Câncer na criança e no adolescente

Departamento Científico de Oncologia

  • O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima a ocorrência anual de aproximadamente 420 mil casos novos de câncer para o Brasil no biênio 2016-2017 (excluindo-se os tumores de pele não melanoma). O câncer infanto-juvenil representa de 1 a 3% dos casos, estimando-se, assim, a ocorrência de 12.600 novos casos de câncer na faixa etária de 0 a 19 anos para o ano de 2017. Embora o câncer na criança e no adolescente seja raro, representa a principal causa de óbito por doença nesta faixa etária.

  • Sim. As diferenças entre os cânceres infanto-juvenis e de adultos consistem principalmente nos tipos de tumor, no comportamento clínico (evolução) e nas localizações primárias. Os tumores malignos nas crianças e nos adolescentes crescem mais rapidamente do que os dos adultos e tornam-se invasivos. Porém, respondem melhor ao tratamento. Diferentemente do adulto, o câncer na criança e no adolescente geralmente afeta as células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação, enquanto que, no adulto, compromete as células do epitélio, que recobre os diferentes órgãos. Nas crianças e adolescentes os cânceres mais frequentes são as leucemias, os tumores do sistema nervoso central e os linfomas.

  • Sim. Como a doença nas crianças se apresenta muitas vezes com sintomas inespecíficos, semelhantes às doenças comuns da infância, pode levar a retardo no diagnóstico e no início do tratamento apropriado. Infelizmente, baseado nos dados dos registros de câncer atualmente consolidados, muitos pacientes no Brasil ainda são encaminhados aos centros de tratamento com a doença em estádio avançado. Neste sentido, é importante a detecção precoce da doença, melhorando as chances de cura, a sobrevida e a qualidade de vida do paciente/família.

  • O pediatra tem papel essencial na suspeita diagnóstica do câncer, sendo fundamental que os pais ou responsáveis realizem as consultas pediátricas regulares com seus filhos/filhas, visando a identificação precoce da doença, bem como o encaminhamento para os centros oncológicos pediátricos de referência.

  • O tratamento deve ser realizado em centro especializado em oncologia pediátrica, por equipe multiprofissional e individualizado para cada tipo histológico específico e de acordo com a extensão clínica da doença (estadiamento) e com sua característica biológica. No Brasil, nos últimos anos, a participação em protocolos cooperativos de tratamento, coordenados pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE), contribuiu para a significativa melhora na sobrevida das crianças com câncer. Dados de um estudo sobre o panorama do câncer infanto-juvenil divulgado pelo INCA e pelo Ministério da Saúde (MS) apontam que a sobrevida estimada por câncer na faixa etária de zero a 19 anos é de 64%, índice calculado com base nas informações de incidência e mortalidade. O estudo apontou que a sobrevida variou de acordo com a região do País. Os índices são mais elevados nas regiões Sul (75%) e Sudeste (70%) do que no Centro-Oeste (65%), Nordeste (60%) e Norte (50%). Portanto, o câncer na infância e adolescência é uma doença potencialmente curável.

  • É importante valorizar as queixas das crianças e levá-las regularmente ao pediatra. Na maioria das vezes, são doenças comuns da infância, mas algumas vezes pode ser uma condição mais séria. Frente à identificação de sinais e sintomas de alerta listados a seguir, principalmente se persistentes, os pais ou responsáveis devem levar a criança/adolescente ao pediatra, para avaliar a necessidade de investigação mais detalhada ou encaminhamento ao oncologista pediátrico.

  • Existe uma série de sinais e sintomas que estão relacionados à incidência de câncer. É importante observar as crianças e os adolescentes e relatar o que for percebido nas visitas ao pediatra, que devem ocorrer de forma regular. Como já foi dito, a partir desses indícios se pode iniciar uma investigação para confirmar ou não a existência de problemas mais complexos. Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio do seu Departamento Científico de Oncologia, orienta os pais e cuidadores a ficarem em alerta para os seguintes itens:

    1) Reflexo branco na pupila (menina dos olhos) que pode ser visível no dia a dia, ou em fotografias. A coloração normal do reflexo é avermelhada;

    2) Estrabismo (olho vesgo), que surge repentinamente;

    3) Aumento de volume em qualquer região do corpo (caroços ou inchaços), principalmente indolor e sem febre, com ou sem sinais de inflamação, como dor ou vermelhidão, o que pode sugerir crescimento tumoral e necessitar avaliação;

    4) Manchas roxas pelo corpo em regiões pouco frequentes. Lembre-se que manchas roxas nas pernas são frequentemente associadas a trauma (batida), mas manchas no tórax, costas ou até mesmo abdome devem chamar atenção, principalmente quando não associadas a algum tipo de traumatismo;

    5) Dores persistentes nos ossos, nas articulações e nas costas;

    6) Fraturas, sem trauma;

    7) Sinais precoces de puberdade: acne, voz grave, ganho excessivo de peso, pelos pubianos ou aumento do volume mamário nas meninas com menos de 8 anos de idade e nos meninos com menos de 9 anos de idade devem ser avaliados pelo pediatra;

    8) Cefaleia (dor de cabeça) persistente e progressiva, associada ou não a vômitos, alterações ao caminhar, desequilíbrio ou alterações na fala, além de perda de habilidades desenvolvidas (por exemplo, a criança deixa de ficar em pé, piora da letra) e alterações no comportamento.

  • Antes de tudo, mantenha calma e procure o mais rápido possível marcar uma consulta com um pediatra. Ele fará um exame clínico cuidadoso e eventualmente solicitará a realização de exames complementares. Após a análise dos resultados, o especialista poderá esclarecer melhor o que houve e, se existir a necessidade, pedir que o paciente seja avaliado também por outros médicos que tratam do assunto. 

  • Na internet, há inúmeros sites e plataformas que oferecem informações sobre doenças e tratamentos. Por isso, é importante buscar orientação naqueles locais que possuem dados de qualidade. Assim, recomendamos que, sobre esse tema – câncer em crianças e adolescentes –, sejam consultados os seguintes sites:

    1) Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica: www.sobope.org.br

    2) Instituto Nacional do Câncer: www.inca.gov.br

    3) International Society of Paediatric Oncology (SIOP): siop-online.org/wp-content/uploads/2015/07/sinais-de-alarme2_0.pdf

    4) St. Jude Children's Research Hospital: www.cure4kids.org

    5) Children with Cancer UK: www.childrenwithcancer.our.uk

    6) American Cancer Society: www.cancer.org/cancer/cancer-in-children/types-of-childhood-cancers

    7) Institut Nacional du Cancer: www.e-cancer.fr/patients-et-proches/les-cancers/les-cancers-chez-I-enfant/ les-cancers-de-I-enfant

    8) Instituto National Del Cáncer:

    www.cancer.gov/espanol/tipos/infantil/hoja-informativa-ninos-adolescentes

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