Publicado/atualizado: janeiro/2026

Departamento Científico de Pneumologia

  • O que é bronquiolite aguda?

Trata-se de uma infecção viral, que acomete a parte mais delicada do pulmão dos bebês (os bronquíolos). Essas estruturas do organismo são a continuidade dos brônquios, que distribuem o ar para dentro dos pulmões.

  • O que causa essa doença?

A bronquiolite aguda é, na maior parte das vezes, causada pelos vírus respiratórios. O principal deles o Vírus Sincicial Respiratório. Outros vírus também podem causar este quadro como: adenovírus, vírus parainfluenza, vírus influenza, rinovírus entre outros.

  • Como saber se um bebê está com bronquiolite?

Como é uma doença causada por vírus respiratórios, o quadro se inicia como um resfriado, com obstrução nasal, coriza clara, tosse, febre, recusa das mamadas e irritabilidade de intensidade variável.  Em um ou dois dias o quadro evolui para tosse mais intensa, dificuldade para respirar, respiração rápida e sibilância (chiado no peito). Por vezes, podem haver sinais e sintomas mais graves, como sonolência, gemência, cianose (arroxeamento dos lábios e extremidades) e pausas respiratórias.

  • Quais as crianças que tem mais risco de apresentar esse problema?

Crianças menores de um ano, prematuros, portadores de doenças cardíacas ou pulmonares crônicas, imunodeficientes e bebês que nascem com baixo peso podem desenvolver quadros de bronquiolite mais graves, que necessitam de internação, por vezes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

  • Como tratar a bronquiolite aguda?

Não existe nenhum tratamento específico. Na maioria dos casos, especialmente nas crianças sem fatores de risco, a evolução é benigna, sem necessidade de nenhum medicamento e evoluindo para cura. Nos casos leves, pode ser feitos em casa mesmo: acompanhamento da febre, observação do padrão respiratório e cuidados para manter o bebê hidratado e bem nutrido. 

  • Porque é necessário internar alguns pacientes?

Em casos mais graves, a internação é necessária para que se possa ofertar oxigênio aos pacientes. Há situações em que eles também podem se beneficiar com o uso de uma inalação especial mais salgada (solução salina hipertônica). A admissão em UTI para o suporte ventilatório adequado é rara, mas pode ocorrer em até 15% das crianças internadas.

  • Qual o segredo para evitar casos de bronquiolite aguda em casa?

O segredo é a prevenção! Medidas simples e eficazes nos cuidados de bebês, especialmente nos menores de um ano de vida e naqueles com fatores de risco, podem protegê-los destes quadros. Por isso, é recomendável evitar o contato com crianças e adultos resfriados, lavar as mãos e higienizá-las com álcool 70%, sempre que for manusear os bebês.  Também se sugere fugir de aglomerações, promover a amamentação e evitar o tabagismo passivo. Finalmente, deve-se buscar o acompanhamento pediátrico para monitorar o crescimento, a introdução adequada da alimentação e o cumprimento do calendário de vacinação. 

  • Além dessas recomendações, existem outras?

Sim. É fundamental ficar atento quando um bebê se resfriar. Nessas ocasiões, o pediatra precisa ser consultado para repassar suas orientações. Em casos de tosse persistente, dificuldade para respirar, respiração rápida e sonolência, a criança deve ser levada para a avaliação médica imediatamente. Se o bebê for prematuro, cardiopata ou fizer tratamento para o pulmão, deve-se buscar informações sobre o uso e o acesso à imunoprofilaxia (palivizumabe ou nirsevimabe).

  • O que é imunoprofilaxia?

São anticorpos monoclonais humanizados contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que podem beneficiar tanto as crianças saudáveis quanto aquelas com fatores de risco para bronquiolites (prematuros com menos de 29 semanas, ou que tenham diagnóstico de doença pulmonar crônica e cardiopatas graves).

O palivizumabe pode ser aplicado em cinco doses nos meses de circulação deste vírus (no Brasil, de abril a agosto) para os bebês de risco.

O nirsevimabe é aplicado em dose única e recomendado para todas as crianças menores de 1 ano nascidas durante ou entrando em sua primeira temporada de circulação do VSR (acima descrita). E para aquelas menores de dois anos que permanecem em risco para doença grave.

  • Existe alguma vacina?

Ainda não foi desenvolvida nenhuma vacina específica contra o VSR para crianças. No entanto em abril de 2024, foi aprovada no Brasil uma vacina contra o VSR para as gestantes, a ser aplicada em dose única, durante o segundo ou o terceiro trimestre de gravidez. O objetivo é a passagem de anticorpos protetores produzidos pela mãe para o filho através da placenta, reduzindo o risco de internação hospitalar dos seus bebês devido à infecção por esse vírus nos primeiros seis meses de vida.

  • Quais cuidados devem ser tomados no primeiro ano de vida da criança?

Como já foi dito, a prevenção é o melhor caminho. Assim, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), recomenda: evitar contato com pessoas resfriadas; lavar as mãos com frequência; amamentar o bebê até os seis meses exclusivamente com leite materno; evitar o tabagismo passivo; não frequentar espaços lotados, com aglomerações; manter as vacinas em dia; e, se possível, retardar a ida do bebê para creches e berçários. Finalmente, levar a criança para consultas regulares com o pediatra. 

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