Membro do DC de Segurança da SBP aborda o manejo sintomático de doenças febris no podcast da revista Residência Pediátrica

A revista Residência Pediátrica (RP) convidou dr. Danilo Blank, do Departamento Científico de Segurança da Criança e do Adolescente, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), para falar sobre o manejo sintomático de doenças febris em crianças. O podcast foi exibido nesta quinta-feira (20).

“A febre é o sintoma clínico mais comum que se apresenta ao pediatra, correspondendo a cerca de 1/3 de todas as consultas. Porém, não se trata de uma doença. Segundo nos mostra a ciência, a febre é uma resposta regulada do corpo a uma determinada infecção inflamatória. Em crianças, quase sempre é uma infecção viral que passa sozinha”, explicou o especialista.

OUÇA AQUI A ÍNTEGRA DO PROGRAMA.

No programa, Dr. Danilo disse que a febre é um componente de reação de fase aguda do corpo e é uma resposta amplamente presente no reino animal, com claros benefícios de sobrevivência por meio da ativação de sistemas imunológicos. “Entre outros, promove a migração de neutrófilos, a proliferação de células T e a atividade do interferon, além de retardar a interferência de microrganismos e incluir a elevação de temperatura corpórea acima da variação de área normal”, observou.

Segundo dr. Danilo, não há nenhuma evidência sugerindo que a temperatura elevada em si represente qualquer ameaça a uma criança saudável, exceto no evento extraordinariamente raro em que ela sobe acima de 41,7 graus centígrados. O médico advertiu que a febre pode causar algum desconforto, como dores musculares, irritabilidade, mal-estar, anorexia.

“Porém é preciso lembrar que qualquer droga antitérmica só alivia a dor e baixa a temperatura, não interferindo nos demais sintomas. É aí que médicos e pacientes devem pensar juntos sobre a febre, pois ela frequentemente leva a consultas de urgência desnecessárias, mensagens ansiosas no Whatsapp, e ao uso excessivo e indiscriminado de drogas antipiréticas dadas por conta própria pela família ou prescritas de modo inadequado pelos médicos, ocasionando riscos de efeitos adversos às drogas e estresse desnecessário”, frisou.

ESTUDO – Dr. Danilo contou que em estudos atuais há um consenso internacional entre os especialistas de que frente a uma criança com quadro febril há três recomendações: 1º - afastar infecção bacteriana grave, mediante sinais como infecção geral, letargia, irritabilidade excessiva, ausência de sorriso, pele muito pálida, choro inconsolável, respiração ofegante e duração da febre superior a três dias; 2º - preocupar-se com o desconforto da criança em vez da temperatura em si; 3º - evitar o uso excessivo de antipiréticos e utilizar apenas uma das duas drogas mais comuns: acetaminofeno ou ibuprofeno (jamais combinando-as).

“Apesar disso, estudos demonstram que, ainda hoje, seja em países pobres ou ricos, a fobia da febre persiste, com cerca de 80% de frequência de uso de drogas antipiréticas. E pior: mais da metade dos pais afirmam dar remédio para abaixar a temperatura e não por causa do desconforto da criança. O hábito errado de usar duas drogas antitérmicas associadas melhorou um pouco na última década, mas mesmo assim cerca de 1/3 dos pais ainda incorrem nesse erro”, destacou.

O especialista disse ainda que os autores enfatizam a necessidade de desdramatizar a febre lançando mão de todos os meios de comunicação hoje disponíveis, tais como campanhas nos meios eletrônicos, aplicativos de telefones celulares, além da televisão e os tradicionais folders nos serviços de saúde.

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