Congressista discutem avanços e desafios no combate à tuberculose em crianças

O Brasil é o primeiro país em incidência de tuberculose na América Latina e situa-se entre os 22 no mundo com maior número de casos, sendo que as crianças representam 20% deste índice. Por isso, a importância dos debates da mesa redonda “Desafios no controle da tuberculose”, realizada no início da manhã de sexta-feira (11), no 39º Congresso Brasileiro de Pediatria. “Será que estamos fazendo a nossa parte? Porque é preciso caçar a tuberculose nas crianças”, indagou a dra. Sílvia Regina Marques, membro do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileiro de Pediatria (SBP).

Em sua fala, dra. Sílvia destacou que, embora o Brasil seja um dos países com indicação de vacina contra a tuberculose – a BCG (Bacilo de Calmette e Guérim) –, a investigação do comunicante da doença é falha, os conceitos da enfermidade muitas vezes são equivocados e falta ainda conscientização da comunidade sobre onde podem existir possíveis transmissores da tuberculose. 

Para reverter o quadro de incidência da doença no Brasil, dra. Sílvia defende que uma ação conjunta entre médicos, educadores, família e sociedade. “Passar para o doente a importância do controle da tuberculose não é uma tarefa fácil. Toda a comunidade ao seu redor precisa dessa consciência”, afirmou. 

A médica pediatra infectologista, dra. Cristina de Oliveira Rodrigues, destacou que o longo tempo do tratamento da tuberculose, no mínimo seis meses, e o uso de medicamentos não palatáveis ou até desagradáveis para a ingestão de crianças dificultam um controle maior da doença. “Esquemas de tratamento equivocados, doses inadequadas, baixa adesão e interrupção precoce do tratamento também são prejudiciais ao seu controle”, alertou.

Dra. Cristina, que é professora titular de pediatria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e membro do Departamento Científico de Infectologia da SBP, enfatizou ainda que a cura da tuberculose nas crianças depende de um tratamento bem feito e de formulações medicamentosas mais adequadas. “Geralmente é um comprimido que precisa ser amassado ou uma solução com gosto ruim”, disse. 

No entanto, ela se diz otimista com a entrada no mercado brasileiro de um medicamento que irá ajudar e simplificar o tratamento nas crianças. “São remédios com sabor agradável que facilitam a ingestão pelas crianças”, contou. Tais medicamentos, segundo ela já aprovados pelo Ministério da Saúde, devem estar disponíveis no Brasil em 2020.

Já o infectologista pediátrica, dr. Marcelo Comerlato Scotta (RS), gestor da linha de cuidado de pediatria do Hospital São Lucas da PUCRS, demonstrou pessimismo na reversão do quadro atual da doença no mundo. “Se continuarmos assim, com tantas dificuldades no diagnóstico, na atenção inicial e no tratamento da doença, vamos levar, no mínimo 150 anos para acabar com a tuberculose no mundo”, afirmou.

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