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Deficiência de G6PD

Publicado/atualizado: dezembro/2025

Dr. Carlos Artur Costa Moraes

Dr. Célia Martins Campanaro

Departamento Científico de Hematologia e Hemoterapia

  • O que é G6PD e o que significa a deficiência de G6PD?

A G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase) é uma enzima que existe dentro dos glóbulos vermelhos, as células que transportam o oxigênio no sangue. Ela ajuda essas células a produzirem energia e também a se protegerem contra situações que podem causar danos, como algumas infecções ou contato com certas substâncias.

A deficiência de G6PD é uma condição genética, ligada ao cromossomo sexual X, ou seja, passada de pais para filhos, em que o corpo produz essa enzima em menor quantidade ou com funcionamento diferente do normal. Isso faz com que os glóbulos vermelhos fiquem mais frágeis e possam se romper com mais facilidade, causando anemia, principalmente em situações de estresse para o organismo.

  • A deficiência de G6PD é comum?

Sim. É uma das alterações genéticas mais frequentes no mundo, afetando mais de 400 milhões de pessoas. No Brasil, em média, 3 a 4 em cada 100 recém-nascidos têm essa condição. Em algumas regiões do Norte e Nordeste, esse número pode ser ainda maior, chegando a 6 ou 7 em cada 100.

  • Como é feito o diagnóstico da deficiência de G6PD?

Na maioria dos casos, a deficiência de G6PD pode ser descoberta pelo teste do pezinho ampliado, feito nos primeiros dias de vida do bebê. Esse exame ajuda a identificar a condição cedo, antes que apareçam complicações.

Se o teste não for realizado, o diagnóstico pode ser feito em qualquer idade, por meio de exames de sangue específicos, principalmente quando surgem sintomas ou há suspeita durante uma avaliação médica. 

  • Como a deficiência de G6PD se manifesta?

A maior parte das pessoas com deficiência de G6PD nunca apresenta sintomas ao longo da vida. Muitas vezes a condição só é descoberta por acaso, em exames de rotina.

Quando aparecem problemas, eles acontecem em forma de crises de destruição dos glóbulos vermelhos (chamadas crises hemolíticas), que podem causar anemia e icterícia (pele e olhos amarelados).  

  • Quais são os sintomas de uma crise hemolítica?

Durante uma crise hemolítica, os principais sinais e sintomas que podem aparecer são:

Pele e olhos amarelados (icterícia)

Urina escura (cor parecida com chá preto)

Palidez súbita

Cansaço intenso e fraqueza

Falta de apetite

Barriga aumentada, por causa do crescimento do baço ou do fígado

Esses sintomas exigem avaliação médica imediata, pois a criança pode precisar de acompanhamento ou tratamento urgente.

  •  O que pode desencadear uma crise?

As crises podem acontecer após infecções, uso de alguns medicamentos, contato com corantes como a hena ou ingestão de certos alimentos, como a fava.

Por isso, quem tem deficiência de G6PD deve evitar essas substâncias.

Existem listas oficiais com medicamentos e produtos proibidos ou que devem ser usados com cuidado. O médico deve orientar à família.

  • Ter deficiência de G6PD significa estar sempre doente?

Não. A maioria das pessoas com deficiência de G6PD nunca apresenta sintomas e pode ter uma vida saudável. O mais importante é evitar os fatores que provocam crises. Com esses cuidados simples, é possível viver normalmente. Devem ser estimulados a levar uma vida com suas rotinas normalmente, incluindo escola, esportes, brincadeiras, atividades físicas, trabalho e vida social.

  • A deficiência de G6PD tem cura ou pode ser prevenida?

Não existe cura nem como prevenir o surgimento da deficiência, pois ela é genética, ou seja, herdada dos pais.

Mas o diagnóstico precoce faz toda a diferença: com acompanhamento médico e evitando os fatores de risco, é possível prevenir as complicações e garantir qualidade de vida desde os primeiros meses de vida.

  • Crianças com deficiência de G6PD podem tomar vacinas?

Sim. Todas as vacinas do calendário de rotina podem e devem ser aplicadas normalmente. A deficiência de G6PD não interfere na eficácia nem na segurança das vacinas.

  • Como os pais podem cuidar de uma criança com G6PD?

Os principais cuidados são:

Informar sempre aos médicos e dentistas que a criança tem a condição.

Aprender a reconhecer os sinais de uma crise hemolítica (como urina escura, pele amarelada, palidez e cansaço) e procurar atendimento médico imediato caso eles apareçam.

Levar a criança às consultas regulares com o pediatra ou hematologista para acompanhamento.

Manter consigo a lista de medicamentos e substâncias proibidas para evitar riscos no dia a dia e sempre levar quando for às consultas de rotina e de emergências de qualquer profissional da área de saúde.


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