27/08/2026

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) realizará, no dia 13 de outubro, o 3º Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental e Alterações Climáticas Extremas, uma das atividades da programação científica do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria (CBP). Com o tema “Ambiente, Clima e o Futuro da Saúde da Criança e do Adolescente”, o evento reunirá pediatras de todo o País para discutir os impactos das mudanças climáticas e da degradação ambiental na saúde de crianças e adolescentes. A atividade é gratuita para os inscritos no 42º CBP.

“As evidências científicas são cada vez mais consistentes ao demonstrar que o ambiente em que crianças e adolescentes vivem, crescem e se desenvolvem exerce influência direta sobre sua saúde. Mudanças climáticas, eventos extremos, poluição, insegurança alimentar, exposição a substâncias químicas e desigualdades socioambientais já fazem parte da realidade dos consultórios, ambulatórios e serviços de urgência, exigindo do pediatra uma atuação cada vez mais ampla e atualizada”, destaca o presidente da SBP, dr. Edson Liberal.

Nesse sentido, o presidente do Departamento Científico (DC) de Toxicologia e Saúde Ambiental da SBP, dr. Rinaldo Tavares e um dos coordenadores do Simpósio, chama a atenção para a urgência do tema: “As crianças são as principais vítimas e a saúde ambiental se tornou o principal eixo estratégico da pediatria moderna. Além disso, o aumento das temperaturas também alterou o cenário epidemiológico do País, criando condições favoráveis para a disseminação de arboviroses como dengue, zika e chikungunya”, explica o especialista.

Para um dos coordenadores do Simpósio, dr. Clóvis Francisco Constantino, o sistema de saúde e a formação médica no Brasil ainda não estão preparados para essa nova realidade. “Esse é um investimento que quem está consciente do que está ocorrendo no planeta precisa montar esses eventos para orientar, esclarecer e, acima de tudo, capacitar os médicos. Quando falamos de crianças e adolescente, então, temos uma população muito vulnerável e que, portanto, necessita que o pediatra esteja atualizado e saiba orientar corretamente o que fazer em casos do calor extremo, por exemplo. Esses eventos afetam não só fisicamente as crianças e adolescentes, mas há também grande influência na saúde mental delas”, conclui.

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PROGRAMAÇÃO – A abertura será dedicada ao tema “Saúde ambiental como eixo estratégico da pediatria moderna”. Em seguida, a programação será dividida em quatro mesas-redondas temáticas. A primeira discutirá clima e doenças, abordando as mudanças climáticas e seus efeitos sobre a saúde infantil, os eventos climáticos extremos e sua relação com a morbimortalidade, além das arboviroses no contexto das mudanças ambientais. A segunda tratará da exposição ambiental e de suas consequências, com temas como poluição do ar e doenças respiratórias, disruptores endócrinos e seus impactos no crescimento e na puberdade e neurotoxicidade ambiental nos primeiros mil dias de vida.

Após o intervalo para o almoço, a programação será retomada com uma mesa sobre ambiente, estilo de vida e infecções, que incluirá discussões sobre o impacto dos ultraprocessados no ambiente alimentar, o saneamento básico como fator de proteção contra doenças infecciosas na infância e a relação entre poluição e adoecimento. A quarta mesa-redonda abordará ambiente, equidade e prática pediátrica, com reflexões sobre ambientes saudáveis para o desenvolvimento infantil, a escola como determinante da saúde e a justiça ambiental diante das vulnerabilidades sociais.

O simpósio será encerrado com uma mesa dedicada às Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2025 e ao futuro da formação médica. O debate discutirá se o currículo médico atual prepara os profissionais para os desafios da prática clínica e quais caminhos podem ser adotados para incorporar experiências práticas ainda durante a graduação.