18/09/2017

Departamento Científico de Imunizações da SBP
(atualizado julho/2017)  

A 18ª Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza, realizada pelo Ministério da Saúde em todo o Brasil, aconteceu entre 17 de abril a 09 de junho de 2017. Este ano, conforme os dados do Informe Epidemiológico da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVE) do Ministério da Saúde, até a 26ª semana epidemiológica, ou seja, no período entre 01/01/2017 a 01/07 2017), foram notificados 1628 casos e 261 óbitos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por influenza. Do total dos casos de óbitos 13 ocorreram em crianças menores de cinco anos de idade. Nesta temporada, diferente do que ocorreu em 2016 quando houve maior circulação do vírus influenza A (H1N1), houve predomínio de circulação de influenza A (H3N2), correspondendo a 74,4% dos casos de influenza. O Estado do Brasil com maior número de óbitos foi São Paulo (http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/julho/05/Informe-Epidemiologico_Influenza%202017-SE-26.pdf ).  

Veja a seguir algumas respostas para dúvidas frequentes sobre a gripe e a vacinação.

O que é gripe?
A gripe é uma infecção viral causada pelo vírus Influenza, que se apresenta com febre, dor no corpo, dores de cabeça e sintomas respiratórios como tosse, congestão de vias aéreas e dificuldade para respirar. Em crianças um dos principais sintomas pode iniciar apenas com crises de sibilância (“chiado no peito”).

Os sintomas variam de leves a graves, podendo levar até ao óbito, dependendo do grau de agressão do vírus e principalmente do estado imunológico e nutricional do paciente.  

Qual a diferença entre gripe e resfriado?
O resfriado pode ser causado por vários tipos de vírus que provocam sintomas semelhantes ao da gripe, porém em geral mais leves.
Não existe uma vacina específica contra resfriado, pois existem vários tipos de vírus respiratórios que causam a doença, o que dificulta o desenvolvimento de vacinas.
Já a gripe é causada por um vírus específico, o Influenza, e por isso é possível preveni-la com a vacinação. Porém, ele se divide em vários subtipos (cepas) que sofrem mutações constantes e é necessário atualizar a vacina contra a gripe a cada ano, para que ela seja eficiente ao tipo de vírus circulante no momento. Além disso, a duração da imunidade após a vacina é de aproximadamente 12 meses, tornando necessária a revacinação anual.
Tanto a gripe como o resfriado são transmitidos de pessoa para pessoa por gotículas respiratórias e através de objetos contaminados.

 
Como evitar a gripe?
Além da vacina, são medidas importantes na prevenção da doença: fazer a higiene das mãos com água e sabão ou fricção de álcool a 70%, evitar ambientes com aglomerações e fechados, aleitamento materno e não exposição ao tabaco. Além disso, é muito importante adotar a “etiqueta” respiratória (figura 1), protegendo a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, com lenço descartável ou nos cotovelos a fim de diminuir a contaminação de outras pessoas. A principal forma de transmissão dos vírus respiratório é pelas mãos contaminadas.
Medidas diárias que também auxiliam na prevenção da Gripe:  

·         Tente evitar contato com pessoas doentes.
·         Se você estiver doente com sintomas de gripe, é recomendado permanecer em casa até 24hs depois de cessar a febre.
·         Cubra seu nariz e boca com um lenço descartável quando tossir.
·         Faça higiene das mãos sempre que necessário.
·         Evite tocar olhos, nariz e boca. Os vírus respiratórios transmitem-se por estes locais. ·         Mantenha os ambientes e superfícies limpas, usando desinfetantes.  

A vacina protege contra todos os vírus?
Atualmente temos disponíveis no Brasil dois tipos de vacinas da gripe, a trivalente e a tetravalente. Quem define a composição dessas vacinas é a Organização Mundial da Saúde (OMS), que faz a vigilância do vírus em todo o mundo. Em geral no mês de setembro de cada ano, a OMS define quais os as cepas de influenza mais prováveis de circular naquele ano. A vacina trivalente, que está sendo utilizada na rede pública, está programada para proteger contra os três variantes do vírus Influenza: AH1N1, AH3N2 e um tipo do B. Já a vacina tetravalente, protegerá, além dos tipos descritos anteriormente um segundo tipo do B, ampliando a chance de proteção. Essa vacina só está disponível na rede particular.  

Quem deve fazer a vacina?
Na campanha do MS o público alvo é a população de maior risco, que inclui as crianças de seis meses até cinco anos incompletos (quatro anos, 11 meses e 29 dias); pessoas de qualquer idade que apresentem comorbidade, isto é, alguma doença crônica como a asma, diabetes, doenças renais, entre outras; os profissionais da saúde e da educação; indígenas; gestantes e puérperas; população carcerária e os idosos acima de 60 anos.
Qualquer cidadão acima dos seis meses de idade pode tomar a vacina. As pessoas classificadas como pertencentes aos “grupos de risco” recebem gratuitamente na rede pública, os demais podem receber de modo privado.
Já está comprovado que a vacinação contra a gripe na população geral, além das pertencentes aos grupos de maior risco, é também é eficaz, principalmente na redução de faltas no trabalho e na escola. Por isto, muitas empresas e escolas estão investindo recursos próprios para vacinar seus colaboradores e alunos.  

A vacina é 100% eficaz?
Não. A eficácia da vacina depende de uma série de fatores. O primeiro deles é se as cepas do vírus influenza que irão circular serão semelhantes àquelas definidas pela OMS como as mais prováveis e que estão contidas na vacina. Nos anos em que ocorre uma maior coincidência entre as cepas contidas na vacina e as circulantes, esta eficácia está em torno de 70 a 80%. Outros fatores importantes são a idade (em crianças e idosos a eficácia é menor) e situações de saúde que podem fazer com que a resposta imune (a criação de anticorpos pelo organismo) não seja adequada.
Entretanto, os estudos científicos e estatísticos realizados em todo o mundo documentam uma excelente relação custo e benefício. Resumindo em uma linguagem bem simples, “é sempre melhor tomar, do que não tomar a vacina”.  

A vacina pode causar eventos adversos?
Sim, como qualquer vacina, pode ocorrer dor no local da aplicação, ficar um pouco inchado, vermelho e eventualmente ocorrer febre. É importante salientar que a vacina, por ser inativada, não é capaz de causar a doença gripe, como reação.  

Quais as contraindicações?
Como regra geral, deve-se evitar aplicar qualquer vacina em pessoas que estejam com febre ou alguma doença aguda (pneumonia, infecção gastrintestinal, etc.). Assim que ocorra a resolução do processo agudo, a vacina deve ser aplicada.
Pacientes em tratamento quimioterápico para o câncer ou em uso de medicamentos imunossupressores para doenças crônicas podem ter uma eficácia vacinal reduzida.
Crianças que tiveram reação anafilática ao ovo (reação alérgica muito grave) com necessidade de atendimento de emergência devem consultar seu médico para orientação.  

Qual o esquema de utilização?
Crianças menores de nove anos que estejam recebendo a vacina pela primeira vez, ou que não tenham recebido duas doses da vacina a partir de 2010, recebem duas doses, com um mês de intervalo entre elas. A dose para crianças de seis meses a três anos de idade é 0,25mL. Para os maiores de três anos a dose é de 0,5mL.  

A vacina é a melhor forma de prevenção contra gripe (influenza)!  

Referências:

www.portalsaude.saude.gov.br

www.cdc.gov