13/10/2026

Ampliar a licença-maternidade é investir na saúde e no desenvolvimento das crianças, dos adolescentes e da sociedade em geral. Essa foi a defesa feita na abertura do 5º Simpósio de Aleitamento Materno, realizado na terça-feira (13), em Belo Horizonte (MG), dentro da etapa preliminar do 42º Congresso Brasileiro de Pediatria (CBP). Ao lado da defesa de políticas públicas, o encontro reforçou que as famílias precisam de apoio concreto para amamentar.

A conferência de abertura trouxe o panorama da amamentação no Brasil e no mundo, com tendências globais, políticas públicas e indicadores recentes. Em seguida, uma mesa-redonda tratou do manejo clínico da amamentação, com foco na observação da mamada, na autoeficácia materna e em recomendações baseadas em evidências sobre fisiologia da lactação e desenvolvimento infantil. A manhã foi encerrada com miniconferência sobre icterícia neonatal e a condução do quadro sem desmame injustificado.

À tarde, nova mesa-redonda discutiu o uso de medicamentos durante a amamentação, esclarecendo o que realmente a contraindica e o que pode ser mantido com segurança, além de estética e cosméticos no período. O simpósio foi encerrado com conferência sobre a Estratégia Mulher Trabalhadora que Ama menta, voltada às metas globais de promoção do aleitamento e ao papel dos profissionais de saúde no retorno ao trabalho.

Edson Liberal, presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), reafirmou o compromisso da instituição com a defesa de políticas que garantam o melhor começo de vida às crianças. Segundo ele, para contribuir com o avanço de propostas, a entidade tem reforçado sua atuação junto aos parlamentares do Congresso Nacional, com apoio de assessoria especializada e um grupo de pediatras dedicado ao tema.

“Aumentar o tempo de licença-maternidade para todas as mulheres é uma pauta antiga e urgente. Servidoras públicas já contam com seis meses de licença, enquanto trabalhadoras celetistas e profissionais em regime PJ enfrentam situação cada vez mais precária. A licença-maternidade prolongada é um investimento. Ela melhora a qualidade de vida, reduz a morbimortalidade infantil e favorece o desenvolvimento afetivo da criança. Em 2027, esse deve ser um tema forte para o nosso departamento”, afirmou

Por sua vez, a presidente do Simpósio e do Departa mento Científico de Aleitamento Materno, Rossiclei Pinheiro, destacou que o cuidado centrado nas famílias exige mais do que informação. “Ninguém amamenta sozinho. A amamentação é vivenciada no contexto familiar, social, cultural e emocional de cada pessoa”, afirmou.

Segundo ela, cabe aos profissionais oferecer apoio, segurança e confiança, respeitar escolhas e realidades, combater julgamentos e desigualdades e fortalecer as redes de apoio. “A oportunidade de estimular o aleita mento pode parecer, muitas vezes, um gesto pequeno, mas seus efeitos alcançam gerações”, disse, ao convidar os participantes a renovar conhecimentos e a multiplicar um cuidado cada vez mais humano, ético, baseado em evidências.

Já a secretária do Departamento Científico, Lélia Cardamone Gouveia, apresentou a pesquisa que orientou a construção da programação desta edição do Simpósio. O estudo, transversal e eletrônico, foi feito durante o 41º Congresso Brasileiro de Pediatria com 290 pediatras e residentes, para identificar suas prioridades educacionais sobre aleitamento.

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