Acidentes domésticos

Departamento

Científico de Segurança da Criança e do Adolescente


  • Sim. No Brasil os acidentes representam a principal causa de morte entre crianças e adolescentes de um a 14 anos. Eles causam cerca de 13 óbitos por dia e são ainda responsáveis pela hospitalização de mais de 120 mil jovens.  Estes dados são ainda mais impactantes ao sabermos que mais de 90% desses eventos poderiam ter sido evitados com medidas simples de prevenção. Inclusive, impressiona saber que muitos desses acidentes acontecem dentro de casa, local onde, a princípio, as crianças devem ter liberdade para circular, explorar e se desenvolver de forma saudável e segura.

  • Com certeza é gigantesco. Não nos referimos apenas aos valores financeiros, mas às consequências ligadas às internações prolongadas e aos tratamentos longos e desgastantes. Ainda há o impacto de processos de reabilitação, da presença de sequelas e da perda de inúmeras horas de escola e trabalho. Sem dúvida, um acidente traz um enorme sofrimento emocional para a criança e sua família. Prevenir acidentes sai muito mais barato!

  • As quedas representam a maioria dos casos, seguidas por queimaduras. As lesões mais graves estão relacionadas ao calor e quedas de alguma altura.

  • Os acidentes resultam de uma conjunção de fatores, dentre os quais estão as características normais das crianças, como serem curiosas, inexperientes, terem espírito aventureiro e investigador, além de percepção limitada do ambiente onde está. Elas costumam enxergar o mundo de baixo para cima, ficarem absortas em seus próprios interesses imediatos e se “desligarem” do que está ocorrendo ao seu redor. Assim, acabam desconhecendo as consequências de muitas situações novas no seu dia-a-dia e, dependendo da fase do desenvolvimento que se encontram, tornam-se mais suscetível a elas e aos riscos que representam. Além disso, o perigo aumenta ao interpretarem de forma imprecisa ao que estão expostas, às vezes em função de sua estatura menor, que não lhes permite enxergar acima de um obstáculo ou serem vistas por um adulto. Por isso, cabe aos mais velhos não subestimar a criança em suas capacidades e habilidades, oferecendo-lhe supervisão constante e atenta.

  • O risco é mais elevado para crianças em idade pré-escolar, de 2 a 5 anos, que costumam sofrer traumas e lesões com maior frequência. Nessa idade ainda não possuem o menor conhecimento dos riscos e perigos que as cercam. Se não forem bem supervisionadas e se a casa onde moram não estiver preparada e dotada das principais medidas de prevenção, certamente acabarão se acidentando com uma frequência ainda maior. 

  • O ideal é que antes mesmo do bebê nascer (por volta da 32ª semana de gestação) os pais façam uma consulta com o pediatra. No encontro, além de falar sobre vários assuntos, como amamentação, vacinas, também devem discutir questões de segurança envolvendo as crianças, como: o transporte do bebê da maternidade para casa e dali por diante; a aplicação do conceito de casa segura; e as medidas de prevenção antecipadas para todos os ambientes que a criança vai frequentar. Além das informações que o pediatra fornecerá, o Departamento de Segurança da SBP publicou, em 2015, o livro Crianças e Adolescentes em Segurança (Ed. Manole), um guia completo que situa todas essas questões dos acidentes e aponta as medidas de prevenção.

  • Sobretudo, os pais devem adotar algumas atitudes, como supervisão constante e atenta; estar cientes dos perigos e riscos; e conhecer as fases do desenvolvimento de seu filho. Desse modo, podem, assim, se antecipar com a adoção de medidas corretas de prevenção, como a criação de uma casa segura, com o uso de equipamentos adequados. Não se esqueça: a criança ganha autonomia conforme cresce e logo terá a idade para reconhecer os riscos e perigos aos quais está sujeita. Até lá, a supervisão e a proteção nunca serão demais. 

