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Departamento Científico de Alergia da SBP lança documento inédito: um Guia Prático Atualizado sobre anafilaxia

anafilaxia

Um documento inédito preparado pelo Departamento Científico de Alergia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) foi divulgado nesta sexta-feira (21) tem o potencial para alimentar a discussão pública, envolvendo pacientes, médicos e gestores, sobre a necessidade de se autorizar a distribuição da adrenalina autoinjetável no Brasil para pacientes com quadros graves de anafilaxia. 

Trata-se do Guia Prático de Atualização focado na anafilaxia, doença definida como uma reação multissistêmica grave de início agudo e potencialmente fatal, em que podem estar presentes sintomas como urticária, angioedema, comprometimento respiratório e gastrintestinal e/ou hipotensão arterial. A ocorrência de dois ou mais destes sintomas imediatamente após a exposição ao alérgeno suspeito alerta para o diagnóstico e tratamento imediato. 

No documento são oferecidas informações sobre a doença. Dentre elas, estão orientações sobre como fazer o diagnóstico, os motivos de sua incidência, os tratamentos adequados, considerações sobre seu acompanhamento, inclusive no período após a alta hospitalar. O texto também traz dados sobre como prevenir a doença. 

PARA CONHECER A ÍNTEGRA DO DOCUMENTO ACESSE AQUI 

 DEBATE - De acordo com o presidente do DC, dr Emanuel Sarinho, além do caráter orientador do documento, o objetivo da SBP é também estimular o debate sobre a importância do governo brasileiro autorizar a venda da adrenalina autoinjetável. “A anafilaxia pode causar a morte caso a pessoa não seja imediatamente tratada com a adrenalina. Por isso, defendemos que o medicamento esteja disponível aos pacientes sob forma autoaplicável, como já ocorre em muitos países”, destacou dr Sarinho. 

Além do próprio presidente, também contribuíram com o trabalho os membros do DC de Alergia: dr Herberto José Chong Neto (secretário), dra Adriana Azoubel Antunes, dr Antônio Carlos Pastorino, dr Arnaldo Carlos Porto Neto, dr Fabio Chigres Kuschnir, dra Maria das Graças Nascimento Silva e dra Marisa Lages Ribeiro. Também atuou como colaborador dr Dirceu Solé, coordenador dos Departamentos Científicos da SBP.

 DADOS – No Brasil, um inquérito direcionado a alergologistas apontou como principais agentes causais de anafilaxia os medicamentos (AINH, antibióticos) seguido dos alimentos (leite de vaca e clara de ovo entre lactentes e pré-escolares, crustáceos entre crianças maiores, adolescentes e adultos) e picadas de insetos (formigas de fogo, abelhas e vespas). Em cerca de 10% dos casos não houve identificação do agente etiológico (anafilaxia idiopática). 

Contudo, o problema tem contornos mundiais, com registro de aumento no número de casos em diferentes países como a Austrália, Reino Unido e Estados Unidos, em especial no segmento mais jovem da população. Neste aspecto chama atenção o crescimento de registros em decorrência do contato com o látex e da prática do exercício físico – isolado ou associado a alimentos (camarão, maçã, aipo e trigo) – tem sido relatado como causa de anafilaxia. 

DIAGNÓSTICO – No Guia Prático de Atualização, produzido pelo DC de Alergia, os pediatras recebem informações sobre como fazer a identificação de casos de anafilaxia, a partir da observação de pacientes e realização de exames. “O espectro das manifestações clínicas compreende desde reações leves até graves e fatais. O início geralmente é súbito, podendo atingir vários órgãos. Os sintomas iniciais ocorrem em segundos, minutos ou até horas após a exposição ao agente causal. É importante ressaltar que reações bifásicas podem ocorrer de 8 a 12 h em até 10% dos casos”, destaca o texto. 

O documento alerta ainda que, por ser uma emergência médica, a anafilaxia requer o pronto reconhecimento do quadro clínico a fim de se preservar a permeabilidade das vias respiratórias, manter a pressão sanguínea e a oxigenação. Na etapa de tratamento, três aspectos merecem atenção: a administração rápida de adrenalina, a adoção da posição do decúbito dorsal com MMII elevado e a manutenção adequada da volemia. 

TRATAMENTO - Como parte das orientações, os pediatras são alertados para aspectos como a importância da observação clínica (de seis a 48 horas, dependendo da gravidade do caso) e o risco maior ao qual estão expostos pacientes com asma mal controlada têm maior risco de reações fatais. Também são abordados o efeito de medicamentos e até algumas recomendações para a etapa após a alta hospitalar, se houve necessidade de internação. 

“Em função de sua natureza aguda, as reações anafiláticas em geral são atendidas pelo pediatra nos setores de emergência hospitalar. Na ocasião da alta, os familiares e o paciente devem receber orientação e prescrição dos medicamentos necessários para continuidade imediata do tratamento. É fundamental a orientação sobre a possibilidade de recorrência de sintomas até 12 horas após o episódio, em especial nos casos idiopáticos”, cita o documento. 

PREVENÇÃO -  O Departamento Científico recomenda ainda, em seu Guia Prático, que todos os pacientes com reações anafiláticas sejam encaminhados ao especialista em alergia, para investigação etiológica, avaliação de riscos, prevenção de novos episódios e tratamento de comorbidades. Além disso, o documento pede que pacientes e familiares recebam orientações sobre como reconhecer os sinais precoces de novo episódio de anafilaxia. 

Para a SBP, também é relevante que os pacientes e suas famílias mantenham sempre à mão um plano de ação para uso em situações de emergência, em linguagem clara, com detalhamento sobre condutas e medicamentos, incluindo nome e dosagem. Além disso, a criança e o adolescente com este quadro devem sempre portar identificação com diagnóstico, telefone de contato e plano de ação. Inclusive, lembra o texto, a escola deve ser notificada sobre o risco de anafilaxia e dos possíveis fatores a serem evitados e sobre medidas a tomar em caso de emergência. 

O documento alerta ainda para a adoção de outras medidas preventivas, como a suspensão do uso de medicamentos de risco ou que possam interferir na eficácia do tratamento da anafilaxia; a necessidade de ser evitar o contato com o látex, em caso de alergia diagnosticada; e adoção de imunoterapia específica, sob a supervisão de alergista, em situações de anafilaxia a venenos de himenópteros, dentre outros. 

Além disso, o Guia Prático orienta a compra de dispositivo autoinjetor de adrenalina, bem como da segurança do seu uso face ao risco da reação anafilática. Trata-se de dispositivos disponibilizados em doses fixas (0,15 mg crianças até 30 Kg; 0,3 mg para crianças maiores e adultos) e indicados especialmente nos casos de risco contínuo de morte e de exposição antigênica. Contudo, a SBP faz um alerta: é preciso estar atento aos prazos de validade destes dispositivos. “Esperamos que em breve, no Brasil, seja possível adquirir a adrenalina auto injetável. A Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia Clínica têm lutado para que esse produto seja disponível em nosso meio”, finaliza o texto.

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