)  Os filtros solares diferem entre si nos tipos e concentrações dos ingredientes utilizados na sua fabricação. Geralmente os filtros acima do número 15 fazem uma proteção razoável por até duas horas, sendo ideal o uso de filtros com proteção 30 ou superior. Filtros com número 30 ou maior apresentam a mesma eficácia na proteção ao sol, diferindo apenas no tempo de reaplicação. 

  • Normalmente aplica-se uma quantidade bastante inferior à necessária. Uma regra prática para saber quanto se deve colocar de filtro é a de se utilizar dois "dedos" (ou duas colheres de chá) para cada "nove" das áreas representativas do corpo. Por exemplo: numa criança quatro colheres de chá para a cabeça, quatro para a região da frente do tronco, quatro para a parte de trás, duas colheres de chá para cada braço e 6 colheres para ambas as pernas, ou 3 colheres em cada perna (ver a figura abaixo). É importante não esquecer das orelhas, o dorso dos pés, a região atrás dos joelhos e o rosto (evitando a área muito próxima aos olhos). No nariz e nos lábios podem ser utilizados protetores em bastão (e também no rosto caso fique mais fácil a aplicação).

  • Sim, mas fique atento ao seguinte: diferentes tecidos conferem proteções diferentes. Camisetas de malha branca e tecidos molhados ou com tramas largas, protegem menos. Tecidos de trama mais fechada e cores escuras protegem mais. Lembre-se que existem tecidos que contêm substâncias fotoprotetoras.

  • Sim, várias.

    Abaixo relacionamos mais algumas delas:

    As pessoas de pele clara exigem maiores cuidados, pois são mais propensas ao câncer da pele. O mormaço também queima: em dias nublados, cerca de 40% a 60% da radiação solar atravessa as nuvens e chega à terra.

    Portanto, use filtros solares também nestes dias. O filtro solar deve ser usado diariamente. Todos os dias estamos expostos ao sol, seja dentro do carro, na hora do almoço, no recreio ou nas atividades desportivas ou de lazer.

    Use sempre a regra da sombra para saber se está se expondo em horário perigoso: ou seja, quanto maior a sua sombra refletida no chão, melhor.

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