Artigo avalia o impacto da Iniciativa Hospital Amigo da Criança na redução da mortalidade infantil no Brasil

A Revista Brasileira de Saúde Materno-Infantil, publicação do Instituto de Medicina Integral Fernandes Figueira (IMIP), divulgou um novo artigo científico que avalia o impacto da Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC) nas taxas de mortalidade neonatal tardia e infantil no Brasil.

A publicação retrata de maneira inédita os efeitos potenciais da IHAC, considerada uma estratégia eficaz de promoção e apoio ao aleitamento materno, relacionando as diferenças de prevalências nos indicadores de amamentação entre as crianças nascidas em hospitais credenciados na Iniciativa e não credenciados com a redução da mortalidade infantil.

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Segundo os dados apresentados, a prevalência da amamentação na primeira hora de vida (AMPH) entre os nascidos em IHAC foi 11,7% maior que a dos não nascidos na IHAC. Do mesmo modo, o aleitamento materno exclusivo em crianças menores de seis meses (AME) demonstrou ser 7,9% mais prevalente entre os bebês nascidos na IHAC.

Essas prevalências mais elevadas poderiam gerar um resultado presumível na redução dos óbitos neonatais tardios (7 a 17 dias de vida) de 4,2%; de óbitos infantis (7 a 189 dias) por infecções de 4,2%; e por todas as causas de 3,5%. A estimativa sugere que, em 2008, a IHAC evitou 294 óbitos de crianças entre 7 e 27 dias, 723 óbitos por infecção e 602 de crianças entre 7 e 180 dias por todas as causas.

BENEFÍCIOS – De acordo com a presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Elsa Giugliani, o efeito observado no estudo está em consonância com diferentes pesquisas que demonstram uma relação direta entre a amamentação com a diminuição da morte de crianças.

“Dentre os fatores que reduzem a mortalidade infantil, o aleitamento materno representa a prática isolada de maior efetividade, com potencial para evitar milhares de mortes anuais em todo o mundo, principalmente quando iniciada na primeira hora de vida e praticada de forma exclusiva nos primeiros 6 meses de vida”, afirma.

Os benefícios do aleitamento materno abrangem a prevenção contra a desnutrição, proteção contra doenças infecciosas e crônicas, aumento do vínculo emocional e afetivo entre mãe e bebê; além de favorecer o crescimento e desenvolvimento infantil. Tais evidências, portanto, fundamentam o propósito original da IHAC de contribuir para a redução da mortalidade infantil, uma vez que as taxas mais elevadas de amamentação estão associadas à implementação da IHAC.

Entretanto, essa ocorrência está sujeita ao cumprimento dos “Dez Passos para o Sucesso da Amamentação”, que servem como base da Iniciativa. No Brasil, dados do monitoramento realizado anualmente pelo Ministério da Saúde apontam dificuldades para o cumprimento dessas etapas em vários hospitais credenciados, que abrangem mudanças estruturais e tecnológicas e em especial de ordem cultural.

FORTALECIMENTO – Em 2018, como parte das iniciativas desenvolvidas durante o Agosto Dourado, a SBP divulgou um documento científico com o tema “Consultório Amigo da Amamentação”, com uma série de propostas que orientam os pediatras a atuar de forma comprometida na promoção, proteção e apoio ao aleitamento.

A ação tem como base a IHAC e visa dar mais visibilidade ao trabalho dos pediatras em prol da amamentação em seus consultórios. Segundo a dra. Elsa Giugliani, a estagnação do crescimento da iniciativa no Brasil e no mundo é motivo de preocupação.

“É necessário superar a resistência à mudança e incentivar a apropriação integral da Iniciativa pelos profissionais de saúde e principalmente pelos gestores, sensibilizando os profissionais envolvidos na aplicação das práticas adequadas do parto e da amamentação. A IHAC precisa ser fortalecida, pois representa um caminho concreto para a redução da mortalidade infantil no Brasil”, enfatiza.

O artigo científico sobre a contribuição da Iniciativa Hospital Amigo da Criança para o incremento da amamentação e a redução da mortalidade infantil no Brasil é de autoria dos drs. Osvaldinete Lopes de Oliveira Silva, Marina Ferreira Rea, Sonia Isoyama Venâncio e Gabriela dos Santos Buccini.

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