COVID-19: Presidente do DC de Infectologia endossa medidas de contenção adotadas no Brasil

O Brasil está adotando as medidas corretas para a contenção da pandemia por infecção com o Covid-19 e a população deve aderir aos cuidados de prevenção para que seja exitoso o esforço para impedir maior disseminação da doença. Para o dr. Marco Aurélio Safadi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), uma política de prevenção adotada no momento correto, e com eficácia, é vetor determinante no combate e controle da pandemia: além de evitar a propagação do vírus, dá ao sistema de saúde o tempo necessário para estruturar o atendimento à população. 

“É preciso compreender que essas medidas, quando implementadas no momento oportuno, se mostraram exitosas no que diz respeito a evitar a sobrecarga de casos, de forma que o sistema de saúde se estruture e possa atender de forma adequada os pacientes que caminharem para as formas mais graves da doença”, afirmou, durante entrevista concedida à BandNews TV.

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Segundo o infectologista, o monitoramento da propagação do vírus em países como a China, Itália, Espanha e outros, indica que a adoção de medidas restritivas de convívio social antes da explosão do contágio pode ser determinante para evitar casos letais da infecção pelo Covid-19. Por isso, ele defende que a população adote rigorosamente todos os cuidados recomendados. “Não queremos gerar pânico, mas esses cuidados podem ter sido determinantes para controlar a letalidade da doença em outros países”, justifica. 

FORMAS DE TRANSMISSÃO – O especialista explicou as três formas de transmissão da doença e a correlação entre os efeitos das medidas restritivas e o atendimento do sistema de saúde. Na entrevista, que durou cerca de 15 minutos, ele confirmou que a pandemia pelo coronavírus pode ser alimentada pelos chamados casos importados, que caracterizaram o primeiro estágio da pandemia, em que brasileiros foram testados positivo ao retornarem de viagens internacionais para países da Ásia e da Europa e também por terem contato com pessoas que estiveram nessas localidades. 

A segunda forma de transmissão, classificada como transmissão local, é aquela que envolve pacientes que tenham adquirido a infecção, porém não seja possível rastrear a origem do contágio. “É o que vivenciamos aqui em São Paulo e no Rio de Janeiro desde a semana passada, em que o paciente não viajou para a Ásia ou a Europa nem teve contato com alguém que tenha viajado”, explica. 

A terceira forma de contágio, diz, é a chamada transmissão sustentada, fruto do acúmulo de casos em que não é possível identificar de que maneira os pacientes adquiriram a infecção. “Isso é muito importante do ponto de vista epidemiológico, de vigilância, de indicação da coleta de exames e da nossa postura perante esses casos, para tentar minimizar as consequências dessa infecção”.

CUIDADOS COM O IDOSO – O representante da SBP também tirou dúvidas sobre a necessidade de cuidados especiais com o idoso e a gestante. “Não temos nenhuma dúvida de que os idosos são aqueles que apresentam maior risco de complicação, desfechos graves, hospitalização, insuficiência respiratória, e eventualmente de morte”, alerta o dr. Safadi. Segundo ele, as complicações decorrentes da transmissão de Covid-19 têm se concentrado nesse grupo, com impacto ainda maior entre idosos com idade mais avançada, a partir dos 70 anos.

Para ele, a suspensão de aulas nas escolas e universidades é uma medida importante para proteger esse grupo de risco: crianças, adolescentes e adultos jovens desenvolvem a infecção de forma mais branda e podem tornar-se veículo do vírus e propagar sua transmissão entre os mais velhos. “Preservando os idosos nesse momento de maior exposição, minimizamos o risco de novos infectados e, com isso, conseguimos impedir a sobrecarga do sistema de saúde”. 

O especialista da SBP também explicou os cuidados e riscos associados às mulheres gestantes. Segundo ele, o atendimento pré-natal não muda. “As gestantes continuarão sendo acompanhadas e monitoradas. É importante salientar que com mais de dois três meses de documento de casos, com esses mais de 160 mil casos confirmados no mundo, não há registro de maior gravidade”, avisa. 

Dr. Safadi também informou que os estudos que monitoraram recém-nascidos de gestantes acometidas pela pneumonia decorrente do Covid-19 não observaram transmissão vertical, que acontece quando a doença é transmitida pela mãe ao feto dentro do útero. O especialista informa que em nenhum caso houve registro desse tipo de transmissão. “Há um relato, mas é de recém-nascido. Há dúvidas se contraiu após o nascimento ou intraútero. Documentação inequívoca de transmissão intraútero, de transmissão vertical, ainda não aconteceu”. 

CIRURGIAS ELETIVAS – Na entrevista, também foi abordada a pertinência de suspender ou adiar cirurgias e procedimentos eletivos. O especialista da SBP afirma que é uma decisão “sensata”, especialmente diante da necessidade de não sobrecarregar a assistência médico-hospitalar no País. “Se você tem procedimento que é eletivo e pode aguardar para ser feito, é sensato que se aguarde uma estabilização. Supomos que em alguns meses a situação volte à normalidade e vamos retomar esse tipo de procedimento”. 

O infectologista foi enfático ao destacar que o governo federal tem atuado da forma correta no combate à doença, tomando as medidas no tempo correto. “Nós discutimos exaustivamente os protocolos que devem ser implementados, de modo que existe uma uniformização das condutas que devem ser tomadas”, informa. “O Ministério da Saúde tem trabalhado com as secretarias de saúde estaduais e municipais de todo o pais, de forma a contemplar protocolos e uniformização de conduta de forma a termos sucesso no tratamento da maioria dos casos que venham a ser internados com a Covid-19”.

Confira todas as orientações da SBP sobre a COVID-19 em https://www.sbp.com.br/especiais/covid-19/ 


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