Documento atualiza possibilidade de associação da síndrome inflamatória multissistêmica à COVID-19

Nessa quarta-feira (20), os Departamentos Científicos de Infectologia e Reumatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgaram nota de alerta para informar os pediatras e demais profissionais de saúde a respeito de nova apresentação aguda e grave observada em crianças e adolescentes, caracterizada como síndrome inflamatória multissistêmica, provavelmente associada à COVID-19.

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De acordo com o documento, apesar dos indivíduos na faixa pediátrica apresentarem preferencialmente formas assintomáticas, leves ou moderadas da COVID-19, alguns poucos pacientes podem desenvolver manifestações clínicas exuberantes e potencialmente fatais. Os casos relatados – tanto na Europa quanto na América do Norte – apresentaram sintomas compatíveis com síndrome de Kawasaki completo, síndrome de Kawasaki incompleto, e/ou choque.

Recentemente, o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos, sugeriu o termo “síndrome inflamatória multissistêmica associada à COVID-19”. Para definição de caso é necessária confirmação da infecção pelo SARS-CoV-2, com soroconversão ou exposição ao novo coronavírus nas últimas quatro semanas antes do início dos sintomas.

SINAIS DE ALERTA – Entre os sinais de alerta clínicos sugeridos para o reconhecimento de episódio suspeito dessa síndrome em crianças e adolescentes, constam:

  • Em todos os pacientes descritos: febre persistente > 38.5°C;
  • Na maioria dos pacientes: necessidade de oxigênio e hipotensão arterial;
  • Em alguns dos pacientes: dor abdominal; confusão mental; conjuntivite não purulenta; tosse e outros sintomas respiratórios; odinofagia; diarreia; cefaleia; linfadenopatia cervical > 1,5cm; alterações das mucosas orais; exantema polimórfico; edema de mãos e pés; síncope; náuseas; e vômitos.

Além disso, os médicos devem estar atentos aos seguintes marcadores laboratoriais de atividade inflamatória:

  • Em todos os pacientes descritos: fibrinogênio reduzido; ausência de outros agentes etiológicos potenciais que não o SARS-CoV-2; PCR elevado; D-dímero elevado; ferritina elevada; hipoalbuminemia; linfopenia; e neutrofilia;
  • Em alguns dos pacientes: lesão renal aguda; anemia; coagulopatia de consumo (coagulação intravascular disseminada); IL-10 e IL-6 elevadas; proteinúria; CK, DHL e triglicérides elevados; marcadores de função miocárdica elevados (troponina e pro-BNP); trombocitopenia; e aumento de transaminases.

Segundo reforça a nota de alerta da SBP, até o momento, as evidências fisiopatológicas não são conclusivas em relação à causalidade da infecção pelo SARS-CoV-2 e a síndrome de resposta inflamatória multissistêmica na faixa etária pediátrica. Por isso, os pediatras devem estar habilitados para o pronto reconhecimento destes casos e manejo adequado, durante a hospitalização nos serviços de saúde.

Em razão da gravidade destes episódios, o encaminhamento a centros terciários de referência deve sempre ser considerado para a melhor condução, inclusive com a possibilidade de internação em unidades de terapia intensiva, ventilação mecânica e suporte hemodinâmico caso necessário.

“Além disso, as participações conjuntas de pediatras especialistas em infectologia, reumatologia, cardiologia e medicina intensiva devem, sempre que possível, ser solicitadas”, finaliza o documento.

Mais informações atualizadas sobre o impacto da COVID-19 em pediatria estão disponíveis na página: https://www.sbp.com.br/especiais/covid-19/ 


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