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Novo conteúdo internacional da residência em pediatria chega a mais instituições

Reportagem 28/01/2016
Os diretores da SBP, Sandra Grisi e Dioclécio Campos Jr., em maio de 2015, com preceptores e residentes dos programas de Florianópolis – o Hospital Infantil Joana de Gusmão e o Hospital Universitário da UFSC.
Os diretores da SBP, Sandra Grisi e Dioclécio Campos Jr., em maio de 2015, com preceptores e residentes dos programas de Florianópolis – o Hospital Infantil Joana de Gusmão e o Hospital Universitário da UFSC.

O ano de 2016 começa com uma grande conquista da medicina de crianças e adolescentes no Brasil: já são 22 os serviços de residência que oferecem o novo Programa de Residência em Pediatria de três anos, com conteúdo compatível com o novo Currículo elaborado pelo Consórcio Global de Educação Pediátrica (GPEC, a sigla em inglês). A SBP participou ativamente da elaboração do programa internacional, ao mesmo tempo em que conseguiu, na Comissão Nacional de Residência Médica, a ampliação tempo de residência de dois para três anos. Agora, com os serviços que em 2016 darão início ao novo treinamento, já são cerca de 300 vagas, informa o presidente da Sociedade, Eduardo da Silva Vaz. “A atualização dá mais segurança ao jovem pediatra no dia a dia e valoriza a profissão”, assinala Dioclécio Campos Jr., representante da Sociedade e responsável pelo GPEC na América Latina.

 Coordenadora da Comissão de Residência Médica da Faculdade de Medicina da USP, Vera Hermina Kalika Koch Groszmann está certa de que, com o novo programa, o residente tem “uma formação mais completa”, com uma visão crítica da pediatria, diferenciada. ‘É um médico preparado para atuar globalmente, completamente antenado com o que está acontecendo no mundo, como é a visão do GPEC”, define.

 Eduardo Jorge da Fonseca Lima, coordenador-geral de Residências e Estágios do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), de Pernambuco, explica: “com as novas demandas da atualidade e a perspectiva da criança de hoje viver 100 anos, tornando-se um adulto saudável, uma série de conteúdos precisavam ser abordados e isso era impossível em apenas dois anos. Dentre esses, o professor destaca as questões relacionadas ao comportamento, como as novas configurações familiares e também o TDHA, o autismo, a criança vítima de violência, a influência da internet, os jogos eletrônicos. Além disso, “o residente formado em três anos consegue ser um pediatra mais completo, com capacidade profissional e de conhecimento para atender na atenção primária, secundária e terciária”, frisa.

 A professora Vera Hermina informa que, na USP, a necessidade de ampliar os conhecimentos foi detectada em avaliação realizada com os egressos da Residência em Pediatria anteriormente às mudanças curriculares. “Vimos que há pessoas extremamente comprometidas com a pediatria, que precisavam ser valorizadas e que, na opinião deles, o treinamento poderia melhorar”, diz. “A partir daí foi elaborada uma proposta de programa que seria um piloto, mas cuja evolução culminou com o currículo do GPEC. Percebemos que os anseios dos nossos residentes eram os mesmos sentidos globalmente”, assinala.

Mais interesse, qualidade e avaliação progressiva

No início, a preocupação na USP era com uma possível queda de interesse, decorrente do aumento de dois para três anos. Mas, na verdade, o número de candidatos cresceu: “Há alguns anos a taxa era de quatro por vaga, depois subiu para oito, nove e tem se mantido entre nove e 10 candidatos por vaga”, salienta a professora. No IMIP também o temor de queda na procura pela residência não se confirmou: “o recém-formado em medicina procura fazer o treinamento em um serviço que ofereça um programa mais completo, com maior qualidade. Um ano a mais não trouxe dificuldade quanto a isso”, afirma o dr. Eduardo Jorge.

