Em parceria com Ministério da Saúde, SBP divulga nota sobre COVID-19 e síndrome inflamatória em crianças e adolescentes

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em parceria com o Ministério da Saúde, a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS) e a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), lança nesta semana uma nota de alerta com recomendações a respeito do manejo clínico de crianças e adolescentes com COVID-19. Conforme destaca o documento, apesar da doença apresentar manifestações mais relevantes em pacientes acima de 60 anos de idade ou com comorbidades associadas, sintomas graves também têm sido relatados em uma pequena parcela da população pediátrica.

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De acordo com a publicação, as primeiras descrições sobre o tema surgiram em abril desse ano, no Reino Unido. Posteriormente, Espanha, França e Estados Unidos também registraram episódios similares. Segundo as descrições dos casos, a nova apresentação clínica da COVID-19 em crianças e adolescentes é caracterizada por síndrome inflamatória multissistêmica, com manifestações semelhantes àquelas observadas na síndrome de Kawasaki típica, Kawasaki incompleta ou síndrome do choque tóxico.

Entre os sintomas recorrentes, constam: febre persistente e elevada; exantemas de apresentações variadas; conjuntivite; edema em mãos e pés; dor abdominal; confusão mental; linfonodos aumentados; e manifestações gastrointestinais, como vômitos e diarreia. Os episódios evoluem para choque cardiogênico (com hipotensão arterial e taquicardia) e elevações de marcadores de função miocárdica (troponina e pró-BNP).

Além disso, a despeito da maior parte dos casos não apresentarem sintomas respiratórios significativos, pode haver a necessidade de suporte ventilatório mecânico. Merece destaque ainda, a possibilidade de derrame pleural, ascítico e pericárdico, que sugere comprometimento inflamatório sistêmico de serosas.

Segundo a nota de alerta, até o momento, as evidências são inconclusivas em relação à causalidade da COVID-19 e o aparecimento desses casos com síndrome de resposta inflamatória multissistêmica. Por isso, até que dados mais robustos sejam publicados, é recomendado que os pediatras permaneçam atentos para o rápido reconhecimento dos casos, a fim de efetuar o manejo apropriado nos serviços de emergência, enfermarias e unidades de terapia intensiva.

MANEJO CLÍNICO – O documento propõe ainda uma série de orientações com ênfase na abordagem terapêutica precoce e tratamento. Nesse contexto, é recomendado que todos os pacientes sejam tratados como suspeitos para COVID-19. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada de acordo com os protocolos locais de sepse após coleta de hemoculturas.

Além disso, os especialistas devem considerar a possibilidade de rápida deterioração e agravamento da inflamação, investindo no monitoramento rigoroso dos casos, principalmente nos quesitos cardiorrespiratórios. Quando houver deterioração clínica ou doença severa, a equipe de saúde pode optar pela transferência para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica.

“As participações conjuntas de pediatras especialistas em infectologia, reumatologia, cardiologia e medicina intensiva devem, sempre que possível, ser solicitadas precocemente. Em razão da gravidade destes casos, o encaminhamento a centros terciários de referência deve sempre ser considerado para o melhor manejo”, finaliza a publicação.

Mais informações atualizadas sobre o impacto da COVID-19 em pediatria estão disponíveis na página: https://www.sbp.com.br/especiais/covid-19/


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