Acadêmico da ABP publica artigo sobre impacto crítico das mudanças climáticas na saúde infantil
O pediatra e membro da Comissão da Memória da Pediatria da Academia Brasileira de Pediatria (ABP), dr. Navantino Alves Filho, escreveu um artigo sobre a forma como as mudanças climáticas afetam a saúde infantil, destacando que os riscos começam ainda na fase gestacional. No texto, que nasceu do 25º Fórum da ABP, realizado em 2025, em Brasília (DF), e cujos debates versaram sobre natureza e saúde, ele traz informações do “The climate-changed child”, do Fundo das Nações Unidas para a Infância e as sete consequências das mudanças climáticas para a saúde das crianças.
A consequências elencadas são: “Risco antes do nascimento”; “Doenças”; “Desnutrição”; “Temperatura corporal”; “Poluição”; “Educação”; e “Saúde Mental”. Ao final, o pediatra sugere a adoção de hábitos saudáveis em família, como alimentação equilibrada e atividades físicas regulares. “Por fim, mas não menos importante, lembre-se que você é o exemplo. As crianças aprendem muito pelo que observam na rotina da família. Portanto, ao verem os familiares adotando hábitos saudáveis dentro de casa, elas serão naturalmente incentivadas a seguir o mesmo caminho”, explicitou dr. Navantino.
Manifesto Verde da Pediatria
Por um Planeta Saudável e uma Infância Protegida
Academia Brasileira de Pediatria – 25º Fórum ABP – 2025
Introdução
A Academia Brasileira de Pediatria (ABP), reunida com diversos setores da sociedade em seu 25º Fórum “Planeta saudável, Infância protegida”, manifesta publicamente seu compromisso com a promoção da saúde integral das crianças e adolescentes em harmonia com a preservação ambiental.
A crise climática e as degradações do meio ambiente configuram uma das maiores ameaças à biodiversidade do planeta e à saúde infantil no século XXI. As evidências científicas demonstram que poluição, aquecimento global, insegurança alimentar, escassez de água potável e desastres ambientais afetam desproporcionalmente as populações pediátricas, comprometendo o desenvolvimento físico, mental, emocional e social das novas gerações.
A poluição atmosférica é a segunda causa de doenças respiratórias não infecciosas na infância. Cada aumento na exposição a partículas finas representa uma perda concreta de saúde, de capacidade funcional e de expectativa de vida humana.
As crianças são mais vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas e da poluição ambiental. A exposição a partículas tóxicas, contaminantes e ondas de calor interferem na formação de organismos saudáveis e resilientes, que se tornam mais sujeitos ao adoecimento, por causas infecciosas e por doenças não-transmissíveis.
Reafirmamos as recomendações apresentadas no Fórum:
A ciência demonstra que o ambiente influencia a expressão gênica desde a vida intrauterina. A epigenética revela que exposições a poluentes, desnutrição e estresse durante períodos críticos do desenvolvimento produzem efeitos que podem se estender por gerações.
Fortalecer a vida em comunidade, cuidar da gestante, do recém-nascido e da criança é, portanto, proteger o patrimônio genético e a biodiversidade presente e futura, no contexto de “uma só saúde”, com a integração da saúde humana, animal e ambiental.
Brincar ao ar livre é mais que lazer: é desenvolvimento cerebral, social e emocional, é fundamental para o desenvolvimento integral das crianças. O contato com a natureza amplia a curiosidade, a criatividade, o equilíbrio emocional e a capacidade de aprendizagem. É um direito fundamental de toda criança, reconhecido como parte da saúde integral.
A reconexão com a natureza e o contato direto com seus quatro elementos nutre na criança seu senso de pertencimento ao ecossistema, fortalece a sensibilidade e cultiva a percepção do necessário cuidado com o planeta. A natureza é o primeiro território de liberdade da infância — onde se aprende a observar, imaginar, sonhar, criar e cuidar.
Por isso, é imprescindível acolher a natureza da criança, valorizar seus recursos e sua imaginação e criar espaços amigáveis à sua livre expressão. Quando o imaginário infantil floresce, novas possibilidades de existência podem se apresentar ao mundo.
Educar com a natureza é semear saúde, cidadania e futuro. A escola, quando conectada à sua comunidade no território, é espaço privilegiado para promover a sustentabilidade com protagonismo infantil, por meio de projetos pedagógicos que integrem meio ambiente, natureza, ciência, saberes ancestrais dos povos originários e incentivo à interculturalidade.
A educação deve fortalecer a participação da criança nas construções coletivas, valorizando seu imaginário e o brincar. Também deve colaborar para eliminar toda forma de discriminação, assegurando o respeito à diversidade humana e da natureza.
Respeitar as culturas e crenças, especialmente dos povos originários, é reconhecer que a diversidade humana é parte da biodiversidade do planeta. A Puericultura ambiental deve ampliar a abordagem para além da casa, pois a destruição das florestas, por exemplo, representa a perda das “farmácias e despensas” naturais das comunidades e compromete a saúde coletiva.
Não há saúde infantil sem sustentabilidade ambiental. A Pediatria, como ciência e prática social, tem o dever ético de incorporar a dimensão ecológica ao cuidado da infância.
Cabe aos profissionais de saúde, às famílias, às escolas, às comunidades, aos gestores públicos e a toda a sociedade o papel de protagonistas nessa transformação. São necessárias políticas públicas intersetoriais que assegurem sustentabilidade e o direito das crianças a um presente e um futuro em um planeta renovado.
A integração entre políticas de saúde, educação, meio ambiente e desenvolvimento sustentável é essencial para garantir equidade, justiça climática e o direito das crianças a um futuro saudável.
O futuro do planeta depende do cuidado que hoje dedicamos às crianças. Proteger a saúde da infância é proteger a vida na Terra.
Reafirmamos que:
Convidamos toda a sociedade a unir-se neste compromisso, com empatia e solidariedade: promover políticas, práticas e valores que assegurem às crianças e adolescentes o direito de crescer em um planeta saudável, justo e vivo.
25º Fórum da Academia Brasileira de Pediatria – Prof. Dr. Antônio Márcio Junqueira Lisboa Planeta saudável, Infância protegida
Academia Brasileira de Pediatria – ABP
Sociedade de Pediatria do Distrito Federal – SPDF
Comissões:
Comissão Organizadora
Presidente da SBP: Edson Ferreira Liberal (RJ) Presidente da ABP: Sandra Grisi (SP)
Presidente da SPDF: Luciana de Freitas Velloso Monte (DF)
Secretária Geral SBP: Maria Tereza Fonseca da Costa (RJ) Diretor de Cursos e Eventos da SBP: Renato de Ávila Kfouri (SP)
Comissão Científica Central – Academia Brasileira de Pediatria (ABP) Diretora Secretária: Magda Lahorgue Nunes (RS)
Diretor de Comunicação: Jefferson Pedro Piva (RS) Coordenador da Memória da Pediatria: Mário Santoro Jr. (SP)
Comissão Científica Local – Sociedade de Pediatria do Distrito Federal (SPDF) Presidente: Luciana de Freitas Velloso Monte
Vice-presidente: Renata Belém Pessôa de Mélo Seixas Primeira Secretária: Andréa Duarte Nascimento Jácomo
Comissão Científica: Andrea Nogueira Araújo, Camila Solé Ferreira Magalhães Lemes, Renata Orlandi Rubim
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