Especialistas participam de Congresso virtual Itinerante de Pediatria

Com o objetivo de atualizar os médicos, em especial os pediatras, acerca dos assuntos mais importantes para o seu cotidiano no consultório, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) participou da terceira edição do Congresso Itinerante de Pediatria: Virtual Edition, promovido pela GSK. Na oportunidade, estiveram presentes a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva, os presidentes do Departamentos Científicos de Infectologia e Pediatria Ambulatorial, drs. Marco Aurélio Sáfadi e Tadeu Fernando Fernandes, respectivamente.

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Em sua explanação, dra. Luciana abordou a missão da SBP em compartilhar o máximo possível de conhecimento a fim de beneficiar as crianças e os adolescentes brasileiros. Na oportunidade, ela também prestou homenagem aos pediatras que estão trabalhando na linha de frente de combate à COVID-19 e aqueles que continuam cuidando tão atentamente de seus pacientes.

“O mês de julho é especial, porque é quando temos o Dia do Pediatra. A SBP, mesmo enfrentando esse novo normal, pretende presentear o pediatra com uma série de ações. Enfrentamos um momento muito difícil desde o início do ano com essa grave pandemia, que cada vez traz notícias mais difíceis”, enfatizou a presidente, ao lembrar dos profissionais morreram durante os últimos meses.

CONSULTÓRIO – Dr. Tadeu Fernando Fernandes abordou a questão da retomada da rotina pediátrica nos consultórios com segurança para os profissionais, crianças, adolescentes e seus familiares. Entre os temas destacados, estão a importância do agendamento das consultas e o treinamento das secretárias.

“Teremos que ter espaço para a puericultura e monitorar o crescimento, o desenvolvimento, as vacinações da criança. No entanto, os horários da puericultura não podem mais ser juntos ou intercalados com as consultas eventuais de febre, tosse, síndrome gripal, diarreia”, explicou o dr. Tadeu.

É importante que os pediatras dividiam sua agenda entre horário para puericultura, e, depois, sejam realizadas as consultas eventuais, que fazem parte da rotina do pediatra. Deve-se evitar aglomerações e as secretárias devem ser orientadas sobre como conduzir a triagem de sinais e sintomas no agendamento das consultas.

Em relação à sala de espera, dr. Tadeu enfatizou que deve ser clean, com clima de limpeza, com móveis laváveis e sem brinquedos, e o banheiro deve ter toalhas descartáveis e álcool gel. Assim, é possível dar segurança ao paciente para que ele se sinta tranquilo e seguro no consultório. Nesse sentido, é preciso também que haja o bom senso na quantidade de acompanhantes na consulta de puericultura, tem que haver o uso obrigatório de máscara, a oferta de álcool gel na entrada e a limpeza após cada consulta.

NOVO NORMAL – A segunda parte da live foi dedicada a responder alguns tópicos e perguntas enviadas pelos internautas acerca do “novo normal” enfrentado pelo pediatra. Entre os temas presentes, estiveram o papel das crianças na transmissão da COVID-19 e volta às aulas, que tem sido muito discutido em todo o mundo.

Conforme dr. Marco Aurélio explicou, o principal mecanismo de transmissão do vírus são as gotículas respiratórias ao falar, ao tossir ou ao espirrar e as pessoas que estão em um raio de um a dois metros podem se contaminar dessa forma. Há também evidência de transmissão por fômites e, por isso, a importância de higienização das mãos.

“Novidade que temos é alguma evidência sugerindo que a transmissão por aerossol, que são as micropartículas e que podem ficar suspensas no ar, também teriam um papel na transmissão. Contudo, é importante destacar que o papel mais importante nessa transmissão é por gotículas respiratórias. Nesse sentido, o uso das máscaras tem sido crucial para mitigar o risco de exposição ao vírus, por isso, esse uso, sempre que possível, deve ser estimulado”, destacou.

O pediatra disse também que as crianças têm, sem dúvida alguma, uma vez infectadas, menos chances de complicações menos risco de morte e de hospitalização. Havia uma dúvida se elas se infectavam menos que os grupos etários mais velhos e as evidências sugerem isso. Além disso, não são vetores de transmissão tão importantes como havia uma suposição baseada nas experiências com outros vírus respiratórios, como o da influenza.

“Em resumo, as crianças se infectam menos, tem formas menos graves e as experiências nas escolas da Irlanda, Suécia, Noruega, Dinamarca e Austrália mostram que elas transmitem também menos o vírus, até porque fazem mais formas assintomáticas. Isso cria um cenário para que a gente discuta o retorno das crianças às escolas”, disse.

Nesse sentido, os pediatras debateram sobre a volta às aulas, sobre seus prós e contras, o que deve ser levado em conta quando se pensa nessa retomada, quais podem ser as perdas que as crianças podem ter em seu desenvolvimento com esse afastamento da escola, especialmente as menores, e a quais riscos elas podem estar expostas dentro de casa durante todo esse tempo. Além de reforçarem também a situação de desigualdade social brasileira e como tem se dado esse acesso ao computador e à internet.

Dr. Marco Aurélio destacou ainda que a volta às escolas em um país tão continental como o Brasil e com situações epidemiológicas tão díspares nesse momento é algo que vai ser considerado naqueles locais onde há uma inequívoca diminuição nas taxas de incidência de mortes de maneira consistente durante semanas. "Uma das lições dessa pandemia é que as medidas não podem ser implementadas de uma vez só para o País inteiro. Essa modulação das escolas vai ter que ter com respaldo uma informação epidemiológica local para que os municípios decidam. Além disso, vai ser preciso uma vigilância nessas escolas, que permite identificar e rastrear os casos, uma vez que eles eventualmente surjam, para que possamos tomar as medidas de controle de maneira eficaz”, explicou.


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