Arterite de Takayasu em crianças e adolescentes: uma causa frequente de pressão alta

Departamento Científico de Reumatologia

  • A arterite de Takayasu é uma vasculite, ou seja, uma inflamação dos vasos sanguíneos, principalmente da aorta (que é a maior artéria do corpo, conectada diretamente ao coração e que tem a função de transportar o sangue do coração para o resto do corpo), mas pode afetar também as artérias que levam o sangue para os rins, cérebro, intestino e pulmões. A inflamação na parede dos vasos pode fazer com que trechos dessas artérias fiquem mais grossos, ou se estreitem, bloqueando o fluxo de sangue e causando tromboses ou formando grandes dilatações (aneurismas), porque as artérias que são elásticas perdem a sua elasticidade. Desta forma, as artérias comprometidas não conseguem levar o sangue e o oxigênio em quantidade suficiente para alguma parte do corpo, podendo causar sintomas como dor nos braços ou pernas, pressão alta (hipertensão arterial), dor no peito, cansaço, dentre outros.

    É uma doença crônica (ou seja, que dura muito tempo, geralmente mais de três meses), rara, mais frequente em mulheres entre os 20 a 30 anos de idade, mas também pode ocorrer em crianças, geralmente adolescentes do sexo feminino.

  • Ainda não se sabe a causa exata da arterite de Takayasu, embora haja suspeitas de que algumas infecções possam causá-la (principalmente a tuberculose), em pessoas com tendência genética e com funcionamento desordenado do seu sistema de defesa.  Apesar da suspeita de ser causada em parte por alguma infecção, não é uma doença contagiosa e nem transmissível de um indivíduo para outro.

  • Em cerca de metade dos casos, os sintomas iniciais são inespecíficos, como febre sem uma causa aparente que a explique, dores nos músculos e nas articulações, artrite (dor e inchaço nas articulações), perda de peso e suor excessivo à noite. Mas conforme a doença evolui,e os vasos sanguíneos vão inflamando e estreitando, começam a ocorrer outros sintomas como fraqueza e dor nos braços e pernas, pressão alta, tonturas, sensação de desmaio, dor de cabeça, memória fraca, falta de ar, dificuldade para enxergar, diminuição do pulso ou da pressão em um dos braços ou pernas, anemia, mau funcionamento dos rins, dor no peito e, mais raramente, até derrames (acidente vascular cerebral) ou ataque cardíaco. 

  • O diagnóstico da arterite de Takayasu é feito com base na consulta  médica (perguntando sobre os sintomas apresentados pelo paciente e exame médico), além de exames complementares que utilizam imagens das artérias.  A pressão arterial deve ser medida e os pulsos palpados nos braços e pernas. Os médicos suspeitam de arterite de Takayasu quando há pressão alta, redução ou ausência de pulsação das artérias de um dos braços ou pernas, diferença na medida da pressão arterial entre os braços, ausculta de sopros no coração ou sobre as artérias; ou quando ocorrem derrames, dor no peito, ataque cardíaco ou mau funcionamento dos rins sem uma explicação. Estas alterações ocorrem devido ao estreitamento ou bloqueio das artérias que levam sangue e oxigênio para os braços, pernas ou para os órgãos.

    Não existe um exame específico para o diagnóstico, mas exames de sangue e de urina são feitos para pesquisar sinais de inflamação, bem como exames de ecocardiograma e fundo de olho para ver se há complicações da pressão alta nos olhos e no coração.

    Para confirmar o diagnóstico são necessários exames de imagem dos vasos sanguíneos, feitos pela ressonância magnética ou pela tomografia computadorizada, pelo ultrassom e, às vezes, pelo exame de raios-X dos vasos que utiliza contraste, chamada de angiografia convencional (também chamada arteriografia), para avaliar a artéria aorta e seus ramos. Esses exames permitem detectar os estreitamentos, bloqueios e aneurismas das artérias. Cada um destes exames apresenta vantagens e desvantagens, uns enxergam melhor dentro das artérias e outros avaliam melhor a parede das artérias (onde ocorre a inflamação). A indicação de cada exame é decidida pelo médico, de acordo com o caso de cada paciente. A angiografia convencional ou por tomografia precisam de injeção de contraste na veia, já a ressonância magnética não requer a injeção de contraste.

  • O tratamento consiste em medicamentos para controlar a inflamação das artérias o mais rápido possível e prevenir complicações. Para este fim são usados medicamentos como os corticoides, tanto pela boca (como a prednisona) quanto pela veia em doses altas (pulsoterapia).

    No entanto, muitos pacientes tem recaídas dos sintomas e inflamação de novos vasos sanguíneos quando as doses de corticoide são reduzidas, sendo necessário associar outros remédios para controlar a função alterada do sistema de defesa (imunossupressores), como o metotrexato, a azatioprina, a ciclofosfamida ou o micofenolato de mofetila.

    São igualmente necessários medicamentos para controlar a pressão alta (anti-hipertensivos) e para evitar tromboses (aspirina).

    Em casos mais graves, pode ser necessário realizar cirurgia vascular para restabelecer o fluxo do sangue, como quando há pressão alta não controlada mesmo com uso de vários remédios pra pressão, isquemia cerebral, aneurismas que tenham risco de romper, obstrução das artérias do coração (coronárias) o que pode causar infarto.

  • A arterite de Takayasu é uma doença crônica e sem cura definitiva conhecida. Na maioria dos casos, a inflamação fica indo e vindo e em outros, pode se agravar progressivamente. Mesmo quando os sintomas e alterações nas análises laboratoriais sugerem que a doença não está ativa (ou que não há inflamação), novos sintomas ou alterações nos exames de imagem podem ocorrer, significando que a doença reapareceu e precisa de tratamento.

    Por estas razões, o acompanhamento com o reumatologista pediátrico é necessário, pois dependendo do início com pressão alta ou sopro, ou alterações das pulsações, o cardiologista, nefrologista, cirurgião vascular podem estar envolvidos no tratamento e acompanhamento e há benefícios no acompanhamento destes especialistas em conjunto e coordenados.

    Por estas razões todos os pacientes com arterite de Takayasu, mesmo que não tenham mais sintomas ou queixas, devem manter o acompanhamento médico.