O Mercúrio - Boletim eletrônico da Academia Brasileira de Pediatria
EDITORIAL

Papel da Mulher na ACADEMIA

Ac. Conceição A. M. Segre

Inegavelmente, ao longo do tempo, a mulher vem ocupando espaços consideráveis!

Se nos reportamos aos idos do final do século XIX, quando no Brasil era proibido o ingresso de mulheres às Faculdades de Medicina, demos um grande salto! 

A partir do século XX, com a progressiva emancipação da mulher e a conquista de direitos sociais, surge um nova mentalidade mais voltada à atuação profissional e intelectual, em detrimento da antiga visão de submissão patriarcal de outrora. Basta ver que atualmente há mulheres ocupando posições em praticamente todas as profissões reconhecidas. Contudo, são ainda pouco contempladas nos cargos mais altos da Universidade e da política. Cabe aqui uma exceção, qual seja na Academia Brasileira de Pediatria, que congrega várias acadêmicas que têm posição de destaque na vida universitária e a atual presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Prof. Dra. Luciana Rodrigues da Silva, em seu segundo mandato!

Diante dessa profunda mudança cultural, a mulher que passou a se inserir no mercado de trabalho em praticamente todas as profissões, deixou o ambiente doméstico em busca de novos ideais e experiências. Nesse período, as mulheres passaram a se destacar cada vez mais como médicas e cientistas e temos a primeira ganhadora do prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia Gerty Theresa Cori, em 1947, a qual seguiram-se várias outras...

A primeira mulher membro da Academia Nacional de Medicina foi a francesa naturalizada brasileira Maria Josephine Mathilde Durocher (1802-1893), parteira licenciada pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e a primeira mulher a assinar textos científicos na área médica no país. A segunda mulher a ser recebida como membro da Academia foi a extraordinária cientista Madame Curie, por ocasião de sua visita ao Brasil em 1926.

Em 1907, no Brasil, as mulheres representavam apenas 3,6% do ensino médico e farmacêutico. Hoje em dia, a presença da mulher na medicina é muito forte: somos mais da metade dos alunos dos cursos médicos e, em especialidades como a Pediatria, já somos maioria. Se a dra. Maria Augusta Generoso Estrella, que foi a primeira médica brasileira, pudesse nos ver hoje, certamente custaria a acreditar!

A mulher, por ser naturalmente multiplicadora, persistente, dificilmente desistindo do conquistar seus objetivos, pode trazer, por meio dessas qualidades um grande enriquecimento às instituições de que participa!

Contudo, a situação ainda está longe de refletir essas constatações! É fato, por exemplo, que o número de mulheres diminui conforme o prestígio na carreira científica aumenta. Esse efeito reverso, que poderia ser mesmo qualificado como perverso, entre avanço na pesquisa e presença feminina pode ser constatado ao se verificar que dos 518 membros titulares da Academia Brasileira de Ciências, a maior e mais prestigiosa instituição da categoria no país, somente 14% sejam mulheres.

Essas diferenças entre homens e mulheres não parecem ter origem meramente biológica, mas sim assumem um caráter histórico, social e cultural, consolidando-se na desigualdade da distribuição de poder entre ambos.

Atualmente, nós mulheres, representamos na Academia Brasileira de Pediatria praticamente 23% do total de acadêmicos, embora a representatividade do número de pediatras do sexo feminino seja da ordem de praticamente 74% do total de pediatras! Entretanto, temos a certeza de que em um futuro não muito longínquo sejamos bem mais...

Para terminar, gostaria de citar uma frase do ex secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon: "Investir na mulher não é o correto, é o inteligente".

Acontece na Academia

1- Entre os dias 25 e 26 de abril passado realizaram-se em Belo Horizonte dois eventos capitais da Academia Brasileira de Pediatria: o 21º. Fórum da Academia e sua reunião anual. Durante o Fórum , que teve salas lotadas, foram debatidos assuntos de suma importância e segundo a visão da Academia imprescindíveis na formação não somente do pediatra mas também da equipe de saúde como um um todo.