 A avaliação é outro ponto destacado pelo coordenador do IMIP. No final de 2015, os cinco primeiros programas que aderiram ao novo conteúdo já aplicaram o TEP Seriado – teste progressivo, feito ao final de cada ano de residência. Dr. Eduardo Jorge considera que a medida representa um ganho importante para os futuros profissionais. O TEP tradicional registrou aprovação de cerca de 45% dos candidatos no último concurso, enquanto que no TEP Seriado – aplicado no final do primeiro ano –, esse índice passou de 85%. A prova também é importante porque nos possibilita identificar as áreas em que mais dificuldades se apresentam, a tempo do conteúdo ser reforçado no segundo e no terceiro anos.

Internacionalização e mobilidade

Desde o R1, dra. Vera relata que, como há duas semanas de treinamento opcional seguido de quatro de férias, estágios de seis semanas têm sido viabilizados em países como Portugal, Austrália e Estados Unidos. Dentre os requisitos, está exatamente cursar o programa de três anos e os residentes da USP têm sido muito bem avaliados pelas instituições do exterior. Também temos observado que muitos optam também por ficar no Brasil, para o aprofundamento em alguma área na própria USP ou para voltar à sua terra natal, “sentindo a realidade com um novo olhar”. Com o novo currículo “formamos pediatras de uma maneira nacionalmente mais homogênea, bem como internacionalmente. Isso nos permitirá receber, cada vez mais, residentes de outros países, assim como proporcionará aos nossos residentes experiências em outros países”, observa.

 Antes, “com os dois anos, tínhamos poucos estágios opcionais”, assinala a dra. Vera. Para a professora, a mobilidade é muito positiva e, no terceiro ano, possibilitará ao residente práticas importantes, como a que proporciona o Instituto do Coração (INCOR) e a Dermatologia da Universidade. “Estamos também inovando com o trauma, que antes o pronto-socorro da Pediatria não oferecia. Agora, o currículo nos permite isso. Com esse um ano a mais, nosso aluno faz um rodízio no setor, vai à Unidade de Queimados, à Dermatologia, à Otorrinolaringologia, se integra melhor com tudo o que acontece no complexo da USP. As chances de oferecermos a integração da pediatria com todas as outras áreas que têm atendimento pediátrico são maiores, assim como será a capacidade do futuro profissional de resolver os problemas do dia a dia da criança”, reforça.

 Veja, a seguir, quais são os Programas de Residência Médica em Pediatria com três anos e novo conteúdo:

 Iniciaram em 2014

São Paulo/SP: Hospital Universitário – Universidade de São Paulo (HU- USP)

Brasília/DF: Hospital Universitário de Brasília (HUB) – Universidade de Brasília (UnB) 

Curitiba/PR: Hospital Pequeno Príncipe

Rio de Janeiro/RJ: Hospital Federal dos Servidores do Estado

Recife/PE: Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP)

 Iniciaram em 2015

Belo Horizonte /MG: Hospital das Clínicas – Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

Florianópolis/SC: Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago – Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Florianópolis/ SC: Hospital Infantil Joana De Gusmão /SES

Botucatu/SP: Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina de Botucatu (UNESP)

Porto Alegre/RS: Hospital das Clínicas – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

 Começam em 2016 

Aracaju - Hospital Universitário de Sergipe – Universidade Federal de Sergipe (HU/UFS)

Recife - Hospital Infantil Maria Lucinda

Goiás - Hospital das Clínicas – Universidade Federal de Goiás (UFG)

São Paulo/Campinas – Hospital de Clínicas – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

Goiás – Hospital Materno Infantil de Goiânia (HMI/SES)

Natal – Hospital Infantil Varela Santiago

São Paulo – Faculdade de Medicina de São José Do Rio Preto

Rio de Janeiro - Hospital Geral de Nova Iguaçu

Rio de Janeiro – Hospital Escola Luiz Gioseffi Januzzi – Valença

São Paulo - Faculdade de Medicina do ABC

Fortaleza – Hospital Infantil Albert Sabin

Curitiba – Hospital Universitário Evangélico

Foto: Ana Fazito/Fazito Comunicação Reunião na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), em Belo Horizonte, em julho. Na pauta, a discussão sobre a nova residência de três anos
Foto: Ana Fazito/Fazito Comunicação
Reunião na Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), em Belo Horizonte, em julho. Na pauta, a discussão sobre a nova residência de três anos