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SBP promoverá ações para qualificar programas de residência médica em pediatria

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Membros da diretoria, dos Departamentos Científicos e especialistas em ensino reunidos em Salvador (BA) / Foto: Agência Olho de Peixe

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) adotará um conjunto de ações para garantir a adequação dos programas de residência médica em pediatria, que, conforme determinado pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM), deverá passar de dois para três anos. Essa foi a principal conclusão de reunião organizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em 5 de outubro (sábado), em Salvador, especialmente para discutir o tema.

As propostas foram elaboradas e aprovadas por membros da diretoria da entidade, de seus Departamentos Científicos e especialistas em ensino. Por mais de seis horas, o grupo, coordenado pela dra Ana Zollner, diretora financeira da SBP, debateu exaustivamente o tema, sob diferentes perspectivas, incluindo tópicos como conteúdo de programas, infraestrutura, preceptoria e avaliação dos programas credenciados.

Entre as ações a serem desenvolvidas pela SBP está a atualização do mapeamento de instituições e programas existentes no País, inclusive com a indicação do número de vagas. Uma análise criteriosa sobre os cenários e práticas encontrados nas diferentes instituições também deve ser realizada. Uma terceira iniciativa é a construção de um roteiro de fiscalização dos programas que seria aplicado em visitas a serem realizadas, conforme cronograma a ser elaborado.

residencia-reuniao2 “A ampliação do tempo de residência em pediatria de dois para três anos é uma medida que contribuirá para a melhor qualificação dos futuros especialistas na área. Contudo, a implantação dessa mudança exigirá cautela para assegurar aos médicos e à sociedade que os resultados esperados sejam alcançados”, disse a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva (foto), que acompanhou o debate.  

 EXPERIENCIAS E SENTIMENTOS - Para o 1º vice-presidente da SBP, dr Clovis Constantino, a reunião, em Salvador, foi uma oportunidade ímpar. “Esse debate promovido pela atual gestão é muito importante. Demonstra que ela capilariza os assuntos e não centraliza; que sai do gabinete e realmente discute com todos para que as experiências e os sentimentos de cada participante possam ser fatores de contribuição para a melhoria de tudo”, ressaltou.

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Na avaliação dos participantes da reunião, a mudança para três anos – aprovada por unanimidade pela Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) em 23 de julho de 2013 e que deverá estar plenamente implantada até 2019 – tem o aval da Sociedade Brasileira de Pediatria, porém, há preocupações quanto à implementação. “Independentemente da gestão, a SBP entende que a qualificação do pediatra é fundamental. O profissional melhor capacitado terá melhor atuação na assistência ao recém-nascido, à criança e ao adolescente. Portanto, o programa de três anos para pediatria é desejável nesse sentido. A nossa preocupação é como implantá-lo”, destacou o 1º vice-presidente.

Ele ainda chamou a atenção para as dificuldades que as instituições que mantém programas de residência no formato de dois anos já enfrentam e que deverão ser superadas para que o novo modelo funcione adequadamente. “Não queremos que seja feito apenas o prolongamento dos programas, mas que o novo modelo, efetivamente, resulte numa formação diferenciada, que contribua para que os futuros pediatras estejam preparados para o exercício da medicina em todos os contextos”, destacou. Dados apresentados no encontro sugerem que esse objetivo é possível.

TEMPO DE FORMAÇÃO - Apresentações feitas pelos responsáveis pelas Residências Médicas do Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip), em Recife (PE), e do Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR) – onde o tempo de formação exigido já é de três anos – demonstraram que, apesar de dificuldades pontuais, os residentes que estão concluindo a formação consideram que a mudança os deixou melhor preparados para o desafio da assistência em consultórios e nas urgências e emergências.

De acordo com dados apresentados no encontro, há no Brasil, atualmente, 268 instituições com programas de Residência Médica, que, conjuntamente, oferecem 1.856 vagas por ano. Hoje, 56,4% dos programas estão nos estados da Região Sudeste; outros 16,5% se localizam no Sul; 14%, no Sul; 4,8%, no Centro-Oeste; e 4,5%, no Norte. Desse total, há 16 programas que já se adaptaram ao novo formato (com três anos de Residência).

“Vamos trabalhar para que a mudança de tempo de formação em pediatria se torne realidade, mas sem açodamento. A pressa pode levar ao fechamento de muitos programas por não oferecerem as condições necessárias para funcionamento nos novos parâmetros. Além disso, pode redundar numa grande frustração com o modelo proposto, com impacto negativo para toda a especialidade”, alertou o dr Clóvis Constantino.

 residencia-reuniao4Essa preocupação também foi ressaltada pelo 2º vice-presidente da SBP, dr Edson Liberal (foto), que também participou do debate. “Nossa plataforma de campanha foi construída com base na valorização do pediatra, sob todos os aspectos. Queremos buscar esse reconhecimento no que se refere à remuneração, às condições de trabalho, à participação na formulação das políticas públicas de saúde e, também, no campo do ensino médico. Vamos fazer todo o possível para que o País conte com residências em pediatria com qualidade. O pediatra precisa se sentir seguro para oferecer a assistência que o paciente e sua família esperam”, pontuou.


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