Você sabia que a amamentação pode reduzir o risco de doenças crônicas?

Departamento Científico de Aleitamento Materno 

  • Não há dúvida que o desenvolvimento econômico trouxe benefícios importantes para a qualidade de vida da população. Mas a vida moderna mudou também os hábitos e a alimentação desde a infância, fazendo surgir uma verdadeira epidemia de doenças crônicas (que têm uma grande duração e nem sempre se curam), antes pouco comuns. Doenças do coração, diabetes, obesidade, doenças respiratórias, distúrbios mentais e de comportamento são responsáveis, hoje, por mais de 60% das mortes em todo o mundo, e grande parte delas parece ter suas raízes na infância. 

  • Muitas pesquisas já demonstraram a importância da alimentação e do desenvolvimento nos primeiros anos, não só para a saúde e o sucesso da criança como do adulto, mas também para o bem-estar da sociedade como um todo. Os primeiros 1.000 dias, que englobam toda a gravidez (270 dias) e os dois primeiros anos após o nascimento (730 dias), podem moldar o futuro de uma criança. Uma nutrição adequada, uma estimulação carinhosa e um cuidado apropriado durante esse período fornecem uma base saudável para a vida. Novas evidências científicas têm, cada vez mais, reforçado a possibilidade da prevenção de doenças do adulto, já na infância, a partir de uma alimentação saudável.

  • A ocorrência de várias doenças depende da genética (que determina se um indivíduo terá risco ou não de adquirir uma doença) e do meio-ambiente (que pode permitir aos indivíduos em risco serem expostos a fatores capazes de desenvolver neles a doença). Dessa forma, hoje sabemos que hábitos cotidianos e o ambiente em que vivemos podem afetar o comportamento dos nossos genes.

    Mas as mudanças do ambiente podem afetar nosso bem estar não somente de forma direta. É sabido que a a nossa flora intestinal – os microorganismos que vivem no nosso intestino e nos ajudam a digerir alimentos – é mais vulnerável às influências ambientais no início da vida. Alterações na sua composição e função têm profundas consequências para a saúde, podendo afetar o risco para doenças crônicas, tal como a obesidade, até a vida adulta.

  • Estudos identificaram que períodos mais longos de amamentação foram associados com menor risco de sobrepeso e obesidade, diabetes tipo 2 e leucemia infantil. Essa prática poderia trazer, também, proteção contra diabetes tipo 1, e seria capaz de garantir melhor desempenho em testes de inteligência.

  • Outras pesquisas recentes demonstraram que o leite humano não é só um alimento. Ele é um sistema complexo, que além de conter elementos de defesa e nutrição, também fornece hormônios e micróbios benéficos ao intestino infantil. Esses microrganismos, especialmente algumas bactérias (lactobacilos e bifidobactérias), são importantes componentes ativos do leite humano, que contribuem para a formação da flora intestinal do bebê. Portanto, o leite materno está repleto de bons micróbios (“bichinhos do bem”), e isso é importante para o bebê!

    Muitas famílias demonstram preocupação com o crescimento mais lento observado em bebês amamentados, mas essa é também uma característica que pode proteger o indivíduo de doenças futuras. Um crescimento muito acelerado na infância pode resultar em alterações hormonais capazes de modificar o apetite e saciedade, levando a um maior consumo de alimentos ao longo da vida, e com isso a obesidade. Os bebês alimentados com mamadeira podem, assim, ter alterado o seu mecanismo natural de controlar a ingestão de alimentos, passando o consumo excessivo de comida a ser não apenas um hábito, mas uma necessidade biológica. Isto também é observado em bebês que recebem leite humano (mais adequado do que as fórmulas infantis ou leite de vaca integral) em mamadeira, pois, em geral, os cuidadores tendem a insistir para que o bebê termine todo o volume oferecido, desrespeitando os sinais de que ele já está satisfeito. 

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