Segurança na viagem com crianças

Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente 

  • Sim. Embora possa ser um desafio para os pais, viajar com crianças pode ser um evento bem divertido e deixar recordações agradáveis da infância e adolescência de seus filhos. Porém, para que estas lembranças não se tornem pesadelos, são necessários alguns cuidados especiais.

  • Os acidentes de trânsito representam a primeira causa de morte em crianças que viajam. Por isso, recomenda-se cuidados especiais para transportá-las de forma segura, em assentos adequados para idade e tamanho, que não podem ser esquecidos. Além disso, deve-se se ficar atento com os locais de visitação. Por exemplo, a segunda causa de morte em viajantes jovens são os afogamentos. Assim, para prevenir essas situações sugere-se que as crianças sejam supervisionadas atentamente o tempo todo e usem coletes salva vidas e sapatilhas/calçados apropriados para atividades aquáticas.

  • Além de ficar atento aos riscos possíveis, organize um pequeno checklist com providências que devem ser tomadas antes de embarcar no carro, ônibus, navio ou avião. Lembre-se: o planejamento prévio pode evitar dores de cabeça e ajudar a deixar apenas boas recordações de uma viagem. Assim, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio do seu Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente, faz as seguintes recomendações:
    1) Fazer consulta com o pediatra de 1 a 2 meses antes, sendo recomendável o mesmo com o dentista;
    2) Solicitar ao pediatra um relatório médico e histórico de vacinas e indicação de medicamentos, com destaque para antitérmico, antialérgico, antiemético, antisséptico, pomada para picadas, curativos adesivados, protetor solar, repelente e álcool em gel;
    3) Não esquecer as medicações de uso pessoal e contínuo;
    4) Rever e atualizar as vacinas (verificar as obrigatórias no local de destino e realizá-las com pelo menos 2 semanas de antecedência);
    5) Observar cuidados de prevenção para doenças infectocontagiosas (malária, parasitoses intestinais, tuberculose, dengue e outras arboviroses), sobretudo em áreas com menos infraestrutura;
    6) Orientar o adolescente sobre infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e situações impróprias, como abuso sexual e uso de álcool e drogas;
    7) Fazer um Curso Suporte Básico de Vida (BLS) antes da viagem, que pode ser útil em situações de emergência;
    8) Preparar a bagagem de modo meticuloso, evitando exageros e fazendo a criança ou adolescente participar ativamente;
    9) Não esquecer os documentos pessoais de todos, assim como o cartão do seguro/plano de saúde;
    10) Verificar se as mensalidades do seguro/plano de saúde estão em dia e qual sua cobertura, bem como identificar no local de destino onde fica o hospital mais próximo;
    11) Verificar a extensão da cobertura do seguro viagem;
    12) Avaliar e preparar as atividades relacionadas com a viagem, com atenção especial às crianças portadoras de doenças crônicas.

  • Para tentar prevenir determinadas situações, busque orientações com seu pediatra quanto à alimentação, higiene, horários para passeios, evitar ambientes muito cheios e fechados etc. É importante, assim que chegar, fazer uma varredura completa na área. Procure por perigos e riscos (objetos afiados, pedaços metálicos salientes). Verifique também o estado de janelas, portas, varanda, boxes, iluminação, fios elétricos e trancas. Solicite berço e banheira (verificar antes se são seguros) e faça os ambientes se tornarem “a prova de crianças”: cubra tomadas; trave gavetas e vasos sanitários; remova copos, facas, fósforos, isqueiros, máquinas de café, cosméticos, produtos de higiene e limpeza.

  • As crianças devem estar orientadas a não abrir portas se não tiver um adulto por perto. Além disso, as atividades dos filhos deverão ser supervisionadas por um adulto. Procure saber quem ficará com as crianças, qual o preparo de monitores e quais as atividades por faixa etária e em que ambientes ocorrerão. Identifique ainda os lugares onde vão se alimentar e brincar, buscando informações sobre sua limpeza, manutenção, medidas de segurança e supervisão. Procure saber também como são as áreas de lazer (de que materiais são os pisos, como são os brinquedos – do que são feitos – de que material são feitos, distância entre eles, divididos por idades). Registre-se que os perigos locais devem ser avaliados (área rural, praia, metrópole, ecoturismo, esportes radicais) e os adolescentes precisam ser orientados sobre uso de álcool e drogas ou eventual atividade sexual sem proteção. Não se deve perder o foco, pois, apesar das férias, não se pode ignorar aspectos de segurança e proteção dos mais jovens, o que inclui atenção com transporte seguro, segurança na água, proteção do sol, proteção geral contra doenças e contra acidentes.

  • Durante viagens (de carro, avião, trem, navio e etc.), mesmo em trajetos curtos, podem surgir sintomas que causam mal-estar entre os passageiros. No entanto, alguns desses quadros, com seus sinais e sintomas, podem ter seus efeitos reduzidos com a adoção de medidas simples. Leia as dicas a seguir, preparadas por especialistas da SBP:

    1) Desconforto nas orelhas: pode ocorrer em todos, durante o voo, na decolagem e no pouso, devido à pressão na orelha média enquanto tenta manter a pressão do ar, que está em rápida mudança. Para reduzir o efeito, as crianças devem ser encorajadas a engolir, bocejar ou mascar chiclete (só em idade apropriada!). Bebês podem ser amamentados ou sugar mamadeira para auxiliar a manter o ajuste de pressão nas orelhas.

    2) Enjoo do viajante: causado pelo “conflito” entre o olho e a orelha (a orelha interna detecta o movimento, mas os olhos não, por estarem focados no carro ou em outro veículo). Estes sinais mistos chegam ao cérebro e podem causar náusea, tontura, vômitos, palidez e suor frio. Para prevenir este mal-estar, sugere-se fazer refeição leve antes de sair, ingerir alimentos de fácil digestão e evitar gorduras e comer durante viagens curtas. Se o enjoo começou a se manifestar na criança ou adolescente, ofereça cream crackers e procure fazer paradas frequentes; estimule-os a olhar para fora do carro, tentando focalizar num objeto que esteja parado e mantendo a janela aberta, sendo que um encosto de cabeça pode minimizar os movimentos.

    3) Jet Lag: pode ser sentido após viagens de longa duração, quando leva um tempo para o relógio interno recuperar o atraso. Os sintomas são de cansaço, porque o corpo ficou acordado por mais tempo que o normal, desconforto gástrico e até insônia. Para lidar com isso, tentar ajustar os horários de sono da família uns 2-3 dias antes, descansando bastante antes da viagem; e dormir o quanto puder durante o voo. Durante o deslocamento, alongar o corpo regularmente e andar pelo corredor do avião. Após a chegada, realizar atividades externas, em locais iluminados e aproveitar a luz do dia, seguindo o horário local do destino. Inclusive, tentar manter as crianças acordadas até o horário que costumam ir dormir.

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