Assim, foram apresentados os temas: Parto adequado; Maioridade penal; Família, escola e sociedade - limites na infância e adolescência; Família, escola e sociedade.

Os acadêmicos presentes ao Fórum

2 - A Academia Brasileira de Pediatria foi representada na posse da nova diretoria da SBP pelos acadêmicos Dr. Mario Santoro Jr (presidente) e Dra. Conceição A. M. Segre.

3 - A próxima reunião da ABP será realizada em Porto Alegre por ocasião do Congresso Brasileiro de Pediatria a se realizar em outubro vindouro de 9-12.

4 - Acham-se abertas as inscrições para três (3) vagas de membros titulares à Academia. As instruções para os candidatos acham-se no site da ABP.

5 - Próximo Fórum da ABP - A Dra. Marinéia, Presidente da Sociedade de Pediatria do Maranhão formalizou a solicitação para sediar o próximo Fórum da ABP, que está sendo analisado pela SBP e ABP.

6 - dia 1º. de julho tomou posse o novo Conselho Curador da Fundação Sociedade Brasileira de Pediatria, no qual a ABP é representada pela Acadêmica Conceição A.M. Segre.

7 - Processo eleitoral da nova diretoria da ABP. Pelo fato de em novembro de 2019 se encerrar o mandato da atual diretoria da ABP, na assembleia de Porto Alegre (out 2019) a atual diretoria estará se apresentando como chapa candidata para reeleição.

Opinião do Acadêmico

Acadêmico José Hugo de Lins Pessoa

A importância da visão pediátrica ao sono da criança, da puericultura à clínica.

Os distúrbios do sono do sono, o débito crônico de sono, pode ter repercussões negativas na saúde da criança, afetando o seu desenvolvimento cognitivo, emocional e físico. Acrescente-se o fato de que o distúrbio de sono da criança prejudica o sono dos pais, que com o cansaço tem sua função parental prejudicada. Como refere a Dra. Teresa

Paiva, médica de Portugal especialista em sono, é “assustadora a dimensão dos problemas de sono em crianças e adolescentes”. Por exemplo, a insônia, a dificuldade para iniciar ou manter o sono, pode afetar desde crianças lactentes até adolescentes: 25 a 50% dos lactentes, 10 a 30% dos pré-escolares e 9 a 13% (ou mais, em alguns trabalhos) dos adolescentes.

Durante muito tempo, pouca atenção era dada ao sono da criança porque a visão médica-pediátrica estava focada apenas com o que ocorria no período de vigília. Entretanto, é importante lembrar que saúde da criança no sono é importante para a saúde da criança na vigília e vice-versa. Em que pese que a importância de dormir bem para a saúde da criança ser conhecida pela puericultura há mais de um século, só recentemente a atenção dos pediatras com o sono da criança tem sido mais valorizada. Ressalte-se que os avanços científicos da medicina do sono pediátrica são significativos.

Nas consultas pediátricas, os distúrbios do sono são queixas muito frequentes. No entanto, desafortunadamente ainda existem cursos de graduação e de residência pediátrica onde a questão do sono das crianças persiste com pouca ou nenhuma atenção. Considerando que o pediatra pode ajudar a prevenir e a tratar grande parte dos distúrbios do sono da criança, torna-se recomendável uma melhor formação no tema na residência de pediatria, inclusive no aprendizado da puericultura. A Puericultura é uma ação essencial na atividade pediátrica.

Podemos compreender o sono como um importante processo fisiológico ativo, influenciado por fatores ambientais e comportamentais. O surgimento do processo sono-vigília tem início na vida fetal. O desenvolvimento pós-natal das estruturas neurológicas responsáveis pelo sono ocorre rapidamente nos primeiros meses e anos de vida e a maturação desse sistema é um importante marco no processo do crescimento e desenvolvimento da criança. A puericultura do sono, a higiene do sono, representa, na prática, um conjunto de comportamentos e atitudes que visam ajudar e favorecer um sono fisiológico, seguro e reparador. Seu objetivo maior é estabelecer hábitos de sono saudáveis para toda a vida do indivíduo. Nos dias de hoje o estilo de vida das famílias, a necessidade de colocar a criança precocemente em creches, os aparelhos eletrônicos, a intensa iluminação noturna, a pressa que os pais têm para que a criança durma para ter tempo para descanso, trabalho ou lazer, conflitam com a formação de bons hábitos de sono da criança.

