15º ALERGOPED - Conferência ASBAI-SBP aborda a relação entre doenças alérgicas, fatores ambientais e hábitos de vida

A mesa-redonda “Simpósio Asbai-SBP: doenças alérgicas, fatores ambientais e hábito de vida” aconteceu no segundo dia de debates do 15º Alergoped, em Foz do Iguaçu (PR). Na ocasião, o presidente do Departamento Científico de Alergia da SBP, dr. Emanuel Sarinho, coordenou a discussão. O evento está sendo promovido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em parceria com a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai).

Em sua participação, o presidente de honra do 15º Alergoped, dr. Nelson Rosário, abordou a Influência do aquecimento global e das alterações climáticas, com o objetivo de demonstrar como as recentes alterações têm elevado a prevalência das alergias. Foram enfatizados os índices divulgados por diferentes agências de controle climático, que constatam o avanço da temperatura do planeta, assim como o acúmulo de gás carbônico na atmosfera terrestre.

“Todas essas mudanças demandam ações realmente decisivas para proteger as gerações atuais e futuras, mas não somente por parte das autoridades governamentais. Esse deve ser um compromisso assumido também pelos profissionais de saúde. A poluição do ar interfere diretamente nas alergias respiratórias e a tendência é o surgimento cada vez maior de novos pacientes com asma e outras doenças”, disse.

De acordo com dr. Nelson Rosário, o aumento do nível do mar, o derretimento das geleiras e a intensificação da precipitação pluviométrica, dentre outros, têm potencial para amplificar em escala as taxas de morbidade e mortalidade, exigindo assim atenção de cada especialidade da comunidade científica.

MICROBIOMA – Em sua vez, o coordenador para a região Norte da Diretoria de Integração Regional da SBP, dr. Bruno Paes Barreto, comentou “A importância da microbiota intestinal”. O pediatra chamou atenção para algumas das funções desse conjunto de microorganismos, entre elas, a proteção direta contra antígenos bacterianos, virais e fúngicos por competição; a sua propriedade de barreira; a produção de mecanismos que estimulam a síntese de proteínas de junção (claudinas e ocludinas); aumento da quantidade de muco; e outras.

Entre os aspectos contraproducentes a uma microbiota adequada, disse ele, estão fatores genéticos e epigenéticos, como: microbiota da mãe; uso prolongado de antibióticos; desmame precoce; introdução alimentar inadequada; parto cesariana; e alguns conceitos ainda obscuros sobre a microbiota uterina.

“Uma vez que existam fatores contra a boa instalação da microbiota intestinal, haverá uma mudança nessa diversidade bacteriana. Ao longo do tempo, os indivíduos têm perdido essa pluralidade devido às variadas alterações ambientais e comportamentais decorrentes da Modernidade. A intervenção do pediatra deve ocorrer através do uso de pré e probióticos ou do transplante de microbiota fecal”, afirmou.

Na oportunidade, dr. Bruno Barreto também enfatizou a necessidade de pensar a relação entre microbiota e sistema imunológico no contexto de outras doenças – como câncer, obesidade, doenças inflamatórias intestinais, diabetes e autismo –, que têm aumentado de prevalência nos últimos anos.

“Se existe fundo imunológico nessas doenças e a microbiota tem interface direta com o sistema imune, é possível que haja interface da microbiota com todas essas doenças. Há muitos fatores de risco para doenças crônicas não infecciosas, que são programadas ainda na infância, e esse conjunto de microorganismos pode ser um aspecto a mais para a doença do adulto”, concluiu.

ATIVIDADE FÍSICA – Já o presidente da Asbai, dr. Flávio Sano, conduziu uma exposição sobre o tema “O exercício como fator modulador e de prevenção”. O especialista exemplificou como realizar o tratamento do broncoespasmo – estreitamento nos brônquios que impede a passagem do ar até os pulmões – por meio de exercícios físicos, no intuito de controlar a asma; inibir ou minimizar a interferência do BIE sobre a performance; prevenir fatores de risco para exacerbações; e reduzir o risco de perda da função pulmonar.

“Qualquer atividade física provoca a hiperventilação da mucosa respiratória. Isso deflagra no paciente mecanismos fisiopatológicos de agressão, que podem culminar em broncoespasmos. Fatores como dieta alimentar, prática de atividade física, herança genética e interação ambiental podem ser modulados para melhorar essa situação no indivíduo asmático. Logo, os esportes devem ser incentivados em boa parte dos casos, pois é justamente a falta de condicionamento físico que contribui para essa falta de ar”, esclareceu ele.

No sábado (13), ocorre o encerramento do 15º Alergoped. Estão previstas mesas-redondas e conferências sobre “Asma e obesidade: qual a relação?”, “Intervenção alimentar precoce na prevenção da alergia”, “As fórmulas de aminoácidos devem ser prescritas para todos os pacientes com alergia ao leite de vaca?”, “Abordagem da Dermatite Atópica Grave”, entre outras; além da entrega dos prêmios para os autores dos melhores trabalhos científicos.


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