Publicado/atualizado: dezembro/2025
Departamento Científico de Genética
Dra Patricia Salmona
Sim, o cuidado pediátrico deve ser longitudinal, ampliado e integrado. O pediatra atua como coordenador do cuidado (maestro da orquestra), articulando a equipe multidisciplinar com base nos protocolos de acompanhamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Sociedade Brasileira de Genética Médica (SBGM), por exemplo.
O cariótipo com bandeamento G confirma o diagnóstico e define o mecanismo cromossômico (trissomia livre, translocação Robertsoniana, ou mosaicismo).
Essa informação é essencial para o aconselhamento genético familiar e para identificar chance de recorrência de um outro filho com T21 para esse casal.
Deve-se assegurar rastreamento para:
Cardiopatias congênitas (presente em 50%)
Disfunções tireoidianas (25%)
Alterações auditivas e visuais,
Doenças hematológicas
Respiratórias e
Ortopédicas
O protocolo da SBP (2024) recomenda:
Ecocardiograma neonatal (ou no diagnóstico)
TSH e T4 livre ao nascimento e anualmente
Avaliação auditiva semestral até 2 anos, depois anual
Avaliação oftalmológica anual
Ultrassom de abdome total anual
Hemograma, vitamina D e ferritina anuais
Vitaminas e outros exames, conforme orientação do pediatra
Exame odontológico precoce e semestral
Lembrete: deve-se fazer rastreio de doença celíaca, a partir de 2 anos de idade.
E rastreio da síndrome da apneia obstrutiva do sono, por volta dos 4 anos de idade ou na suspeita clínica
Sim, o manejo nutricional deve considerar hipotonia orofacial, refluxo gastroesofágico, tendência à obesidade e à constipação intestinal.
A SBP e a SBGM recomendam uso de curvas de crescimento específicas (CDC/Down), acompanhamento com nutricionista, se for necessário e, considerado muito importante, acompanhamento com fonoaudiólogo.
Pode ser necessária prescrição de micronutrientes, como zinco, folato, colina, selênio, ômega-3 (DHA) e outros, se houver deficiência destes elementos.
Alguns marcos motores e de linguagem tendem a ser mais lentos, mas com intervenção precoce multiprofissional (fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, psicologia e outros) o prognóstico é amplamente positivo.
A estimulação global precoce, em ambiente familiar afetuoso e estruturado, é reconhecida como intervenção epigenética não farmacológica de muito sucesso, modulando a plasticidade neural.
Deve-se sempre investigar apneia obstrutiva do sono, prevalente em até 50% dos pacientes, devido a hipotonia de vias aéreas, diminuição terço médio facial, braquicefalia, palato em ogiva e pseudomacroglossia (condição em que a língua tem tamanho normal, mas parece grande devido a fatores anatômicos, como mandíbula pequena, palato estreito e alto ou hipotonia muscular) relativa.
Alguns protocolos de acompanhamento incluem o exame de polissonografia (estudo que monitora diversas funções do corpo durante o sono -atividade cerebral, oxigenação, respiração, movimentos oculares e musculares), a ser realizado até os de 4 anos de idade e, quando necessário, realizar nasofibrolaringoscopia, oximetria de 12 hs noturna e acompanhamento com otorrinolaringologista.
Pode sim, na verdade é uma imunodesregulação, onde a imunidade celular e humoral estão levemente alteradas, levando à maior suscetibilidade de infecções, especialmente as respiratórias.
Manter calendário vacinal completo, incluindo vacinas especiais.
Até por isso indica-se que, aos 2 anos de idade, deve-se verificar a soroconversão vacinal (fazer testes sorológicos no sangue, para saber se o organismo produziu anticorpos específicos em resposta a uma ou mais vacinas, para garantir a imunização correta dessas crianças).
Há prevalência aumentada de TEA (15%) e TDAH (até 15%) em indivíduos com T21.
O diagnóstico requer avaliação multiprofissional para diferenciar de atrasos globais de desenvolvimento.
Deve-se orientar intervenção precoce com terapia comportamental com ênfase em comunicação social, atenção e regulação emocional, essenciais no acompanhamento.
Deve-se estimular a autonomia progressiva, a inserção escolar precoce e a participação social.
A neuroplasticidade dependente de experiências é fundamental: quanto mais rica a exposição ambiental e afetiva, melhores os desfechos cognitivos e comportamentais.
Fazer com que essas crianças tenham vivências, experiências concretas (não digitais ou muito abstratas), abrir o leque de oportunidades para enaltecer as aptidões.
Sim, a criança com síndrome de Down tem direito e indicação de frequentar o ensino regular, conforme garantido pela Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e pela Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (MEC, 2008). A inclusão escolar é fundamental para o desenvolvimento global, social e cognitivo, desde que acompanhada de um plano educacional individualizado (PEI) e de adaptações curriculares que respeitem o ritmo e o perfil de aprendizagem da criança.
De acordo com o Departamento Científico de Genética da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o pediatra deve orientar e apoiar a família nesse processo, ressaltando que o convívio com pares típicos estimula a linguagem, a autonomia e as habilidades sociais. Entretanto, o sucesso da inclusão depende da capacitação da equipe escolar, da presença de um mediador ou profissional de apoio quando necessário e do acompanhamento multiprofissional contínuo (fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicopedagogo, entre outros).