A gênese do distúrbio do sono na criança pode ser de causa médica, no entanto, causas comportamentais são relevantes e podem ser prevenidas. A orientação antecipatória é um importante componente das consultas de puericultura. Para um melhor resultado da prevenção dos distúrbios do sono, como a insônia comportamental da infância, a família deve ser orientada o mais precocemente possível, antes que surjam as manifestações dos distúrbios do sono. Desse modo, recomenda-se que desde a puericultura pré-natal o pediatra introduza a orientação do sono da criança nas consultas de puericultura. Os primeiros meses de vida são fundamentais para o desenvolvimento de um ciclo vigília-sono saudável. A experiência pediátrica mostra que a falta de informações dos pais, quanto à evolução do padrão normal de sono de seus filhos, de como proceder na hora da criança dormir e nos despertares noturnos e da não valorização dos fatores ambientais onde a criança dorme contribuem para distúrbios comportamentais do sono tanto em lactentes quanto em crianças maiores.

Os pais devem ser orientados a conhecer e a respeitar o padrão de sono necessário para o seu filho. A evolução do ciclo vigília-sono de recém-nascido (RN) até a adolescência mostra a transição de um sono fragmentado para um sono consolidado e redução gradual da necessidade de sono.

No roteiro das consultas de puericultura, pela importância do sono para a saúde e o bem-estar das crianças, recomenda-se a inclusão dos seguintes itens:

1 - Orientação sobre os padrões do sono nas diversas idades.
2 - Higiene do sono.
3 - Prevenção da síndrome da morte súbita do lactente.
4 - Prevenção dos distúrbios comportamentais do sono.

Cultura em O Mercúrio

Acadêmica Emérita Núbia Mendonça

Sidney Sheldon* & Tilly Bagshawe**

1ª edição – Editora Record – 2018

Tradução: Ângelo Lessa
Copyright@2018 by Sidney Sheldon Family Limited Parternship

A VIÚVA SILENCIOSA

O romance se passa em Los Angeles (LA) e gira ao redor da Terapeuta Nikki Roberts, mulher bem sucedida pessoal e profissionalmente, casada com o brilhante médico Douglas (Doug) Roberts, que morreu recentemente em um acidente de carro, A ação começa com o assassinato de uma jovem ex-modelo, Lisa Flanagan, ao sair de uma sessão, em um início de noite muito chuvosa e vestindo uma capa de chuva emprestada por Nikki. O crime ocorre a pouca distância do consultório, com requintes de crueldade, por meio de inúmeras facadas, sendo uma delas no coração e o corpo é abandonado em uma estrada. Lisa era amante do bilionário William (Willie) Baden, de quem ela havia se separado há pouco tempo.

Dois detetives da polícia de LA são designados para a investigação: Lou Goodman, alto, polido e atraente e Mick Johnson, baixo, desagradável e grosseiro. Nikki é colocada como ponto de partida das investigações e Johnson parte do princípio que ela é a culpada.

No início do romance é contada a história de Charlotte Clance, jovem americana de classe média, que convence os pais a deixa-la partir (em final da adolescência) para o México, onde foi ser baby-sotter, mas se apaixona por um homem casado, mais velho e muito rico. Ela só tinha uma amiga, Fréderique Zidane. Um dia ela vai se encontrar com o namorado em um lugar ermo e desapareceu. Nunca se teve notícia de seu paradeiro ou foi encontrado o seu corpo.

Outros personagens são:

1) Willie Baden, o bilionário e ex-amante de Lisa. Casado com Valentina, mexicana que presidia uma ONG chamada “Desaparecidos”, pois ela mesma teve uma irmã desaparecida há 40 anos, no México.

2) Treyvon (Trey) Raymond, ex-drogado recuperado na instituição mantida por Doug, por quem o casal Roberts nutria um carinho especial e que era o secretário de Nikki. Trey, por sua vez, mantinha uma paixão secreta por Lisa.