  • Algumas intervenções combinadas podem ser bastante efetivas para garantir ambientes mais seguros, principalmente quando se associam supervisão, educação antecipada e legislação adequada. No que se refere à prevenção, os fatores relacionados abaixo, se combinados, obtêm melhores resultados:

    1)      Educação: envolve aumento do conhecimento dos riscos de acidentes numa variedade de configurações e fornecimento de informações e orientações de como minimizar esses riscos;

    2)      Ambiente: melhorias e adaptações no planejamento e no desenho das casas e áreas de lazer resultam em ambientes mais seguros;

    3)      Fortalecimento: a participação e envolvimento da comunidade pode gerar senso de compromisso mais forte. Iniciativas de prevenção influenciadas pela comunidade refletem melhor as necessidades locais e regionais e encorajam uma maior participação;

    Reforço: regulamentações e legislação para a segurança infantil existem para que os produtos tenham um desempenho razoável e novas residências atendam a um nível aceitável de segurança – mas devem ser sempre cobradas e reforçadas.

  • Sim. Determinados tipos de acidentes são característicos de certas idades. No primeiro ano de vida, predominam as asfixias e quedas, seguidas por queimaduras e aspiração de corpo estranho; a partir de dois anos de idade, as quedas lideram o ranking, seguidas por asfixias, queimaduras, afogamentos e intoxicações; em maiores de cinco anos, ocorrem mais quedas e traumas com fraturas ósseas, choques elétricos e as outras situações citadas acima.

  • Os períodos nos quais a incidência de acidentes cresce são durante as férias escolares, nos fins de semana e no verão, sempre no final da tarde e começo da noite. 

  • Os principais fatores de risco relacionados a estes eventos são: baixa idade (quanto menor a idade maior deve ser a vigilância e a educação para prevenção deve aumentar na medida do seu crescimento); o fato dos meninos serem particularmente inclinados a se arriscar mais e, expostos às situações de risco, são especialmente suscetíveis a se exibir e superestimar suas habilidades, especialmente quando estão com seus pares; moradias em mau estado de conservação, com lajes e terraços sem proteção; com cômodos pequenos; e instalações elétricas e de gás precárias. Além disso, há a baixa escolaridade dos pais ou cuidadores (relação direta com não saber reconhecer riscos potenciais em suas moradias ou em seu entorno e não implementar medidas de prevenção).

  • Não podem ser desconsideradas situações que influenciam a rotina das crianças e dos adolescentes, como quadros de doenças crônicas; perda de entes queridos; convívio em ambientes tensos e estressantes. Outro aspecto que deve ser levado em conta diz respeito à ritmo de vida na atualidade, onde a pressa, as distrações e a falta de familiaridade com o entorno e cercanias e moradias superlotadas aumentam as probabilidades de a criança sofrer acidentes. Outras situações, como crises de raiva e de ciúmes e a agitação e vontade de chamar a atenção podem contribuir para o aumento dos riscos. 

  • Nas residências, ou ambiente de uso corriqueiro, os locais mais frequentes, que representam maior risco e onde ocorrem lesões mais graves, são (em ordem decrescente): cozinha, banheiro, corredor, escada, quarto e sala. 

  • Sim. Do ponto de vista da segurança, todos os cômodos devem ser examinados em separado, dadas as suas particularidades. O primeiro a ser avaliado é a cozinha, por ser o lugar mais perigoso para a criança. É nela que ocorrem a maioria das quedas, queimaduras, lesões cortantes, lacerações e intoxicações. O segundo foco de atenção deve ser o banheiro, seguindo pelo corredor e escada. Após, deve ser dada atenção ao quarto das crianças, ao quarto do casal e à sala de estar. Finalmente, cabe também ter cuidados com a lavanderia, o jardim, a garagem e as varandas. A seguir, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio de seu Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente, oferece algumas orientações gerais, de acordo com os cômodos das residências. Sugerimos a leitura e a adequação dos espaços às indicações apresentadas abaixo.

  • 1)      Tomadas elétricas devem estar protegidas. A fiação deve estar em bom estado e fixada no alto e os fios precisam ficar presos e recolhidos;

    2)      As janelas devem ser protegidas por grades ou telas. Se forem do tipo basculante, a abertura deve estar limitada a 10 cm com corrente;

    3)      Nenhum móvel deve estar em baixo das janelas para desestimular tentativas de escalada e evitar quedas;

    4)      Os móveis devem ter cantos arredondados para evitar lesões e traumas;

    5)      Não fumar dentro de casa e nunca na cama;

    6)      Cortinas não devem ter puxadores para evitar enforcamento e circulação;

    7) As escadas devem ter portões ou cancelas (em cima e em baixo) para evitar quedas.

