Departamentos de Neurologia e Medicina da Dor e Cuidados Paliativos publicam documento sobre o uso da Cannabis em pacientes pediátricos

 As indicações para o uso da cannabis em pacientes pediátricos é o tema do novo documento científico produzido pelos Departamentos Científicos de Neurologia e de Medicina da Dor e Cuidados Paliativos da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Uma das maiores preocupações com o uso do canabidiol e de outros canabinoides na população pediátrica é acerca do potencial dano no cérebro em desenvolvimento, fato já evidenciado em estudos pré-clinicos. 

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De acordo com a publicação, ainda são necessários mais estudos, com método adequado (reproduzível) e com maior número de participantes para definir o papel da cannabis medicinal na prática pediátrica, assim como sua segurança e eficácia. “No momento atual as maiores evidências concentram-se no seu benefício para utilização em crianças e adolescentes com formas graves de epilepsias. Para Transtorno do Espectro Autista (TEA), esclerose múltipla, espasticidade e dor, as evidências são baseadas em estudos observacionais e relatos de caso. Os pediatras sempre agindo no melhor interesse de seus pacientes devem ter certeza de que qualquer medicamento prescrito deve ser seguro e eficaz”, enfatiza o texto. 

O termo “cannabais medicina” é amplo e pode ser aplicado para qualquer tipo de medicamento à base de cannabis. O tema tem disso cada vez mais estudado e pesquisado, a fim de buscar novos medicamentos que possam ser usados para aliviar sintomas que não respondem a terapêuticas tradicionais e que causam muito sofrimento para crianças, adolescentes e a suas famílias. 

Entre os sintomas estão a dor crônica de difícil controle e crises convulsivas, vômitos e náuseas após quimioterapia, anorexia e caquexia associada a Síndrome da Imunodeficiência adquirida (SIDA) e ao câncer.  No entanto, existem ainda poucos estudos com método científico robusto e uma necessidade de ainda mais pesquisas acerca do tema para que seu uso seja feito com segurança. 

USOS NA PEDIATRIA – Estudos envolvendo o uso de canabinoides em diversas doenças vêm sendo realizados. Contudo, as evidências de potenciais benefícios, até o momento, ainda são limitadas. Entre as doenças que tem relação com a pediatria estão a epilepsia, o TEA, além de outras doenças neuropsiquiátricas e a dor crônica. 

Segundo o texto, existem modelos teóricos e estudos com animais que demonstram benefícios em ansiedade, depressão, esquizofrenia, transtornos relacionados ao sono e transtornos por uso de substância. “Apesar disso, poucos estudos clínicos foram adequadamente realizados para avaliar a eficácia e a segurança em tais condições, especialmente em crianças e adolescentes”, diz parte do documento.

Em relação à espasticidade e distúrbios do movimento – distúrbio do controlo sensório-motoro caracterizado por ativação muscular involuntária, causando com exacerbação dos reflexos miotáticos-fásicos e redução da força muscular – os relatos do uso do cannabis em crianças e adolescentes ainda está limitado a pequenos estudos abertos, sem grupo controle, ou série de casos. 

“Desta forma, pode-se dizer que em distúrbios do movimento e espasticidade, apesar de resultados promissores em algumas séries ou relatos de casos, ainda não existem estudos robustos com evidências para a indicação formal em pediatria”, enfatiza o texto. 

RISCOS E EFEITOS COLATERAIS– Ainda não são claros quais os riscos do uso de produtos e cannabis que possuem THC. “Os produtos ‘puros” que contêm apenas CBD, como Epidiolex ®, não apresentam esses riscos desconhecidos relacionados ao THC. Mas, na realidade, a maioria dos produtos conterá uma certa quantidade de THC. Quanto mais THC o produto contenha, maiores são esses riscos”, explica. 

Entre os principais riscos dos produtos de cannabis THC estão a psicose precoce, esquizofrenia, aumento do comportamento impulsivo, transtorno bipolar de início precoce, alucinações, aumento da depressão, aumento do suicídio, e agravamento do transtorno de estresse pós-traumático. Os principais efeitos colaterais são diarreia, fraqueza, mudança comportamental ou de humor, tontura, cansaço, alucinações e pensamentos suicidas. 

Além disso, os cientistas acreditam que o risco de dependência do medicamento seja provavelmente pequeno quando seu uso for controlado e monitorado por um médico especialista.

O Departamento Científico (DC) de Neurologia é composto pelos drs. Magda Lahorgue Nunes (presidente); Sérgio Antoniuk (secretário); Magda Lahorgue Nunes; Sergio Antonio Antoniuk; Marcio Moacyr de Vasconcelos; Silvia Maria Lima Lemos; Eduardo Jorge Custodio da Silva; Jaime Lin; e Valeria Loureiro Rocha. 

O DC de Medicina da Dor e Cuidados Paliativos é formado pelos drs. Simone Brasil de Oliveira Iglesias (presidente); Sílvia Maria de Macedo Barbosa (secretária); Silvia Maria de Macedo Barbosa; Neulanio Francisco de Oliveira; Ivete Zoboli, Lara de Araújo Torreão; Beatriz Elizabeth B. Veleda Bermudez; Mariana Bohns Michalowski; e Poliana Cristina Carmona Molinari. O documento contou ainda com a colaboração das dras. Camila Halal e Carlota Vitória Blassioli Moraes.

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