3) Nathan e Frances Grolsh – casal milionário, completamente desajustado e que tinha um filho, Brandon, a quem o pai desprezava por seu vício em drogas. O jovem foi dado como “morto” por overdose, mas o seu corpo não foi encontrado. A mãe descontrolou-se após o seu desaparecimento e era constantemente humilhada pelo marido.

4) Hadden Defon era o sócio de Doug na clínica privada e nas clínicas de reabilitação, onde os drogados ricos ou pobres eram acolhidos. Hadden era negro, rico e secretamente apaixonado por Nikki.

5) Gretchen Adler era a amiga preferida de Nikki, pois conviviam desde muito jovens. Ela era casada com um empresário bem sucedido. Nikki e ela almoçavam juntas com frequência e só a ela Nikki confessava suas angústias e seus segredos.

Ao assassinato de Lisa, segue-se o de Trey, com características semelhantes de crueldade, da facada no coração e do abandono do corpo despido em uma estrada. Foi um baque muito grande para Nikki e ela passou a ser “encurralada” pelo detetive Johnson, que continuava acusando-a de ser responsável pelos 2 assassinatos.

Os demais clientes de Nikki começaram a sentir temor e dentre eles Charlie Berkley, investidor milionário, paranoico, com mania de perseguição e Annie Bateman, violinista famosa, mas que estava sendo destruída emocional e profissionalmente por um casamento com o multi-milionário mexicano Luis Rodriguez, que a sufocava com um ciúme doentio.

Com o andamento lento das investigações e a permanente pressão de Johnson sobre Nikki, ela decidiu contratar um detetive (em quase falência), Derek Williams. Ela queria ter uma pista do assassino, mas, principalmente, queria saber quem era a mulher que estava no carro de seu marido no momento do acidente e que morreu ao seu lado.

Este era o motivo dos sentimentos que corroíam Nikki, já que ela descobriu que ela era russa, amante de Doug e estava grávida. Nikki nunca conseguiu engravidar e sentia-se frustrada por isto. Tornou-se mais dura após a viuvez pois acreditava ter um casamento perfeito.

Derek iniciou as investigações, descobrindo que a russa se chamava Lenka, mas não havia qualquer registro de sua existência, nem na Embaixada russa e nem nos registros americanos.

Derek não era bem visto pela polícia de LA, pois já havia descoberto e denunciado esquemas escusos nos altos escalões. Por isto, os 2 investigadores não viram com bons olhos a contratação dele por Nikki. Cuidadosamente Derek começou a ver ligações entre Lisa X Willie X Valentina e Trey, decidiu visitar sua mãe e descobriu que ele traficava Knokodil, droga pesadíssima trazida pelos russos e que estava ameaçando a hegemonia mexicana no derrame de drogas na cidade. Trey continuava traficando para Carlos de la Rosa, cujo chefe era Luis Rodriguez (sim, o marido de Annie), que se passava por empresário do ramo imobiliário e grande filantropo na causa de apoio aos dependentes químicos. Derek já o conhecia por uma experiência ocorrida 10 anos antes, quando a família de Charlotte Clancy (a jovemdesaparecida no México) o contratou para ir até aquele país atrás do paradeiro dela. Depois de entrevistar o casal que a empregava, ele chegou à única amiga de Charlotte (Fréderique Zidane), que lhe deu pistas para descobrir que Luis Rodriguez era amigo do namorado dela.

Decidiu então abordar Luis, buscando uma entrevista, que foi marcada para o dia seguinte, mas, em seguida foi atacado por mexicanos e deportado, sem qualquer defesa. Descobriu que havia ligação entre os Baden e Luis Rodriguez.

Os investigadores Goodman e Johnson continuavam sem maiores pistas, mas Goodman conseguiu descobrir o motivo da raiva de seu colega contra Nikki. Ela havia sido, alguns anos antes, a perita sobre a sanidade mental de um colega e amigo de Johnson, Jerry Kovak, que foi condenado a 25 anos de prisão por causa de seu depoimento. Kovak havia agredido um traficante de drogas por ter dado uma informação falsa, mas este veio a falecer e a família processou o investigador, que passava um momento muito difícil, com a perda da esposa, vítima de um câncer. Sua única filha não o visitava na prisão e apenas Johnson apoiava Kovak, visitando-o semanalmente.

