27/02/2026

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) participou, na quarta-feira (25), do lançamento do Marco de Referência sobre Conflitos de Interesse em Políticas Públicas de Saúde no Enfrentamento a Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), realizado no auditório da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), em Brasília (DF). A iniciativa, construída ao longo de quatro anos, busca fortalecer diretrizes para prevenir a influência indevida de interesses comerciais na formulação de políticas públicas.

A prevenção e a gestão de situações de conflito de interesses são consideradas estratégicas para garantir que políticas públicas de saúde sejam baseadas em evidências e priorizem o interesse coletivo. O tema ganha ainda mais relevância diante do avanço de produtos e práticas associadas ao aumento das DCNT, como alimentos ultraprocessados, bebidas alcoólicas e tabaco, fatores diretamente relacionados ao cotidiano da pediatria.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças crônicas não transmissíveis estão entre as principais causas de morte no mundo, cenário que reforça a necessidade de políticas públicas sólidas e protegidas de interferências que possam comprometer sua efetividade. Com a participação ativa no debate e na construção do documento, a SBP reafirma o compromisso com a promoção da saúde infantil e com a defesa de políticas públicas baseadas em ciência, ética e transparência.

Representaram a SBP na solenidade a 3ª secretária da entidade, dra. Márcia Penido; a 3ª diretora financeira, dra. Renata Seixas; e a presidente do Departamento Científico (DC) de Nutrologia, dra. Fabíola Suano, que classificou o momento como um marco significativo para a saúde pública no país. “Esse é um momento especial, foram quatro anos de muito trabalho, onde pudemos participar do desenvolvimento desse marco que trará muitos avanços para a redução das doenças crônicas não transmissíveis”, disse. 

Na avaliação da dra. Fabíola Suano, os temas abordados fazem parte do dia a dia do pediatra, que lida com essas questões. Dentro disso, ela detalhou que os grupos envolvidos são álcool, tabaco e alimentos ultraprocessados, todos relacionados a um grande número de DCNT, com impacto importante na saúde pública no nosso país. 

Por sua vez, a dra. Márcia Penido ressaltou a importância institucional do conceito debatido durante o evento. “Esse é um tópico que merece um investimento enorme institucional e individual. Acredito que, a partir dessa produção tão importante patrocinada pelo Ministério da Saúde, teremos formas de investir em educação, prevenção e trabalhar muito na qualidade da alimentação da população em geral como política pública”, afirmou.