Em live, membros do DC de Pneumologia falam sobre o tratamento da asma em tempos de COVID-19

postado 05/29/2020

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em parceria com a empresa Chiesi, promoveu na última semana a live "Tratamento da Asma na População Pediátrica em Cenário de Covid-19". A aula, que contou com exposições dos membros do Departamento Científico de Pneumologia da SBP, drs. Mária de Fátima Pombo Sant'anna, Cássio Ibiapina, Débora Chong e Regina Terse Ramos, já contabiliza quase dez mil visualizações nas plataformas da instituição.

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Dr. Cássio foi o primeiro a fazer a apresentação falando sobre as atualizações nas diretrizes nacional e internacional da asma, o que há de novo em ambas. Em 2020, contou o especialista, houve a publicação de um documento nacional no Jornal Brasileiro de Pneumologia – publicação da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) – e do Global Initiative for Asthma (GINA).

Segundo explica, na diretriz nacional a principal novidade refere-se às etapas um, quatro e cinco do controle da asma. “Na etapa um em pacientes com asma intermitente, ou seja, uma asma que estava controlada, mas tinha ocorriam crises eventuais, o pediatra tinha o costume de usar o bronco dilatador de curta duração. Agora, o pediatra pode usar nessas crises o corticoide inalatório associado ao broncodilador de longa duração, no caso o formoterol que tem um início de ação mais rápido entre os broncodiladores de longa duração. Já nas etapas quatro e cinco é a adição do tiotrópio, que é uma medicação que pode ser prescrita antes da introdução dos imunobiológicos”, explicou.

TRATAMENTO – A dra. Fátima Pombo, por sua vez, abordou as questões mais específica relacionadas à manutenção do corticoide inalado. A pediatra apresentou estudos abordando se o paciente com asma é mais vulnerável às infecções virais e se o corticoide inalado interfere na infecção viral e em sua evolução e gravidade.

A pneumologista pediátrica explica que o GINA corrobora a necessidade de se manter o tratamento da asma, particularmente, aquele com corticoide inalados. Se necessário, durante uma crise que não consiga ser controlada pelo corticoide inalado, o uso de um corticoide oral por um período curto não tem problema.

A pediatra relembrou ainda a importância de o pediatra fazer um plano mínimo de ação para que a medicação possa iniciar em casa, antes da criança chegar ao médico. “Sempre que possível evitar os nebulizadores, com preferência do uso de aerossolterapia via espaçador, mas lembrando que, quando isso for necessário, as medidas e os cuidados para controle de infecção devem ser seguidos para evitar da contaminação”, declarou.

Outro ponto bastante destacado pela especialista é a questão do bom senso do médico e da necessidade de um embasamento científico. “A asma não tem sido uma das comorbidade mais prevalentes em crianças com COVID-19 grave. Além disso, os corticoides inaladores parecem diminuir a expressão dos receptores virais e atuar como fator protetivo da infecção e da gravidade da COVID-19. Importante lembrar que as crianças com asma devem ser tratar normalmente com corticoide inalado e corticoide oral – em crises que não consigam ser resolvidas com o corticoide inalado”, frisou.

AEROSSOLTERAPIA – Em seguida, a dra. Débora Chong falou sobre como otimizar e melhorar o uso de aerossolterapia. Na ocasião, a pediatra explicou sobre a via inalatória e a questão do risco-benefício na escolha de tratamentos por ela, fatores determinantes relacionados ao indivíduo, respiração da criança e dinâmica de partículas, entre outros tópicos “O aerossol é muito importante para o tratamento das doenças respiratórias. É um grupo de partículas sólidas e líquidas que se encontram em suspensão em um gás. O grau de deposição pulmonar vai acarretar na eficiência da medicação”, elucidou.

Dra. Débora abordou também o motivo do uso do aerossol ter gerado tanto temor em virtude da COVID-19. Ao nebulizar, é gerado um aerossol com partículas respiráveis. Se for feito isso com uma criança doente, junto desse aerossol será carreado o vírus. Esse aerossol que fica um tempo suspenso no ar, depois vai se depositar nas superfícies e, enquanto estiver suspenso, ele iria expor os acompanhantes e a equipe de saúde ao vírus.

“Crianças em casa, saudáveis, que tenham a asma e estão tratando de manutenção, que tem a fibrose cística e não estão em nenhum grau de exacerbação viral devem manter seus tratamentos, não devem ser interrompidos. A manutenção desses tratamentos é que garantem ao paciente maior resistência a uma infecção viral. Essas crianças precisam ser cuidadas”, enfatizou.

A pediatra elencou ainda alguns tópicos importante do protocolo, como optar por inaladores dosimetrados porque acredita-se que ele não gere um aerossol para o ambiente carreando o vírus, então, é mais seguro; usar Equipamento de Proteção Individual (EPI) adequado para gotículas e aerossol.

IMUNIZAÇÃO E IMUNOTERAPIA – Por último, a dra. Regina Terse, explanou sobre como conduzir a imunoterapia e a vacinação de rotina. “A imunoterapia alérgeno-específica não é imunossupressora e, portanto, não representa um fator de risco a mais para induzir à forma grave de COVID-19. Embora os trabalhos sejam poucos, a impressão que se tem é de que a doença alérgica da via aérea, provavelmente, não é um fator de risco para a forma grave da doença”, disse.

Segundo ela, é importante manter os serviços de imunização, mas com os devidos cuidados: distanciamento físico, impacto local das doenças preveníveis por vacinas e o status da transmissão local da COVID-19. “A vacinação deve ser preservada, particularmente nas crianças no primeiro ano de vida. Esse grupo tem que ser priorizado”, disse.

Confira todas as orientações da SBP a respeito da COVID-19 em https://www.sbp.com.br/especiais/covid-19/


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