DC de Aleitamento Materno da SBP reforça a importância do Banco de Leite Humano e do resgate da cultura do aleitamento

O Dia Nacional de Doação de Leite Humano é celebrado todo 19 de maio. Esse ano, em virtude da pandemia do novo coronavírus, o Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou a nota de alerta “19 de Maio de 2020 - Dia Nacional de Doação de Leite Humano - A pandemia desafiando a solidariedade”. O objetivo do documento é reforçar a importância do leite materno para o desenvolvimento e a sobrevivência das crianças e como o Banco de Leite Humano (BLH) possui um papel fundamental nesse cenário.

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Conforme reforça o presidente do Departamento Científico de Aleitamento Materno da SBP, dr. Luciano Borges Santiago, o leite materno é um alimento que ajuda no desenvolvimento da criança, protegendo sua saúde e suprindo todas as necessidades nutricionais até os seis meses de idade, evitando problemas como a desnutrição, por exemplo. Além disso, a criança está protegida contra alergias e infecções, fortalecendo-se com os anticorpos da mãe e evitando problemas como diarreias, pneumonias, otites e meningites, entre outros inúmeros benefícios.

“O estímulo à doação de leite materno é fundamental porque existe uma enorme demanda e ela é maior do que a oferta que temos atualmente. Muitas mães que amamentam não sabem que podem doar o leite sem atrapalhar o aleitamento de seu filho. Como a produção de leite de uma lactante depende da demanda, se a mulher amamenta o seu filho e doa o leite, ela possuirá leite para os dois”, diz.

Dr. Luciano explica ainda que a doação desse leite ajuda a melhorar a sobrevivência dos recém-nascidos, que são internados, em especial os prematuros. Cada litro de leite doado pode ser suficiente para alimentar dez bebês durante um dia, visto que a dieta fracionada dos mais imaturos e de menor peso, muitas vezes, é composta por volumes tão pequenos quanto um mililitro.

Além disso, todo o leite doado passa por rigorosos protocolos sob a orientação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para tanto, a Rede Brasileira de Banco de Leite Humano –  iniciativa do Ministério da Saúde e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) –  tem normas técnicas bem estabelecidas, que preconizam treinamento da equipe de saúde e recrutamento adequado de doadoras, bem como o manuseio higiênico, processamento apropriado, armazenamento correto e distribuição criteriosa do LH doado e pasteurizado.

Outro ponto ressaltado pelo pediatra é que a preocupação com a segurança da amamentação cresceu nesse período de pandemia do novo coronavírus (COVID-19). No entanto, sabe-se que, “no momento não há evidências científicas que respaldem a suspensão da amamentação em casos de infecção da mãe pelo vírus. A lactante deve estar em condições clínicas adequadas e seguir as recomendações de higiene: sempre lavar as mãos antes de amamentar e utilizar máscara”, enfatiza.

A nota publicada pela SBP traz ainda a relevância do professional da saúde, em especial os pediatras, nesse cenário no qual a sociedade está vivendo, para incentivar o aleitamento materno em todas as famílias.

“A amamentação cria uma relação única entre mãe e criança, reduzindo os efeitos negativos ligados à quarentena e ao estresse por causa deste surto viral pandêmico. E os pediatras brasileiros, que atuam na promoção e cuidados da saúde infantil, são fundamentais para que a solidariedade vença a pandemia. Dessa forma, o leite humano continuará garantindo a proteção necessária hoje e um futuro promissor para os nossos pequenos pacientes”, conclui o texto.

DOAÇÃO – De acordo com dados da Rede Global de Bancos de Leite Humano, entre janeiro e maio de 2020, mais de 70 mil crianças já receberam doação de leite humano e mais de 58 mil mulheres já realizaram a doação.  Atualmente, o Brasil conta com 223 Bancos de Leite Humano e 215 postos de coleta, que podem ser consultado em https://rblh.fiocruz.br/localizacao-dos-blhs

É importante ressaltar que toda mulher que amamenta é uma possível doadora de leite humano. Para doar, é preciso ser saudável, não tomar nenhum medicamento incompatível com a amamentação, não fumar mais de dez cigarros por dia, não beber álcool ou usar drogas ilícitas e realizar exames como hemograma completo e anti-HIV, quando o cartão de pré-natal não estiver disponível.

A doação atende a critérios de prioridades. Na lista, estão, por ordem: recém-nascidos prematuros ou de baixo peso que não sugam; recém-nascidos infectados, especialmente com enteroinfecções; recém-nascidos em nutrição trófica; recém-nascidos portadores de imunodeficiência; recém-nascidos portadores de alergia a proteínas heterológas; e casos excepcionais, a critério médico.

“A doação ajuda quem recebe, mas também a mulher que doa. Essa ordenha evita ingurgitamento mamário, conhecido popularmente como leite empedrado, e outros problemas da mama puerperal na mulher que tem um grande excedente lácteo. Por isso, é primordial que os pediatras saibam como orientar essas mães”, declara o dr. Luciano Borges.

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COMEMORAÇÃO - O Dia Mundial de Doação de Leite Humano, que também é celebrado no dia 19 de maio, foi definido durante o V Congresso Brasileiro de Bancos de Leite Humano e o I Fórum de Cooperação Internacional em Bancos de Leite Humano, realizados em 2010, em Brasília, com a presença de representantes de 23 países.

Já no Brasil, a Lei Nº 13.227, de 2015, instituiu a data a ser comemorada, anualmente, no dia 19 de maio, e a Semana Nacional de Doação de Leite Humano, a ser comemorada, anualmente, na semana que incluir o dia 19 de maio.


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