Após três dias de intensa programação científica, o 10º Simpósio Internacional de Reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) foi encerrado, em Foz do Iguaçu (PR), com um balanço amplamente positivo. Realizado entre os dias 28 e 30 de maio, o evento reuniu mais de 1.200 congressistas de diferentes regiões do Brasil e do exterior, consolidando-se como um dos principais fóruns de atualização e intercâmbio de conhecimentos em Neonatologia e assistência ao recém-nascido.
Promovido pela SBP, com apoio nesta edição da Sociedade Paranaense de Pediatria (SPP), o Simpósio contou com a participação de 43 palestrantes nacionais e quatro internacionais, além da realização de 19 atividades científicas, entre mesas-redondas, conferências, colóquios e simpósios satélites. A programação também contemplou a apresentação de trabalhos científicos, reunindo profissionais, pesquisadores e estudantes interessados no aprimoramento da assistência neonatal.
Para a 1ª vice-presidente da SBP, dra. Lilian Sadeck, a expressiva participação dos profissionais demonstra o compromisso da especialidade com a qualificação permanente. “Nosso Simpósio foi um grande sucesso. Considerando que o nascimento é um momento de grande vulnerabilidade e que todos os bebês merecem uma atenção especializada, permitindo uma transição da vida intrauterina para a extrauterina com mais segurança, a presença de todos os colegas lotando o auditório durante o evento nos traz um grande orgulho. Tenho certeza de que cada um vai retornar para seus serviços mais seguro para atuar nas salas de parto e cuidar melhor dos nossos recém-nascidos em todo o Brasil”, afirmou.
Para o presidente da SPP, dr. Victor Horácio de Souza, o 10º Simpósio reafirmou o compromisso da pediatria com a educação continuada, a excelência na assistência neonatal e a promoção de um início de vida mais seguro para todos os recém-nascidos. “Com auditórios lotados, ampla participação científica e forte integração entre profissionais brasileiros e internacionais, cumprimos nossa premissa”, ressaltou.
Presidente do evento, a dra. Gislayne Nietto destacou que um dos momentos mais marcantes da programação ocorreu logo na abertura do evento. Para ela, ver mais de 1.200 pessoas juntas, foi o ápice. “O no nosso lema ‘Juntos somos mais fortes’, mostrou a união representada. Recebemos 200 trabalhos científicos na categoria temas livres, premiações, homenagens, entre elas ao dr. José Dias Rego, que foi um dos grandes incentivadores da reanimação neonatal. Recebemos delegações da África, de Angola e Moçambique, que vieram prestigiar o evento e continuar aprendendo com um trabalho que o próprio Programa de Reanimação Neonatal do Brasil vem realizando”, ressaltou.
Segundo ela, a participação ativa dos congressistas e a integração entre os diferentes atores envolvidos na assistência neonatal simbolizaram o propósito do encontro. “Ver essa união, esse convívio durante todos esses dias, as nossas reuniões e a participação constante do público, com o auditório sempre cheio, foi a manifestação desse slogan que adotamos. Isso é muito representativo para nós. O Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal completa 32 anos, tendo à frente duas mulheres maravilhosas, Ruth e Fernanda, mas contando também com a representatividade de todos os estados e com essa vontade coletiva de fazer cada vez melhor. Foi muito importante e estamos muito felizes”, destacou.
Ao comentar a relevância do Simpósio para a pediatria paranaense e brasileira, a dra. Gislayne destacou a contribuição da iniciativa para a qualificação da assistência prestada desde os primeiros minutos de vida. Ela explica que o foco da neonatologia é prestar o atendimento nos primeiros minutos de vida do bebê que nasce e que os especialistas nesta área de atuação da Pediatria buscam a equidade, para que todos os bebês atendidos tenham a mesma oportunidade de receber um atendimento de qualidade, com maiores chances de sobrevida, menos sequelas e menor mortalidade.