  • 1)      Deve contar com portão para impedir o acesso da criança, em especial no momento de preparo das refeições;

    2)      No momento de preparo de alimentos, utilizar os queimadores (bocas) da parte de trás do fogão;

    3)      Os cabos de panela devem estar virados para dentro e para trás;

    4)      Objetos cortantes (facas, garfos, pratos e copos de vidro) devem ficar fora do alcance, em gavetas e armários com travas;

    5)      Os materiais de limpeza devem estar em suas embalagens originais e fora do alcance, em armários altos e trancados;

    6)  botijão de gás precisa ser mantido do lado de fora da cozinha e as válvulas de liberação sempre fechadas.

  • 1)      Armários contendo cosméticos, medicamentos, aparelhos elétricos devem ficar no alto e trancados;

    2)      O piso deve ser mantido seco. Se tiver tapete, que seja antiderrapante;

    3)      O ambiente precisa ser bem ventilado, sendo que se houver aquecedor a gás, ele deve passar por controle periódico;

    4)      Aparelhos elétricos não devem ser mantidos nas tomadas ou ligados após o uso;

    5) A tampa do vaso sanitário deve ser mantida fechada e travada.

  • 1)      Essas áreas devem ser mantidas constantemente iluminados;

    2)      O piso deve ser antiderrapante, sem tapetes ou objetos que atrapalhem a circulação.

  • 1)      As camas devem ter largura de 80 cm a 1 metro, com proteções laterais e os espaços entre as grades devem ser de 5 a 7 cm para evitar que as crianças prendam a cabeça, mãos ou pés;

    2)      Cuidados semelhantes devem ser tomados com os beliches;

    3)      Cobertores e lençóis devem ser presos no pé da cama para evitar asfixia;

    4)      Evitar colocar TV e abajures;

    5) Os brinquedos devem ser acondicionados em caixas com tampas removíveis. No caso, os usados por crianças maiores precisam ficar em prateleiras mais altas, longe dos menores. 

  • 1)      TV e outros aparelhos colocados devem ser instalados sobre móveis firmes e estáveis;

    2)      Evitar usar a mesma tomada para dois ou mais aparelhos elétricos;

    3) Medicamentos, perfumes e cosméticos devem ser guardados em armários altos e trancados.

  • 1)      O espaço para a circulação precisa ser suficiente para todos;

    2)      É importante serem mantidas em ordem;

    3)      Os aparelhos eletrônicos devem ser deixados fora do alcance das crianças;

    4)      Bebidas alcoólicas, fósforos e isqueiros precisam ser acondicionados em armário alto e trancado;

    5)      Os móveis devem ter pontas rombas, sendo que as mesas precisam ser firmes, de material inquebrável e não ter objetos e enfeites pequenos que podem ser engolidos ou aspirados;

    6)      Evitar plantas ornamentais de fácil acesso;

    7) As portas de vidro devem estar sinalizadas e mantidas fechadas.

  • 1)      Produtos de limpeza, pesticidas, herbicidas, ferramentas e outros objetos devem ser mantidos em armários altos e trancados;

    2)      Baldes e bacias devem ser esvaziados após uso e mantidos em local alto;

    3)      O tanque de lavar roupa deve ter fixação adequada e não se deve deixá-lo cheio de água ou roupas;

    4)      A churrasqueira deve ter fixação adequada e mantida protegida e longe das crianças;

    5)      Não usar álcool líquido, pelo risco de queimaduras;

    6)      A piscina deve ter muro, cerca ou grades de proteção (em seus quatro lados) e portão com tranca alta, lona de cobertura e alarme;

    7)      Portões e portas de saída devem estar sempre fechados e trancados;

    8)      Deve ser realizada busca periódica de plantas venenosas ou tóxicas;

    9) Menores de 10 anos nunca podem andar sozinhos no elevador. 

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