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Descriminalização e uso da maconha foram abordados em palestra sobre temas transversais à atenção à criança e aos adolescentes

"Maconha, descriminalizar ou não". Esse foi o tema tratado em conferência pelo médico João Paulo Lotufo, mais conhecido como dr. Bartô, durante o 38º Congresso Brasileiro de Pediatria, que acontece até sábado (14). Segundo ele, tabaco e maconha têm caminhado juntos, pois ambos possuem praticamente o mesmo grau de dependência.

Dados apresentados demonstram que a maioria dos jovens é introduzida em ambas as drogas na faixa etária entre 15 e 19 anos. Também foi destacado que 75% da população não concorda com a descriminalização ou a legalização da maconha, contudo, pouco sabe sobre os efeitos da mesma.

Estudos apresentados pelo dr Bartô, realizados na Nova Zelândia, evidenciam que o cérebro do adolescente é mais vulnerável  aos efeitos da droga. Quanto mais cedo iniciar o consumo, maiores serão as chances de desenvolver um curso crônico da doença.

Na ocasião, dr Bartô apresentou números que ilustram que o abandono e a defasagem escolar, problemas familiares graves e gravidez na adolescência estão associados à maconha, realidades frequentes em adolescentes que fizeram uso da droga acima de 100 vezes.

Também foi observado que a regularidade do consumo da cannabis está diretamente ligada à queda do volume de matéria cinzenta no córtex temporal medial, temporal e hipocampo. Estas regiões são ricas em receptores carabinóides responsáveis pela motivação, emoção e processo afetivo.

De acordo com o especialista, é preciso desmistificar o uso da maconha: "Parem de falar que o uso da maconha é terapêutico. É preciso mostrar aos jovens que há problemas sérios sobre o uso da droga. Talvez, daqui há uns 10 anos, se possa falar isso, agora não. É preciso mais estudo para afirmar categoricamente que o uso da maconha é medicinal ou não", declara.

Por outro lado, ele acredita que o lobby da maconha é agressivo, trabalhando fortemente em favor de seu consumo e liberação. Segundo ele, atualmente, há três vezes mais THC na maconha produzida hoje, que a usada no passado. O produto foi modificado geneticamente. "Isso é o negócio do século. Nos estados do Colorado e de Washington, nos Estados Unidos, há mais pontos de vendas de maconha do que lojas do Mc Donald e Starbucks. Este é um problema financeiro sério".

Na exposição, foi relatado que, após a liberação do uso da maconha em alguns estados americanos, o consumo dobrou, assim como o número de acidentes automobilísticos e de chamadas de emergência de intoxicação infantil por maconha, já que há balas e pirulitos, feitos da substância. Isso sem falar maconha, segundo ele, além do número de delitos.

Segundo a presidente da mesa, dra. Maria Tereza Fonseca, doutora em Saúde Pública pela Fundação Oswaldo Cruz e professora da Universidade Estácio de Sá, esse tema - assim como outros que estão incluídos no Congresso, mas não fazem parte do rol mais tradicional de temas - mostram a importância da formação e reciclagem contínua do pediatra, tendo em vista a complexidade que se configura a atenção à criança e ao adolescente. "São tantas demandas, necessidades e desigualdades, que o pediatra precisa estar atualizado, acompanhando essas mudanças na sociedade e alteração de demandas nos consultórios e ambulatórios em geral".


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