“Isso inclui também o atendimento aos nossos prematuros, que representam cerca de 10% dos nascidos vivos. Estamos falando de melhoria da qualidade da assistência e do cuidado prestado. Por isso, considero este um tema muito importante para a Pediatria em geral. Estamos tratando do início da vida, mas de algo que terá reflexos ao longo de toda a vida desse paciente, inclusive na vida adulta”, acentuou.
TEMAS LIVRES – A apresentação dos trabalhos científicos foi um dos pontos altos da programação. Para a integrante da Comissão de Temas Livres, dra. Lígia Maria Suppo Sousa Rugolo, o volume de pesquisas submetidas – quase 200 artigos – evidencia o fortalecimento da área. Segundo ela, os números demonstram o crescimento e fortalecimento do Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal, que está cumprindo com maestria sua missão na formação e qualificação dos profissionais que cuidam de recém-nascidos ao nascimento.
“Os profissionais que participam do Programa estão divulgando os resultados exitosos de sua atuação, compartilhando experiências e motivando novas pesquisas, o que contribui para o crescimento científico e melhoria na qualidade da assistência nesta área crítica da assistência neonatal. Com certeza, a apresentação de temas livres é o passo inicial que estimula o crescimento da produção científica no Brasil”, disse.
LEGADO – O Simpósio também celebrou os 32 anos do Programa de Reanimação Neonatal da SBP – que agora passa a se chamar Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal. A iniciativa já certificou quase 200 mil profissionais em todo o país. Para as coordenadoras do Programa, dras. Maria Fernanda Branco de Almeida e Ruth Guinsburg, o principal legado está no engajamento coletivo em benefício da saúde neonatal.
“Em um ano tão especial, que marca os 32 anos do PRN-SBP e quase 200 mil profissionais certificados, o que mais nos emociona é a capacidade de nosso Programa envolver os pediatras, junto com todos os profissionais de saúde, na luta por um começo de vida digno para todo bebê que nasce em nosso país. Como falamos e sentimos: #todos juntos somos mais fortes!”, salientaram.
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL – A programação também reforçou o alcance internacional das ações desenvolvidas pela SBP. Nesta edição, 16 pediatras angolanos participaram de uma imersão em Neonatologia, iniciativa vinculada ao Projeto de Apoio à Implementação do Programa de Reanimação Neonatal em Angola.
De acordo com a coordenadora da ação Brasil/Angola, dra. Marcela Damásio, a participação dos profissionais representa um importante passo para o fortalecimento da assistência neonatal naquele país e se insere no projeto mais amplo e bastante ambicioso, em andamento no âmbito do Programa de Formação em Saúde Brasil/Angola.
Os profissionais que vieram foram treinados como instrutores na primeira etapa do projeto e participarão das capacitações que ocorrerão na segunda etapa, prevista para julho de 2026. “A participação no Simpósio, além da atualização nas diretrizes internacionais, fortalece os profissionais angolanos para disseminar os conhecimentos em Angola e reduzir as taxas de asfixia e mortalidade neonatal, promovendo saúde e bem-estar para os bebês e as famílias angolanas. A SBP é a associação científica pioneira nessa parceria”, comemorou.
PRÓXIMOS PASSOS – Presidente do Departamento Científico de Neonatologia da SBP, a dra. Lícia Moreira ressaltou a importância da troca de experiências proporcionada pelo encontro.“Foi importante a troca de experiências, o conhecimento das atualizações do Programa Brasileiro de Reanimação Neonatal e das novas propostas de trabalho discutidas na reunião da Diretoria Executiva, além da discussão dos temas livres. Também foi fundamental conhecer, por meio da conferência apresentada por Fernanda no primeiro dia, toda a dimensão do Programa desde sua criação, em 1994, e suas metas”, comentou.
Segundo a especialista, durante a reunião do Departamento Científico de Neonatologia foram debatidas ações para o segundo semestre deste ano, incluindo a participação no 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte (MG), além da construção de novas propostas de trabalho para 2027.