Quando suspeitar e como investigar imunodeficiência primária? Este foi o tema de um painel que chamou a atenção dos participantes do 14º Congresso de Alergia e Imunologia (Alergoped), que terminou no último fim de semana em Cuiabá (MT). O painel foi conduzido pela Dra. Hermília Tavares, membro do Departamento de Imunologia da Sociedade Brasileira …

Quando suspeitar e como investigar imunodeficiência primária? Este foi o tema de um painel que chamou a atenção dos participantes do 14º Congresso de Alergia e Imunologia (Alergoped), que terminou no último fim de semana em Cuiabá (MT). O painel foi conduzido pela Dra. Hermília Tavares, membro do Departamento de Imunologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), sob a presidência da dra. Alda Elizabeth, do DC de Adolescência.
A imunodeficiência primária (IP) é composta por um grupo de mais de 150 doenças, geralmente hereditárias. Elas são causadas por erros genéticos das células que formam o sistema imunológico. Têm uma ampla gama de sintomas que variam de leves a graves. As especialistas destacaram aos congressistas os dez sinais de alerta para suspeitas das IPs e ressaltaram a importância do pediatra estar atento a estes sinais para encaminhar seus pacientes para os especialistas.
Os dez principais sinais de alerta são: duas ou mais pneumonias no último ano; oito ou mais novas otites no último ano; estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses, abscessos de repetição ou ectima; um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia); infecções intestinais de repetição ou diarréia crônica; asma grave; doença do colágeno ou doença auto-imune; efeito adverso ao Bacillus Calmette–Guérin (BCG) e/ou infecção por micobactéria; fenótipo clínico sugestivo de síndrome associada a imunodeficiência; e história familiar de imunodeficiência.
NUTRIÇÃO E ALERGIA – A conferência internacional “Nutrição e Vida precoce”, realizada no dia 19, também mereceu destaque na programação do evento. Presidida pelo pediatra dr. Dirceu Solé, a conferência contou com a participação do médico espanhol dr. Luis Garcia Marcos. Ele compartilhou com os presentes o estudo que está sendo feito na Europa e que deve ter os primeiros resultados em dois anos, sobre a influência da alimentação e meio ambiente no desenvolvimento de alergias infantis.
Segundo o Dr. Solé, o estudo vai acompanhar as gestantes a partir da vigésima semana de gestação até os 18 meses da criança. A dieta da gestante, da lactante, e até mesmo o tipo de parto estão sendo acompanhados para os resultados. “Se o cigarro influencia, e muito, nas futuras alergias da criança, imagina a alimentação”, pondera o pediatra.
O Congresso encerrou as atividades no último sábado e foi extremamente elogiado pelos participantes pela qualidade da programação científica. Mais de 60 mesas redondas e conferências foram realizadas ao longo de três dias. Com foco no pediatra geral, o evento contou com a participação de mais de 600 congressistas e a dezenas de palestrantes do Brasil e do exterior.