12/03/2026

A presença das mulheres na medicina brasileira atingiu um marco histórico: elas já são a maioria da força de trabalho médica no país. Esse cenário foi o ponto de partida das discussões do II Fórum da Mulher Médica, promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) nesta sexta-feira (6), em Brasília (DF). Na ocasião, a 2ª vice-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Anamaria Cavalcante e Silva, participou da mesa “Encontro de Gerações”, coordenada pela dra. Ana Jovina Barreto Bispo, coordenadora da Região Nordeste da SBP.

Dra. Anamaria abordou como conciliar a vida de gestora pública com a vida familiar. A pediatra contou sua trajetória e suas inspirações ao longo da carreira, dividida em três momentos: formação e ensino, gestão pública e associativismo. “Ao longo desses 40 anos de gestão pública, uma lição ficou muito clara para mim: nada é possível sem as nossas famílias. Tive apoio imenso do meu marido nessa jornada. Com a família ao nosso lado, é possível realizar tudo”, disse a pediatra, em inspiração às mais jovens.

A pediatra elogiou o evento e reforçou que bons exemplos devem ser copiados. “Hoje, vocês me proporcionaram um dos melhores dias da minha vida pública, tanto na gestão quanto no associativismo, ao partilhar esses momentos preciosos. Foi extremamente gratificante e prazeroso. Essa decisão do CFM de fazer um evento como esse nos inspira. Boas ideias não podem ser guardadas e devem ser replicadas”, parabenizou dra. Anamaria.

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MAIS MULHERES – Atualmente, as mulheres já representam 51,1% da força de trabalho médica no Brasil, o que corresponde a cerca de 338 mil registros ativos nos conselhos regionais até o final de 2025. A tendência de feminização da profissão é ainda mais evidente entre as gerações mais jovens. De acordo com os dados apresentados no evento, 61,8% dos estudantes de medicina são mulheres e, entre profissionais com até 29 anos, elas já superam 60% da categoria.

As projeções apontam que essa presença feminina continuará se expandindo nas próximas décadas. Mantido o ritmo atual de crescimento, estima-se que, até 2035, as mulheres deverão representar aproximadamente 56% dos médicos em atividade no país.

Diante desse cenário, o fórum teve como objetivo discutir como transformar essa maioria numérica em maior protagonismo dentro da profissão. A programação reuniu painéis e mesas temáticas que exploraram diferentes aspectos dessa transformação, incluindo seus efeitos na formação médica e na organização do trabalho. Os debates também estimularam reflexões sobre estratégias para construir ambientes profissionais mais sustentáveis, seguros e equitativos para as médicas.

PRÓXIMAS GERAÇÕES – À medida que as novas gerações avançam na trajetória profissional, aumenta a expectativa de que mais mulheres passem a ocupar cargos estratégicos em sociedades médicas e entidades representativas. Nesse contexto, as estudantes que hoje frequentam as faculdades de medicina são vistas como as futuras lideranças da área, com potencial para ampliar a participação feminina nas decisões que orientam o sistema de saúde brasileiro.

Para Rosylane Rocha, 2ª vice-presidente e coordenadora da Comissão da Mulher Médica do CFM, “criar ambientes profissionais mais justos, seguros e respeitosos é uma tarefa institucional e coletiva”. Segundo ela, ainda não é aceitável que médicas enfrentem barreiras para alcançar posições de chefia, gestão e direção nas instituições de saúde.

Ao final do encontro, as participantes avaliaram que a mudança demográfica observada na medicina brasileira vai além de uma simples alteração numérica. Para elas, trata-se de uma oportunidade para revisar práticas e estruturas da profissão. A expectativa é que esse novo cenário favoreça a construção de ambientes de trabalho mais inclusivos, que reconheçam e valorizem plenamente a contribuição das mulheres na medicina.