27/02/2026

World Alliance for Breastfeeding Action (WABA), entidade responsável pela coordenação da campanha global da Semana Mundial do Aleitamento Materno (SMAM), acaba de divulgar o tema da iniciativa para 2026. Nesta edição, o novo slogan escolhido é “Breastfeeding for a Sustainable Start in Life: Strengthen What Works” ou, em tradução livre,“Aleitamento materno para um começo de vida sustentável: fortalecer o que funciona”.

De acordo com a presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (DCAM-SBP), dra. Rossiclei Pinheiro, a escolha do assunto é de extrema relevância, pois além de abordar os benefícios intrínsecos à saúde materno-infantil, também destaca o profundo impacto da amamentação nas esferas ambiental, social e econômica.

“No âmbito social e econômico, o aleitamento materno promove o vínculo afetivo entre mãe e filho e contribui para a redução de custos para as famílias e para o sistema de saúde, uma vez que crianças amamentadas tendem a adoecer menos, diminuindo gastos com medicamentos e internações. Além disso, a amamentação é uma prática sustentável, que não gera resíduos, não depende de cadeias industriais poluentes e contribui para a segurança alimentar e nutricional”, frisa.

Conforme ressalta ainda a dra. Rossiclei Pinheiro, do ponto de vista da saúde pública, o leite materno é considerado um “alimento de ouro”, uma vez que fornece todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento do bebê e fortalece o sistema imunológico, reduzindo a mortalidade infantil. 

FORTALECER O QUE FUNCIONA – Na avaliação da presidente do DCAM-SBP, é preciso continuar investindo nas estratégias que apresentam resultado, pois, apesar dos avanços, o Brasil ainda enfrenta desafios, como a baixa prevalência de aleitamento materno exclusivo em algumas regiões. Há também, pontua a especialista, a persistência de práticas prejudiciais, sobretudo o uso e abuso de fórmulas infantis mesmo sem indicação médica criteriosa.

“A nova meta estabelecida pela Assembleia Mundial da Saúde de aleitamento materno exclusivo é de pelo menos 60%. Já o Brasil mantém como meta 70% até 2030. Para alcançarmos esse número é necessário ampliar os investimentos, fortalecer as redes de apoio, combater a desinformação e garantir que todas as famílias brasileiras tenham as condições e o suporte necessários para vivenciar a amamentação em sua plenitude”, diz ela.

Nesse sentido, campanhas como o “Agosto Dourado” e SMAM são indispensáveis para conscientizar a população, combater mitos e preconceitos e criar um ambiente favorável à amamentação. Segundo relembra a dra. Rossiclei Pinheiro, o Brasil acumulou lições valiosas em sua jornada de promoção do aleitamento materno, que o tornaram uma referência mundial. 

“O avanço de uma taxa de amamentação exclusiva de apenas 4,7% na década de 1980 para 45,8% em 2019 é um testemunho do sucesso das políticas públicas e da mobilização social”, pontuou. Para a pediatra, o alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 também deve ser destacado. Ao investir na amamentação, o Brasil avança em metas relacionadas à saúde e bem-estar (ODS 3), à erradicação da pobreza (ODS 1) e à promoção de cidades e comunidades sustentáveis (ODS 11). “A amamentação é uma questão de sustentabilidade e um direito humano. Toda criança tem o direito de ser amamentada e toda mãe deve ter asseguradas as condições para amamentar, seja no trabalho, em casa ou em qualquer outro lugar. É fundamental garantir que esse direito seja respeitado e protegido, inclusive para as populações mais vulneráveis”, conclui.