Publicado/atualizado: novembro/2025
Luanna Lages (PI), Crésio Alves (BA)
Departamento Científico de Endocrinologia
- São um tipo de gordura presente no sangue e armazenada no corpo como reserva de energia. Eles se originam principalmente da alimentação (açúcares e gorduras) e da produção pelo fígado.
Quais são os valores normais de triglicerídeos em crianças e adolescentes?
Em jejum:
0 a 9 anos: até 75 mg/dL
10 a 19 anos: até 90 mg/dL
Sem jejum:
0 a 9 anos: até 85 mg/dL
10 a 19 anos: até 100 mg/dL
- Hipertrigliceridemia é a condição na qual os níveis de triglicerídeos no sangue estão acima do normal para a idade. Embora sejam importantes para fornecer energia, quando elevados podem prejudicar a saúde.
A hipertrigliceridemia pode ser genética (mais rara) ou adquirida. A principias causas de hipertrigliceridemia adquirida são: consumo de grandes quantidades de carboidratos (refrigerantes, sucos, pães, massas refinadas), sobrepeso ou obesidade, síndrome metabólica, resistência à insulina, diabetes melito mal controlado, doença renal, hipotireoidismo e medicamentos (betabloqueadores, diuréticos tiazídicos). As principais causas de hipertrigliceridemia de origem genética são: hiperquilomicronemia familiar, hipertrigliceridemia familiar e as lipodistrofias.
Sim. Existem formas congênitas e genéticas de hipertrigliceridemia, nas quais o bebê já apresenta níveis altos desde cedo.
Geralmente não. Raramente, podem apresentar acúmulo de gordura na pele, sob a forma de pápulas vermelhas geralmente localizadas em cotovelos, joelhos e ao redor dos tendões (xantomas); ou placas amareladas nas pálpebras devido ao acúmulo de gordura (xantelasmas). Em casos graves, pode ocorrer dor abdominal, náusea e vômito causados pela inflamação do pâncreas (pancreatite).
O diagnóstico é feito pela dosagem do perfil lipídico (colesterol total e frações e triglicérides) em exames de rotina ou quando houver uma condição que aumente o risco de hipertrigliceridemia (história familiar, hipotireoidismo). Embora o rastreamento da hipertrigliceridemia possa ser feito pela dosagem sem jejum; para confirmar o diagnóstico ou acompanhar o tratamento, é indicado coletar a amostra de sangue em jejum.
A curto prazo: quando os triglicérides estão acima de 500–1000 mg/dL, pode ocorrer inflamação do pâncreas (pancreatite)
A longo prazo: aumenta risco de doenças cardiovasculares e metabólicas, maior risco de diabetes melito tipo 2 e depósito de gordura no fígado (esteatose hepática)
O tratamento da hipertrigliceridemia consiste em mudanças do estilo de vida: reduzir o consumo de carboidratos simples (bebidas adocicadas, pães, massas refinadas), gordura e frituras; aumentar o consumo de fibras (cereais integrais, legumes, vegetais) e peixes ricos em ômega-3 (salmão, atum); e praticar atividade física pelo menos 1 hora/dia. Em casos de doenças que causem hipertrigliceridemia, direcionar o tratamento para sua correção (controle glicêmico no diabetes, reposição de hormônio tireoidiano no hipotireoidismo, perda de peso na obesidade). Em algumas situações, podem ser usados medicamentos para diminuir os triglicérides.
O uso de medicamentos para tratamento da hipertrigliceridemia está indicado em casos graves, ou que não respondam a mudanças do estilo de vida, nem a correção da doença de base. Alguns desses medicamentos são:
Fibratos (ex.: fenofibrato, bezafibrato, gemfibrozil): inibem a síntese hepática e aumentam o metabolismo do colesterol-VLDL, aumentam o metabolismo dos triglicerídeos.
Ácidos graxos ômega-3 (EPA/DHA): diminuem a síntese de triglicerídeos pelo fígado.
Niacina (ácido nicotínico): reduz triglicerídeos e colesterol-LDL.
Estatinas (ex.: atorvastatina, rosuvastatina, sinvastatina): reduzem o colesterol-LDL e os triglicerídeos.