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Nova formação do pediatra avança no Cone Sul

SBP em Ação 14/01/2016
Hazen Ham, secretário executivo do GPEC, no Fórum do Rio de Janeiro
Hazen Ham, secretário executivo do GPEC, no Fórum do Rio de Janeiro

A situação do pediatra na América Latina será discutida em abril, em Montevideo, Uruguai, quando se realizará a próxima reunião do Fórum Permanente das Sociedades do Cone Sul (Fospecs). “Vamos definir um plano de ação para melhorar as condições em que realizamos a prática da especialidade na região”, informa o dr. Eduardo da Silva Vaz. Está na pauta a Sindrome de Burnout, o esgotamento que muitas vezes é gerado pelo trabalho. Também será avaliada a implementação do novo currículo internacional elaborado pelo Consórcio Global de Educação Pediátrica (GPEC, a sigla em inglês) – aliança formada por 20 instituições nacionais e regionais que representam mais de 50 países, como China, Japão, Estados Unidos, Alemanha, além do Brasil.

Os primeiros serviços

Em novembro, um Fórum de Educação Pediátrica foi realizado em Lima (Peru), durante Congresso da Associação Latino-americana de Pediatria (Alape). Participaram o secretário-executivo do GPEC, Hazen Ham e dirigentes das sociedades dos países do Cone Sul – Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia e Paraguai, além do Brasil, do Peru e de representantes do Equador e outros professores, como Alfonso Vargas, colombiano que trabalha nos Estados Unidos. 

Responsável pelo escritório do GPEC na América Latina, Dioclécio Campos Jr., que representa a SBP no Consórcio, fez uma apresentação sobre a implementação do novo currículo. “Estamos avançando muito e o novo conteúdo certamente traz ao pediatra uma formação mais sólida, abrangente e sintonizada com o que há de mais moderno na ciência, proporcionando uma atenção mais qualificada a crianças e adolescentes”, salientou. Em 2016, 22 novos programas de residência começam a oferecer a formação no Brasil, juntando-se aos 10 que já a praticam. O currículo do GPEC também já chegou ao Paraguai e à Argentina. 

Gloria Martínez, presidente da Sociedade Paraguaia de Pediatria, contou aos colegas como está sendo a experiência em seu país, onde o novo conteúdo já é adotado pelo Hospital General Pediátrico Niños Acosta Ñu desde 2014 e foi aprovado para começar em 2016 na Universidade Católica. Sobre o convênio com a Universidade de Brasília (UnB) articulado pela SBP, a professora informou que a avaliação feita pelos residentes é que tem sido muito bom, com destaque para a experiência clínica proporcionada. 

Também presente em Lima, Teresa Bandeira, presidente da Sociedade Portuguesa de Pediatria, foi outra dirigente que manifestou apoio ao projeto, afirmando ainda que é preciso estreitar as relações entre Brasil e Portugal e avançar também no intercâmbio com os demais países de língua portuguesa.

Fórum no Rio de Janeiro

Em outubro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Pediatria, no Rio de Janeiro, o Fórum Internacional de Educação Pediátrica reuniu representantes do GPEC, do Fospecs e de residências em pediatria do Brasil. Na pauta, o aperfeiçoamento da formação que está em curso, decorrente tanto do aumento do tempo da residência para três anos – conquista que a SBP obteve junto à Comissão Nacional de Residência Médica (MEC) em 2013 –, quanto da implantação do currículo do GPEC, que vem sendo incentivada pela Sociedade. Hazen Ham esteve presente e discorreu sobre o novo conteúdo programática global. 

Dentre os debatedores, dirigentes das sociedades de pediatria como Ida Esquivel, do Paraguai; Margarita Ramonet, Angela Gentile e Raúl Valli, da Argentina; Humberto Soriano, do Chile;  Sandra Grisi e Ana Escobar, de São Paulo (USP); Gil Simões (Hospital dos Servidores) e Luís Eduardo Vaz Miranda, do Rio de Janeiro, além de Dioclécio Campos. Jr..  

 Documento de Santa Cruz

 Em março, a SBP esteve na Bolívia, onde o Fospecs redigiu o documento “O direito ao atendimento pediátrico na atenção primária – Declaração do FOSPECS em Santa Cruz de La Sierra”. No texto, assinado pelos presidentes das Sociedades do Chile, Argentina, Uruguai, Bolívia, Paraguai e Brasil, os dirigentes lembraram o Artigo 24 da Convenção sobre os Direitos da Criança, salientando que “o pediatra deve ser o médico de atenção primária e referência na assistência dos recém-nascidos, lactantes, crianças e adolescentes, porque é o profissional da equipe de saúde capacitado por formação e por experiência para proporcionar a melhor qualidade de atenção da saúde e a promoção dos direitos dessa faixa etária”. Frisaram também que “é um desafio para as autoridades de nossos países o fosso de desigualdade existente entre a atenção privada – com capacidade de escolha e acesso ao pediatra –, e a atenção pública, onde as famílias têm seus direitos prejudicados, sendo as crianças, habitualmente, os mais vulneráveis e com problemas de saúde relacionados com maiores carências sociais e econômicas”.

Leia a íntegra aqui