Derek continuava sua investigação, tendo chegado a nova ligação entre Luis Rodriguez, Willie Baden e a polícia de LA, chegando até Ariana Washington e Tina Drayton, secretárias no gabinete do prefeito Fuentes e que foram demitidas. Através de uma pista dada por uma delas, juntou os pontos, pediu uma reunião com Nikki, mas contou toda a sua descoberta por meio de e-mail enviado (a quem?). Ao terminar, ouviu a campainha de sua casa e quando abriu, cumprimentou alegremente o visitante, sendo assassinado neste momento com de um tiro com silenciador.

Neste meio tempo, Nikki havia decidido ouvir os conselhos de sua amiga Gretchen, fechando o consultório por um tempo e tirando uns dias de repouso em La Hacienda, local onde costumava relaxar ao lado de Doug. Ela passava por uma turbulência emocional, pois estava se sentindo atraída por sua cliente Annie e pelo investigador Goodman. Pouco depois de chegar, recebe um telefonema de Annie, em tom desesperado, pedindo que a encontrasse em um galpão em LA. Sem avisar a ninguém, ela vai a este local e cai em uma emboscada. Logo na entrada encontrou o cadáver crucificado de Willie Baden e teve a certeza que as descobertas de Derek eram verdadeiras.

Sob a mira de um revólver empunhado por Luis Rodriguez, ela é salva no último momento por Goodman, que havia recebido a mensagem enviada por Derek. Mas, neste momento, vem a surpresa final e a ação se desenrola rapidamente. Todos os “fios soltos” durante a narrativa são desfeitos e se descobre quem era o namorado de Charlotte Clancy, quem assassinou Lisa e Trey, o que aconteceu com Brandon Grolsch e Carter Berkley.

Nikki, finalmente sabendo da história de Doug e seu amante e livre de qualquer amarra, vende sua mansão em LA e se muda para Nova York, onde pensa em recomeçar a vida. Como terapeuta?

*Sidney Sheldon (1917-2007) é um autor americano, cujos livros ultrapassaram a venda de mais de 300 milhões de exemplares, publicados em dezenas de idiomas, e foi o único escritor que recebeu um Oscar, um Tony e um Edgar pela adaptação que fez de seus livros.

**Tilly Bagswave (1973) é uma autora britânica, que escreveu com Sidney “A senhora do jogo” e algumas continuações de seus romances. Após a morte de Sidney, a família a autorizou a continuar escrevendo novas histórias, compartilhando com o nome dele. Ela e sua família vivem ente Londres e Los Angeles.

Histórico

Destaca-se nesta edição de “O Mercúrio” a biografia do ilustre Prof. Dr. Álvaro Pontes Bahia (1891-1964) patrono da cadeira de no. 14.

Álvaro Pontes Bahia nasceu em Salvador, Bahia, em 17 de dezembro de 1891. Filho de José Estanislau Bahia e Júlia Lopes Pontes Bahia, concluindo seu curso médico em 1913. Dedicou-se, inicialmente, à medicina legal. Foi médico no Serviço Médico Legal, do Instituto Nina Rodrigues, na Bahia, e secretário do Conselho Médico Legal. Foi ainda professor assistente voluntário de Medicina Legal.

A partir de 1915, sua vida profissional voltou-se quase que integralmente para as questões vinculadas com a gestão de políticas públicas para a criança, em instituições governamentais e filantrópicas e com a formação e valorização dos pediatras. No primeiro caso, podemos mencionar os cargos públicos de destaque que ocupou e o papel que desempenhou na criação da Liga Baiana Contra a Mortalidade Infantil e na construção do Hospital Martagão Gesteira. No segundo, destaca-se sua atuação no magistério superior e na Sociedade Brasileira de Pediatria, onde foi Presidente em 1958.

