Congressistas debatem responsabilidade de pais e pediatras no controle da obesidade infantil

A obesidade nas crianças e adolescentes e a adoção de uma alimentação saudável, sem modismos e com os nutrientes essenciais para o crescimento adequado, foram os alguns dos temas debatidos na manhã desta quinta-feira (10), durante o 39° Congresso Brasileiro de Pediatria, que ocorre em Porto Alegre (RS). A presidente do Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Virgínia Weffort, destacou que a obesidade não é uma doença única e que sua incidência causa diversas enfermidades nos adultos e também em crianças e adolescentes.

Entre as doenças mais preocupantes, decorrentes da obesidade infantojuvenil, ela citou as cardiovasculares, o diabetes, as ortopédicas, as gastrointestinais, as dermatológicas, a apneia do sono e as psicológicas, com destaque para a depressão e o bullying. “São comorbidades que podem ter sua incidência sensivelmente reduzida se o diagnóstico for detectado mais cedo”, afirmou. Desde o nascimento, observando o percentual da curva de crescimento da criança, dra. Virgínia disse que já é possível controlar o peso, e a partir do primeiro ano, se o paciente revelar um crescimento fora da curva, é importante começar a cuidar da alimentação.

EQUILÍBRIO – Para prevenir a obesidade infantil e juvenil, segundo a dra. Virgínia, é fundamental investir em nutrição equilibrada e saudável e manter atividades físicas. “A receita é comer certo e evitar o sedentarismo”, afirmou a professora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, de Uberaba (Minas Gerais). Segundo ela, existe uma teoria de que comer certo não é muito barato e que a prática de atividades físicas é onerosa para as famílias. “O profissional deve orientar o paciente a procurar utilizar os alimentos (frutas e verduras) da estação e a atividade física pode ser uma caminhada no parque, andar de bicicleta ou passear com o cachorro. Não precisa ser só na academia”, disse.

A médica pediatra da Disciplina de Nutrologia do Departamento de Pediatria da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), dra. Fernanda Luisa Ceragioli Oliveira, ressaltou que toda a sociedade médica está engajada no controle da obesidade infantil. “É uma epidemia mundial e o grande desafio da pediatria é o tratamento adequado e o diagnóstico mais cedo, a fim de evitar que as doenças secundárias apareçam”, afirmou. Ela assegurou que, além da nutrição adequada e das atividades físicas, é essencial o envolvimento de pais e mães, o incentivo ao aleitamento materno, ingestão reduzida de sal e açúcar e respeitar o apetite das crianças.

A coordenadora do Departamento de Nutrologia da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape), dra. Junaura Rocha Barreto, revelou que os objetivos prioritários do tratamento da obesidade nas crianças consistem em promover um crescimento saudável, a perda de peso, uma boa saúde mental, a prevenção e o tratamento das complicações decorrentes do aumento do peso. Sobre atividades físicas, ela aconselhou: dos 5 aos 17 anos, no mínimo, 60 minutos diários de atividades físicas aeróbicas, pelo menos três vezes por semana. 

EM FAMÍLIA – O membro do Departamento de Nutrologia da SBP, dr. Mauro Fisberg, coordenou a conferência ”Influência da Família na Alimentação do Adolescente e Modismos” e disse que o papel da família, em tempos de combate aos modismos e fake news, é muito importante na orientação alimentar das crianças. A professora associada de nutrição aplicada da Universidade de Guelph (Canadá), dra. Jess Haines, adiantou que 60% dos pais dizem que seus filhos são enjoados para comer e que principalmente após os dois anos começam a recusar alimentos que antes eram bem aceitos. “Trata-se da fase em que as crianças começam a perceber que já podem ter certa autonomia sobre seus pais”, relatou.

Por isso, dra. Jess ensinou que se a criança recusar uma vez o alimento os pais não devem desistir. “A criança pode apenas estar mostrando que tem autonomia. Cabe aos pais a responsabilidade de apresentar aos filhos o que comer e como deve ser servido”, informou. “As crianças precisam enxergar o prazer na comida”, recomendou.

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