Publicado/atualizado: dezembro/2025
Dra. Heloisa Galvão do Amaral Campos
Grupo de Trabalho de Cirurgia Pediátrica
As anomalias vasculares são alterações nos vasos sanguíneos que podem estar presentes desde o nascimento ou surgir ao longo da vida. Segundo a Sociedade Internacional para o Estudo de Anomalias Vasculares, dividem-se em dois grupos: tumores vasculares, como os hemangiomas, que crescem rapidamente após o nascimento e podem regredir espontaneamente; e as malformações vasculares, que não regridem e persistem por toda a vida. O hemangioma da infância é o tumor benigno mais comum em crianças, manifestando-se como manchas avermelhadas ou arroxeadas que evoluem nos primeiros meses de vida. Já as malformações vasculares são alterações estruturais dos vasos e podem envolver capilares, veias, artérias ou vasos linfáticos. Diferenciar essas condições é essencial para garantir diagnóstico correto e tratamento adequado.
Ao menor sinal da lesão, é essencial procurar um especialista. O tratamento medicamentoso com propranolol oral é altamente eficaz. Em alguns casos, pode ser complementado com sessões de dye laser (tipo de laser usado para tratar condições de pele relacionadas a vasos sanguíneos e para eliminar vasos sanguíneos residuais na pele ou mucosa). A cirurgia não é a primeira escolha e deve ser reservada para a correção de cicatrizes ou deformidades estéticas residuais.
A cirurgia pode ser recomendada quando há sintomas ou comprometimento funcional. A vascularização superficial da pele pode ser tratada com dye laser, contribuindo para o refinamento estético em ambos os casos.
Trata-se de uma lesão vascular de crescimento rápido, com tendência a sangrar facilmente. A remoção é necessária, e a cirurgia é um tratamento eficaz e seguro, geralmente realizada com anestesia local. Lesões pequenas podem ser tratadas com cauterização ou com dye laser, dependendo da localização e profundidade. A avaliação precoce é fundamental para garantir um resultado estético adequado. O atendimento especializado contribui para uma abordagem precisa e segura.
Trata-se de um tumor vascular raro e agressivo, que pode causar um distúrbio grave de coagulação. No passado, a mortalidade era elevada, mas o uso de corticosteroides e vincristina já havia melhorado significativamente as chances de cura. Atualmente, o tratamento mais eficaz é feito com sirolimo, uma medicação moderna que atua diretamente na biologia do tumor. A abordagem deve ser conduzida em centros especializados, com equipe multidisciplinar experiente. Apenas uma biópsia pode ser necessária para confirmar o diagnóstico.
A mancha vinho do porto é uma malformação capilar que acomete pele e mucosas — não precisa de cirurgia. A abordagem mais eficaz são as sessões de dye laser, especialmente quando iniciadas logo após o nascimento, período em que os resultados são mais consistentes e duradouros.
São crescimentos benignos formados por vasos linfáticos que se agrupam e contêm líquido linfático, formando cistos ou canais. O manejo inicial delas deve ser minimamente invasivo e inclui: 1) aplicação dentro da lesão (intralesional) de substâncias, que são muito eficazes; 2) terapia com medicamentos indicados em casos complexos. Essas abordagens evitam procedimentos mutilantes. A cirurgia está indicada apenas em situações de obstrução grave das vias aéreas ao nascimento, no intuito de criar passagem do ar pela traqueia (traqueostomia) ou de alimentos para o estômago (gastrostomia).
As MAVs são como “emaranhados” anormais de vasos sanguíneos (artérias e veias), que podem causar problemas nas conexões entre elas. As MAVs mais frequentes ocorrem na medula espinhal e no cérebro, mas podem se desenvolver em outras partes do corpo. Sua presença já indica tratamento, antes do surgimento de dor, ulceração, sangramento ou deformidade progressiva. A intervenção precoce evita complicações irreversíveis e melhora os resultados clínicos.
Envolvem combinações de componentes capilar, linfático, venoso e arterial, exigindo abordagem individualizada. O tratamento depende dos componentes vasculares envolvidos e pode incluir uma ou mais terapias: medicamentosa, laser, aplicação de substâncias, cirurgia e embolização arterial. A escolha terapêutica deve considerar o tipo, gravidade e localização da lesão.
O atendimento das anomalias vasculares requer equipe multidisciplinar com precisão diagnóstica e expertise no tratamento. Centros de referência devem reunir especialistas em dermatologia, hematologia, genética, cirurgia pediátrica, cirurgia plástica, cirurgia vascular, radiologia intervencionista e neurorradiologia. Serviços de anatomia patológica e de genômica são essenciais para garantir precisão no diagnóstico e na escolha do melhor tratamento.