No âmbito da gestão de saúde foi, durante a década de 1930/1940, chefe do Dispensário Silva Lima, diretor da Divisão de Saúde Pública e inspetor técnico e diretor presidente do Departamento Estadual da Criança da Bahia. Na oportunidade foi convidado pelo Governo Norte Americano, para realizar cursos de especialização nos Estados Unidos. Todos estes cargos foram possíveis graças à sua competência, desempenho e às excelentes relações que travava com a elite política baiana da época.

Era capaz de lidar com a arte da política, pois conseguia travar um bom relacionamento com Juracy Magalhães – interventor nomeado por Vargas para governar o Estado da Bahia, durante o Estado Novo.

Em 1923, idealizou a “Liga Baiana Contra a Mortalidade Infantil”. Nesta instituição filantrópica defendeu, de forma mais sistemática, a saúde das crianças de famílias mais pobres. Participou da criação desta sociedade ao lado dos médicos Martagão Gesteira, Álvaro Rocha, Durval Gama, Hélio Ribeiro e Carlos Levindo. Sua dedicação levou-o a ocupar o cargo de Vice-Presidente (1931) e de Presidente (1935 e 1937). Enquanto esteve à frente da Liga, promoveu uma campanha para a construção de um hospital para atendimento infantil. O Hospital Martagão Gesteira só foi inaugurado no dia 15 de agosto de 1965, um ano após sua morte.

No magistério, foi professor da Escola de Puericultura Raymundo Pereira de Magalhães, fundada em 1938, pertencente à Liga; da Escola Bahiana de Medicina e Livre-Docente da Cadeira de Clínica Pediátrica, da Faculdade de Medicina da Bahia.

Associou sua vida de professor com a de autor de 23 artigos científicos na área de Puericultura e Pediatria. Foi também responsável pela criação da Revista “Pediatria e Puericultura”, onde publicou vários textos. A lactante, sua alimentação e a “maternidade desamparada” constituíam um conjunto de preocupações de Pontes Bahia. Outros temas clínicos sobre a vida do recém-nascido também despertaram seu interesse. Neste caso podem ser encontrados, em sua produção bibliográfica, estudos sobre observações de cardiopatia congênita, pneumonia crônica em recém-nascidos, tétano neo-natal e “infância desajustada”.

Sua preocupação com a prática médica pediátrica também foi traduzida por sua participação como membro fundador e Presidente da Sociedade Baiana de Pediatria. Sua atuação na filiada baiana credenciou Pontes Bahia para assumir a presidência da Sociedade Brasileira de Pediatria, em 1958.

Sua trajetória profissional se deu em consonância com a de Martagão Gesteira. Em 1937, a convite do Presidente Vargas, Gesteira transferiu-se para o Rio de Janeiro, assumindo a Cadeira de Puericultura e Clínica da Primeira Infância e a Direção do Instituto de Puericultura da Universidade do Rio de Janeiro. Na oportunidade, Pontes Bahia substituiu Martagão Gesteira no cargo de Diretor do Departamento Estadual da Criança e na Cátedra de Pediatria. A parceria com Martagão Gesteira possibilitou também a implementação, na Bahia, do “Banco de Sangue Refrigerado” e do “Banco de Leite Moderno”.

Álvaro Bahia tornou-se conhecido na Pediatria pela construção do Hospital Martagão Gesteira, por sua concorrida clínica particular, e por seu papel na assistência social à infância. Neste caso organizou o serviço de “Colocação Familiar”, primeiro do Brasil, com a finalidade de proteger e acompanhar as crianças órfãs tuteladas por famílias e instituiu o “Prêmio de Amamentação”, o concurso de “Robustez Infantil” e a “Assistência Obstétrica Domiciliar”. Álvaro Pontes Bahia morreu em Salvador no dia 8 de outubro de 1964, aos 72 anos de idade em conseqüência de um Acidente Vascular Cerebral.

Álvaro Pontes Bahia foi Presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria em 1958 e foi homenageado por ela e pela Sociedade Baiana de Pediatria, ao ser indicado Patrono da Cadeira 14 da Academia Brasileira de Pediatria.

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