12/03/2026

Em alusão ao Dia Mundial do Rim, celebrado este ano em 12 de março, o Departamento Científico de Nefrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou um documento científico que reforça a urgência de integrar a saúde renal à rotina pediátrica. O texto destaca que a proteção dos rins começa muito antes do nascimento e que fatores ambientais, genéticos e socioeconômicos moldam trajetórias de doença que podem se estender por toda a vida.

Em 2026, a campanha escolheu como tema a conexão entre saúde renal e sustentabilidade. Dessa forma, o documento da SBP aponta que fatores ambientais como ausência de água potável, poluição, saneamento inadequado, consumo de alimentos ultraprocessados e sedentarismo podem modificar a expressão gênica sem alterar o DNA, fenômeno conhecido como epigenética. O texto também destaca a Teoria da Programação Fetal de Barker, segundo a qual exposições adversas durante períodos críticos do desenvolvimento fetal podem “programar” alterações fisiológicas duradouras, aumentando o risco de doenças crônicas, inclusive renais, na vida adulta.

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Na prática clínica, a SBP recomenda que ações educativas e exames simples, como a urinálise e a dosagem de creatinina sérica, sejam utilizados como ferramentas de rastreamento em grupos de maior risco: crianças e adolescentes com diabetes ou hipertensão, com histórico de doença renal ou cardiovascular, obesos, prematuros ou com baixo peso ao nascer. O documento ressalta ainda a importância de valorizar e investigar alterações ultrassonográficas renais pré-natais, que podem ser a primeira pista para anomalias dos rins e do trato urinário.

“A identificação precoce de alterações permite intervenções oportunas, com potencial de retardar a progressão da doença, reduzir complicações e preservar a qualidade de vida a longo prazo. Mais do que diagnosticar, trata-se de reconhecer precocemente, acompanhar de forma sistemática e atuar antes que o dano renal se torne irreversível”, enfatizam os especialistas.

PREMATURIDADE – Estudos populacionais apontam aumento significativo do risco de Doença Renal Crônica ao longo da vida, especialmente entre prematuros extremos. Por isso, a SBP orienta que a história neonatal seja registrada e valorizada durante toda a infância e adolescência, com monitorização da pressão arterial, rastreio laboratorial periódico, uso criterioso de medicamentos nefrotóxicos e orientação sobre estilo de vida saudável.