Leucemias na infância

Departamento Científico de Oncologia

  • As leucemias são doenças malignas dos leucócitos (glóbulos brancos) de origem, na maioria das vezes, desconhecida. Pesquisas têm sido conduzidas com o objetivo de melhor entendimento das interações dos fatores ambientais e genéticos, o que provavelmente contribuirá para elucidação de sua etiologia. No entanto, já existem alguns fatores de risco conhecidos para a doença, os quais seguem. Dentre eles, estão:

    1) Elevadas doses de irradiação (por exemplo, após acidente nuclear ou radioterapia);

    2) Produtos químicos, como o benzeno, metais pesados e pesticidas;

    3) Drogas (alguns quimioterápicos);

    4) Condições clínicas que cursam com instabilidade cromossômica, como a síndrome de Down, síndrome de Turner, neurofibromatose e ataxia-telangiectasia;

    5) Alguns agentes virais, como a exposição pós-natal ao vírus de Epstein Barr.

  • As leucemias representam o tipo mais comum de câncer da criança e do adolescente, sendo que as formas agudas da doença correspondem a cerca de 97% dos casos. O tipo mais comum de leucemia na criança e no adolescente é a linfóide aguda. A leucemia mielóide aguda é mais comum no adulto. A incidência estimada das leucemias é de 3 a 4 casos para cada 100 mil crianças com menos de 15 anos de idade, sendo seu pico de prevalência na faixa etária entre 2 e 5 anos de idade.

  • As leucemias têm como principal característica o acúmulo de células jovens anormais, denominadas de blastos, que substituem as células sanguíneas normais na medula óssea.

    A medula óssea é o local de formação das células sanguíneas, que ocupa a cavidade dos ossos, conhecida popularmente como tutano. Nela são encontradas as células mãe ou precursoras, que originam os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos (hemácias) e as plaquetas.

  • Os principais sinais e sintomas das leucemias são determinados pelo acúmulo das células blásticas na medula óssea, prejudicando ou impedindo a produção. Eles podem ser agrupados da seguinte forma:

    1) Dos glóbulos vermelhos: causando anemia;

    2) Dos glóbulos brancos: determinando febre e infecções;

    3) Das plaquetas, ocasionando hemorragias. Lembre-se: a invasão medular pelas células blásticas pode determinar também dor óssea pelo aumento da pressão da cavidade medular.

  • Sim. Nas leucemias podem ainda ocorrer sintomas e sinais decorrentes da infiltração extra medular (fora de medula óssea), como:

    1) Linfonodomegalias (aumento dos glânglios linfáticos ou “ínguas”);

    2) Dor abdominal por infiltração leucêmica do tecido linfoide intestinal, com ou sem aumento do volume abdominal, geralmente determinado pelo aumento do fígado ou do baço;

    3) Cefaleia, vômitos e/ou paralisias quando ocorrer acometimento do sistema nervoso central;

    4) Aumento de volume dos testículos;

    5) Nódulos subcutâneos;

    6) Aumento de volume dos rins, com mau funcionamento dos mesmos. Sintomas gerais inespecíficos como falta de apetite e indisposição para brincar são relativamente frequentes (20-30%), sendo incomum a perda de peso significativa ao diagnóstico.

  • Em relação ao diagnóstico laboratorial das leucemias, o hemograma (exame de sangue) fornece muitas informações úteis, como a presença de anemia, redução do número de plaquetas e alterações no número total e dos diferentes tipos de leucócitos (contagem diferencial de leucócitos). O hemograma também pode mostrar a presença da célula leucêmica (blastos). Porém, a confirmação do diagnóstico, na maioria das vezes, deve ser realizada pelo mielograma (exame da medula óssea). Este exame permite a identificação correta do tipo de leucemia pela análise da morfologia e citoquímica das células, pelas características imunofenotípicas e moleculares. Todas essas informações serão muitos importantes para planejar o tratamento adequado, pois as leucemias representam um grupo heterogêneo de doenças, com comportamento biológico e prognósticos diferentes.

  • Sim. É fundamental que na suspeita diagnóstica, a criança ou o adolescente sejam prontamente encaminhados para confirmação diagnóstica e posterior tratamento em centros especializados pediátricos. Isso ocorre porque há registro de taxas de cura superiores a 80% para leucemia linfóide aguda, graças ao emprego de protocolos terapêuticos com o uso de poliquimioterapia (associação de medicamentos) e aos cuidados de suporte para evitar as complicações infecciosas e hemorrágicas.

  • A utilização da quimioterapia visa destruir as células leucêmicas para que a medula óssea retorne a produzir as células normais. Atualmente, o transplante de medula óssea tem indicações específicas, como nas recidivas precoces da doença em pacientes que não respondem bem ao tratamento quimioterápico inicial e naqueles com achados citogenéticos de mau prognóstico. A radioterapia tem indicações cada vez mais restritas. Quando indicada, visa prevenir o desenvolvimento da leucemia no sistema nervoso central ou tratá-la, se já presente.

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